"A
neutralidade costuma causar mais danos que a beligerância"
Louis D. Brandeis
Alexander Sutherland
Neill, fundador da escola democrática Summerhill, ansiava por uma
educação que usasse a curiosidade nata das crianças
como condutora natural do processo de aprendizagem. Com isso, esperava
não só formar indivíduos livres para agir e pensar,
mas que também fossem cidadãos conscientes de seu papel
na sociedade. Para Neill, a infelicidade humana, expressa nas neuroses
da família burguesa, poderia ser evitada retirando-se da educação
o elemento nefasto do medo.
O modelo atual de
civilização baseia-se de forma central no medo. Medo da
pobreza e da violência. Medo da instabilidade econômica. Medo
do poder alheio. Na escola, o dilema: como pode haver felicidade com tanta
opressão no mundo? É nesse ponto que a educação
atual foi lentamente afundando-se em uma missão intangível.
Deixou de ser um instrumento para questionar a condição
humana e buscar a felicidade.
Especialistas propalam
discursos pragmáticos e conclusivos: educação para
o mercado, para o trabalho, para o poder. O medo não acabou, contudo.
Persistem ameaças, metas, notas, currículos, presenças
obrigatórias, advertências orais e escritas - e, em alguns
lugares, a despeito dos direitos humanos, sobrevivem violências
físicas.
A responsabilidade
de preparar futuros cidadãos para um mundo pacífico e sem
medo deixou de ser da família ou da escola - toda a sociedade está
envolvida nesse processo civilizatório. Por isso, a nenhum ser
humano é permitido ficar à margem do debate sobre a guerra.
Alunos e professores largam livros e apostilas quando a história
viva invade as salas de aula, os pátios de escolas, cada casa de
qualquer país. Ante a estupidez da guerra, se descobrem lições
e diálogos possíveis.
Nem ações
diplomáticas nem manifestações internacionais puderam
evitar o conflito no Iraque. Séculos de conhecimento não
serviram para impedir tantas mortes. Os Estados Unidos registram as maiores
chacinas perpetradas por estudantes armados. A nação mais
rica do mundo dá um recado bem claro: a educação
fracassou. É instrumento de poucos. E insuficiente, pois não
torna o mundo um lugar mais pacífico e feliz. Nós devemos
uma explicação às nossas crianças.