A revista Educação
é uma publicação que se orgulha muito de seus colaboradores.
Temos, nestas páginas, recebido textos de expressivos nomes do
jornalismo. Mas todos eles, com certeza, concordam que o grande mestre
que freqüentou esta publicação é Aloysio Biondi.
Seja por sua impecável história profissional - que inclui
a direção de Redação de veículos como
Folha de S.Paulo e Gazeta Mercantil -, seja por ser considerado "pai
do jornalismo econômico". Não bastasse sua contribuição
ao debate sobre os rumos e descaminhos do Brasil, unanimemente reconhecida,
inclusive por adversários, como uma das mais valiosas das últimas
décadas.
Talvez o leitor comum
não soubesse exatamente, ao se deparar todo mês com a coluna
Pensata, quem era o autor daqueles ataques sistemáticos (e rigorosamente
fundamentados) ao governo FHC e à política do MEC. Nunca
é tarde para saber: tratava-se do único jornalista capaz
de enfrentar o poder com a inteligência, lucidez e coragem de quem,
em 44 anos de profissão, construiu uma vida exemplar - a de um
homem que abdicou de dinheiro, cargos e bajulações em favor
de um compromisso radical com a verdade e o bem de seu País.
O senso comum que
prega não haver pessoas insubstituíveis, no caso de Biondi,
mostra-se mesquinho: não há, hoje, quem possa (ou queira)
ocupar o seu lugar. A morte dele, no último dia 21 de julho, anuncia
o crepúsculo da mais brilhante e ética geração
de jornalistas brasileiros.
Nesta edição,
publicamos os dois últimos artigos que Biondi escreveu para Educação.
Humildemente, estaremos encerrando a coluna Pensata. Mas vamos continuar
com nossas páginas abertas para os que se recusam a aceitar o mundo
como ele é, injusto.
Aloysio Biondi também
era professor. Lecionava na Faculdade de Comunicação Social
Cásper Líbero. Defendia seus alunos de maneira incandescente.
Em seu enterro, em meio a personalidades da política e do jornalismo,
dezenas de jovens foram prestar homenagem ao mestre. Choravam como quem
perde um pai. Uma longa salva de palmas após a descida do caixão
encerrou o espetáculo que foi a trajetória de Biondi. Quantos
de nós fazemos da vida uma lição?