Escola é fonte de insegurança

Alunos apontam os principais problemas sofridos na escola, suas causas e possíveis soluções

Se os jovens não se sentem seguros dentro da própria escola, onde mais podem se sentir seguros? Pesquisa feita pelo Ilanud mostra que o lugar onde são formados os futuros adultos é fonte de medo e palco de uma série de delitos.

O estudo do Ilanud - Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e o Tratamento do Delinqüente - mostra que os alunos são vítimas de diversas contravensões ignoradas pelas autoridades escolares. Dos alunos entrevistados, 69% já sofreu algum tipo de delito.

A pesquisa acompanhou o dia-a-dia de 40 escolas públicas e particulares de São Paulo, ouvindo 710 alunos do ensino médio e fundamental. Ela revela que pequenos furtos, ameaças, atos de vandalismo, assédio sexual, rixas e brigas de turma são mais comuns do que se imagina entre os estudantes. Quase metade dos entrevistados já teve algum objeto seu furtado e mais de um terço já sofreu ameaça ou teve bens danificados. (Veja tabela)

Pedido de socorro

Os jovens ouvidos reclamam da falta de supervisão e acusam as autoridades escolares de fecharem os olhos para o problema. Também pedem mais atenção dos pais e apoio da comunidade.

Eles sugerem várias medidas para melhorar a segurança. Colocar mais seguranças dentro e fora da escola seria a primeira medida. Detectores de metal, câmeras e outros equipamentos para fiscalizar os alunos foi a segunda sugestão mais citada. Em terceiro lugar os alunos levantaram soluções como mais conversas com os pais, participação da família e da comunidade, acompanhamento psicológico e mais atenção dos professores e da diretoria para os problemas.

Influências

O estudo mostra que a interrupção dos estudos - seja por expulsão, evasão ou repetência - aumenta a probabilidade do aluno ter problemas de indisciplina. O acompanhamento dos pais e um bom relacionamento familiar, por outro lado, tendem a influenciar o comportamento da criança de maneira positiva.

(Por Tatiana Heise
Colaborou: Miguel Vieliczko)

Clique aqui para fazer o download

Aprendiz sugere:

Matérias

Ilanud

Conjuntura Criminal

Violência e medo fazem parte da rotina escolar

Secretaria promete conter vandalismo

Escola tem alarme ligado à Guarda

PM e Guarda Municipal visitam alunos

Cresce violência em escolas, diz estudo

Retrato da violência nas escolas estaduais

Sites

Grupo de Trabalho Contra a Violência nas Escolas, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos

Site da campanha "Sou da Paz"


 

 

Tabela : Vitimização nas escolas

Tipo de delito

Nunca

Uma vez

Algumas vezes

Várias vezes

Furto de algo de pouco valor

51,8

25,1

13,3

9,7

Ameaça de agressão

63,5

19,1

14,1

3,3

Teve pertences danificados

66,9

18,3

11,6

3,2

Furto de algo valioso

94,5

3,6

1,2

0,6

Foi agredido por colega

95,3

4,2

0,4

0,0

Extorsão

96,3

2,5

0,6

0,6

Foi agredido por funcionário ou professor

98,5

1,3

0,2

0,0

Fonte: "O dia a dia na vida das escolas", ILANUD / Instituto Sou da Paz

 

Problemas que geram insegurança nos alunos

  • Escolas grandes ou muitos alunos na escola
  • Falta de apoio dos parentes ou falta de interesse dos pais
  • Classes grandes ou muitos alunos por classe
  • Vandalismo ou depredação da escola por pessoas de fora
  • Falta de condições econômicas das famílias
  • Professores e funcionários não impõem disciplina
  • Furtos ou roubos
  • Falta de qualidade de ensino
  • Dificuldade na contratação de bons professores
  • Uso ou tráfico de drogas
  • Brigas, violência ou existência de gangues
  • Violência ou depredação da escola pelos próprios alunos



Suas principais causas
  • Escolas grandes ou muitos alunos na escola
  • Classes grandes ou muitos alunos por classe
  • Os professores e funcionários não impõem disciplina
  • Violência na televisão, cinema ou video-games
  • Falta de condições econômicas na sociedade, pobreza, desemprego
  • Falta de controle dos parentes, falta de supervisão dos pais
  • Ação de gangues
  • Disponibilidade de armas
  • Violência na sociedade
  • Falta de respeito por parte dos alunos
  • Uso de drogas, tráfico de drogas ou álcool
 

 



Medidas sugeridas pelos alunos
  • Mais policiamento dentro e fora da escola
  • Adoção de equipamentos de segurança, como câmeras e detectores de metal
  • Mais conversa, acompanhamento e carinho dos pais
  • Participação da comunidade
  • Apoio de psicólogos
  • Mais atenção e supervisão da diretoria e dos professores
  • Punições aos alunos infratores
  • Melhor tratamento aos alunos



Cresce violência em escolas, diz estudo

  No ano passado, 82% de 520 escolas estaduais de São Paulo sofreram algum tipo de violência. É o que mostra o estudo Violência nas Escolas, do Udemo (Sindicato de Especialistas em Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo).

