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| Pesquisa Futura: Autor de Casa Grande & Senzala é discutida em evento Gilberto Freyre é tema de debate A obra do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987) esteve em debate, entre os dias 15 e 17 de agosto, no Rio de Janeiro e São Paulo. Trata-se do seminário "Gilberto Freyre - Patrimônio Brasileiro" que foi promovido pelo Colégio Brasil, com apoio do Instituto de Estudos Avançados da USP, da Fundação Roberto Marinho, entre outros. Com a presença de estudiosos de renome como Alfredo Bosi (da USP) e Stuart Schwartz (Universidade de Yale, EUA) a idéia do encontro foi discutir as diversas faces da obra polêmica do autor de "Casa Grande & Senzala" (1933), conforme disse a coordenadora do seminário Rosa Maria de Araújo. A obra de Freyre, nascido em 15 de março de 1900, é considerada uma das mais importantes interpretações do Brasil. No clássico "Casa-Grande & Senzala", entre outros, desenvolveu a idéia de que a miscigenação racial, resultado do processo de colonização, foi positiva na formação da sociedade brasileira. O sociólogo destacou a importância do negro e do índio na cultura nacional, trazendo à luz aspectos da vida cotidiana do Brasil colonial, mas despertou acusações de que romantizou os efeitos da colonização. O que fez com que muitas vezes sua obra permanecesse afastada do circuito acadêmico brasileiro. As posições políticas conservadoras de Freyre, como o apoio ao regime militar (1964-1985), fizeram com que fosse proscrito pela esquerda e sua obra, questionada por acadêmicos. Contradições da vida e da obra de Freyre também foram tratadas no evento. O brasilianista Stuart Schwartz, professor da Universidade de Yale, fez uma conferência no primeiro dia de trabalho da programação que aconteceu na Academia Brasileira de Letras, com a exposição "Casa-Grande & Senzala: Um Retrato Otimista do Brasil", abordando o papel de Gilberto Freyre na elaboração da idéia de um país "positivo", enquanto sua geração ainda tinha uma visão pessimista. Schwartz lembra que, nas idéias de Freyre, a miscigenação foi responsável pela formação do brasileiro como "um homem novo" - algo de que o Brasil deveria se sentir orgulhoso, não envergonhado. O brasilianista ressalta, entretanto, que a visão otimista construída nos livros do sociólogo acabou criando, de certa maneira, "uma mistificação, uma mitologia" sobre uma escravidão dócil. (As informações são do jornal Folha de S. Paulo) Leia
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A Universidade de São Paulo (USP) ajudou a ofuscar a faceta mais inovadora da obra de Gilberto Freyre, afirma o presidente Fernando Henrique Cardoso. FHC diz continuar crítico em relação à tese da democracia racial, segundo a qual não há preconceito contra negros no Brasil, mas acha que o grupo de sociólogos da universidade liderado por Florestan Fernandes "não viu a importância" da obra de Freyre, e não só nas técnicas de história do cotidiano. "Gilberto Freyre estava muito à frente (da USP) no que diz respeito à idéia de miscigenação como um valor", afirma, em entrevista. FHC foi aluno de Florestan e quase teve Freyre em sua banca de doutorado, em 1961. Freyre acabou recusando o convite de Florestan. Mesmo a tese da democracia racial deve ser vista sem maniqueísmo, para FHC: "A idéia de democracia racial deve ser criticada porque ela contém um elemento de despiste, de mistificação mesmo. Mas também contém um elemento de verdade". Segundo o presidente, não havia uma "guerrinha fria" da USP contra Freyre, como diz a filha do sociólogo, Sonia Freyre Pimentel. A oposição a Freyre deve ser entendida em perspectiva à pretensão da USP de criar uma universidade em que não se produzisse ideologia. "Gilberto Freyre era percebido como alguém que estava racionalizando a política colonialista portuguesa, como no tropicalismo, e também que tinha um olhar benevolente quanto ao patriarcado nordestino, no modo de tratar os escravos", diz. O distanciamento maior entre a USP e Freyre ocorreria em 1964, quando o sociólogo passou a defender o movimento militar. "Essa questão de 64, na verdade, nos chocou muito", conta o presidente. (As informações são do jornal Folha de S. Paulo)
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