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Basta chegar a sexta-feira de um dia quente para que os bares de todo o país fiquem repletos de adolescentes que, entre um papo e outro, bebem cerveja. E eles chegam a fazer campanha, dizendo que a bebida é fraca, que é mais apropriada para o jovem e que no calor o que combina mesmo é a cerveja – além dos, diga-se, destilados. No entanto, não é apenas o sol que atrai uma horda de jovens a se embriagar pelas esquinas do país. O aumento do consumo de bebidas alcoólicas em uma população é influenciado por uma série de fatores, mas dois deles são especialmente importantes. Os chamados fatores de acesso ao produto incluem, entre outros, o preço, a densidade de locais de venda e o número de horas de funcionamento dos pontos-de-venda de bebidas alcoólicas. É tanto intuitivo quanto comprovado por sólidas evidências que, quanto mais barato o preço das bebidas alcoólicas e quanto mais fácil comprá-las, mais as pessoas bebem. No Brasil, onde o preço de um litro de pinga é comparável ao do litro de leite e é raríssimo um menor de idade ter dificuldades de adquirir qualquer droga, o consumo do produto tem apresentado forte tendência de crescimento.
No site Drogas.org é possível encontrar informações e notícias sobre a legislação e programas governamentais e não-governamentais de prevenção e combate às drogas. Também estão disponíveis diversos serviços, como por exemplo um tele-atendimento, para quem quer parar de fumar ou beber. Na seção de entrevistas do site Combate às Drogas o internauta encontrará entrevistas de jovens ex-usuários de drogas e comentários de especialistas no assunto. Quem quer direto à fonte para ver o que o governo está realizando para prevenir o uso de drogas o site da Secretaria Nacional Antidrogas é uma boa fonte. Criada em junho de 1998, o Senad é o órgão que promove as atividades de prevenção e combate ao uso indevido de drogas e promove, além de coordenar as instituições públicas responsáveis pelo tratamento e recuperação de dependentes. O site americano para adolescentes Bolt montou um Guia Online sobre todos os tipos de drogas, inclusive álcool. Sem condenar o uso nem fazer apologia, o guia fornece informações legais e as características de cada substância, incluindo todos os nomes pelos quais são chamadas. (Em inglês) O site Saúde Gratuita pretende auxiliar adolescentes e jovens a coordenarem projetos de vida e estabelecer condutas e práticas não prejudiciais à saúde. Já a página Cebrid descreve os principais efeitos causados pelo uso de bebidas alcoólicas. Um dos assuntos, por sua vez, tratados pelo oncologista Drauzio Varela, ao lado de informações sobre saúde e dependência química Já para os jovens que vêem de perto essa situação, muitas vezes dentro de sua própria casa, o AlaTeen oferece apoio a adolescentes filhos de alcoólicos.
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Historia Natural do Alcoolismo Revisitada
O aumento do consumo de bebidas alcoólicas em uma população é influenciado por uma série de fatores, mas dois deles são especialmente importantes. Os chamados fatores de acesso ao produto incluem, entre outros, o preço, a densidade de locais de venda e o número de horas de funcionamento dos pontos-de-venda de bebidas alcoólicas. É tanto intuitivo quanto comprovado por sólidas evidências que, quanto mais barato o preço das bebidas alcoólicas e quanto mais fácil comprá-las, mais as pessoas bebem. No Brasil, onde o preço de um litro de pinga é comparável com o do litro de leite e é raríssimo um menor de idade ter dificuldades de adquirir qualquer bebida alcoólica, o consumo do produto tem apresentado tendência de crescimento. Vale apontar que o aumento de problemas relacionados ao álcool em uma população é proporcional ao aumento do consumo de álcool desta. Também, diferentemente da crença difundida, a maior parte do potencial devastador do consumo de álcool, protagonista de acidentes de trânsito, crimes, agressão doméstica etc., ocorre com indivíduos não-dependentes. O segundo grupo de fatores diz respeito ao aspecto da informação. Desse grupo fazem parte a propaganda e campanhas na mídia, entre outros. Há muito sabe-se