Na opinião de 40% dos diretores ouvidos no levantamento, a violência aumentou em 1999. Para 32% dos diretores, ela manteve o mesmo nível dos anos anteriores, enquanto apenas 28% afirmaram que ela diminuiu.

Os casos mais comuns são de depredações a móveis, lâmpadas, vidros e outros objetos da escola. Esse tipo de violência aconteceu em 72% das escolas. As brigas (62%) e pichações (53%) também foram lembradas pelos diretores.

O que mais impressionou o presidente do Udemo, Roberto Augusto Leme, no entanto, foi o grande número de casos de explosões de bombas em escola. Quase a metade dos diretores ouvidos (48%) afirmou ter acontecido um caso de explosão de bomba em banheiros ou telhados na sua escola.

"Geralmente, são bombas caseiras, feitas pelos alunos. Mesmo assim, elas assustam, fazem estragos e podem ferir alguém gravemente", afirma Leme.

Um dos fenômenos mais preocupantes nas escolas, segundo Leme, é a formação de gangues de alunos, que brigam entre si e, às vezes, chegam até a ameaçar os diretores. "Já recebemos denúncias até de professores que têm medo de sair sozinhos da escola e esperam os colegas para poder ir para a casa em grupo", diz o presidente do Udemo.

Metodologia

Para chegar a esses resultados, o Udemo enviou questionários a todas as 6.400 escolas estaduais de São Paulo. Enviaram respostas, no período de 16 de novembro a 3 de dezembro, 520 diretores, o que representa 8% do total.

Essa é a quinta edição da pesquisa e foi a primeira vez que o Udemo ampliou o estudo para todo o Estado (as pesquisas anteriores eram restritas ao interior ou à capital).

"Vamos entregar o resultado da pesquisa para as secretarias de Educação e de Segurança Pública de São Paulo", diz o presidente do Udemo.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Educação informou que um dos projetos desenvolvidos pelo Governo do Estado para diminuir a violência nas escolas é o Parceiros do Futuro, lançado em agosto do ano passado na capital.

O objetivo do projeto é criar melhores condições de inserção dos jovens na sociedade, afastando-os da marginalização. Em 102 regiões da capital e da Grande São Paulo, são realizadas em escolas, nos fins de semana, atividades esportivas e culturais. Uma das propostas do Parceiros do Futuro é trazer a comunidade (moradores, comerciantes, pais de alunos) para dentro da escola.

Os técnicos da secretaria informaram que não comentariam a pesquisa porque ainda não receberam, oficialmente, o estudo do Udemo.

(Folha de S.Paulo)



Retrato da violência nas escolas estaduais
Em %

Porcentagens de escolas que tiveram problemas com:
. Depredações - 72,3
. Brigas - 62,21
. Pichações externas - 53,05
. Arrombamentos - 50,47
. Pichações internas - 49,77
. Explosão de bombas - 48,36
. Tráfico de drogas perto ou dentro da escola - 44,84
. Furtos - 35,92
. Danificação a veículos - 35,92
. Invasão de estranhos - 29,58

Quando aconteceram os casos
. Noite - 44%
. Tarde - 20%
. Todos os turnos - 14%
. Manhã - 12%
. Fins de semana e feriados - 10%

Em relação aos anos anteriores, a violência...
. Aumentou - 40%
. Manteve o mesmo nível - 32%
. Diminuiu - 28%

Sugestões para acabar com o problema*
. Projetos de conscientização e valorização da escola envolvendo pais, alunos e comunidade - 45,38
. Uso de uniforme como elemento de identificação do aluno - 37,12
. Contratação de vigias, porteiros e inspetores - 30,96
. Instalação de centros de lazer na escola - 30,58
. Policiamento permanente - 28,46

(*) Cada diretor fez mais de uma sugestão
Fonte: Udemo (total de 520 escolas)

 (Folha de S.Paulo)