Diariamente, em escolas
de todo o país, crianças e adolescentes fazem uma prova
oral que pode mudar suas vidas. São milhões de alunos aprendendo
nas cantinas escolares a tarefa vital que, espera-se, receba atenção
desde a sala de aula até o prato servido em casa.
As notas dessa avaliação
diária, no entanto, vêm somando péssimos números
à educação nacional: o Brasil tem cerca de 1,5 milhão
de crianças obesas e algo entre 70% e 80% de adolescentes que se
tornarão adultos com excesso de peso.
Os ingredientes dessa
dieta são uma mistura de descaso dos pais, despreparo dos cantineiros
e negligência das Associações de Pais e Mestres, responsáveis
pelas cantinas. Em casa, é na hora das refeições
que muitos alunos recebem aulas de má alimentação;
no balcão, salgadinhos, doces e refrigerantes saem mais que pãozinho
quente; quanto às APMs, parecem estar mais interessadas nos lucros
que lhes são repassados.
E, é claro,
não faltam alunos que prefiram trocar arroz, feijão e bife
por um sanduíche com refrigerante. Há uma lógica
consagrada que facilita o acesso à comida industrializada e que
visa ao lucro, antes da saúde. A receita para esse prato não
é tão simples, porque exige uma radical mudança de
cultura: pais, professores e cantineiros precisam se unir para melhorar
o cardápio diário dos alunos, em especial daqueles que estão
em fase de crescimento. Está na hora de a escola renovar seu menu
e mostrar a diferença entre um programa efetivo de alimentação
escolar e um fast-food.