do papel desses fatores no clima social que é criado em torno das bebidas alcoólicas, mas, recentemente, pesquisas apontam para a influência direta das propagandas também no início e aumento do consumo do álcool. Uma pesquisa relacionou o fato de apreciar propagandas de cerveja aos 18 anos com um maior índice de consumo de bebidas e de comportamento agressivo aos 21 anos. Outro estudo, com crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos, revelou que assistir a propagandas com frequência provoca a expectativa de consumir bebidas no futuro. Muitos dos meninos entrevistados disseram que as propagandas de álcool os encorajavam a beber. Não é à toa: no Brasil os comerciais estão sempre associados a momentos gloriosos, conquistas esportivas, à sexualidade e ao orgulho de ser brasileiro. E o gasto anual de milhões de dólares permite que as propagandas sejam extremamente criativas e atraentes. Apesar dos dados acima, o governo federal desperdiçou recentemente excelente oportunidade de promover um debate nacional sobre o consumo de bebidas alcoólicas, um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil. Além de estender para 2005 a permissão às propagandas de cigarro em eventos esportivos, a medida provisória 118, aprovada pela Câmara, descartou a inclusão das cervejas na restrição de horário. De acordo com a lei 9.294, de 1996, que regulamenta a propaganda de bebidas alcoólicas no país, apenas produtos com teor alcoólico acima de 13 GL integram a categoria. Isso exclui cervejas e vinhos, por incrível que pareça. Mesmo para as bebidas que se enquadram na lei, no entanto, a publicidade em rádio e TV é livre na faixa entre 21h e 6h. E vinhetas rápidas de patrocínio são permitidas em qualquer horário. A partir de 2000, quando a lei 10.167 foi sancionada para praticamente extinguir a propaganda de cigarro restrita, desde então, aos locais de venda, parecia natural que o jogo ficasse mais duro também para as bebidas alcoólicas. A discussão sobre as estratégias de propaganda e marketing da indústria do álcool não é prioridade brasileira. A preocupação com o impacto global destas no consumo dos jovens deu origem a um encontro internacional organizado pela OMS, com especialistas de mais de 30 países, na Espanha em maio de 2002. Um trabalho brasileiro apresentado nesse evento confirmou a tendência mundial, especialmente em países em desenvolvimento, da indústria de álcool dirigir seus produtos aos jovens. No mesmo encontro foram apresentadas evidências científicas da influência da propaganda de álcool sobre os jovens. Nesse sentido, é animadora a criação do grupo interministerial responsável por estabelecer novas regras para a propaganda, comercialização e taxação das bebidas alcoólicas. Além das razões de saúde pública, o custo do uso nocivo de bebidas alcoólicas é extremamente alto. Não temos no Brasil estudo amplo sobre o assunto, mas pode-se recorrer, como referência, às estatísticas de outros países. Nos EUA, o custo anual dos acidentes de trânsito relacionados ao álcool ultrapassou US$ 100 bilhões em 2000. Em 1996, um estudo sobre o uso de álcool entre os jovens estimou custos de US$ 50 bilhões, incluindo acidentes de carro, crimes, afogamentos, intoxicação alcoólica etc. Embora os números norte-americanos sejam provavelmente maiores que os nossos, muitos dos problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas naquele país têm diminuído por conta das inúmeras leis, intensa fiscalização e existência de programas de prevenção abrangentes. Apesar dos tropeços do governo, parte da indústria do álcool parece sentir a pressão da sociedade aumentando e cogita o desenvolvimento de ações preventivas, principalmente no que diz respeito ao dirigir alcoolizado. Porém muito mais tem de ser feito. Entre as atribuições do governo, por exemplo, estão a fiscalização rápida e certeira das medidas restritivas a serem tomadas. Esse é um assunto importante e caro o suficiente para ser tratado a sério. *Ilana Pinsky, 36, psicóloga, é coordenadora do Ambulatório de Adolescentes da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp). (Folha de S.Paulo – 08/09/2003) |
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