O Brasil, este ano,
está formando 6.200 doutores, número equivalente ao da Itália,
país desenvolvido, com tradição no avanço
da ciência. É um marco importante. Mostra que a pesquisa
brasileira dobrou de tamanho, rapidamente, acelerando uma fase de crescimento
que havia começado no final da década de 70. Há 20
anos, as agências de fomento distribuíam cerca de 500 bolsas
de doutoramento ao ano; agora, entregam 2 mil. O salto foi recente, tanto
que a maior parte dos pesquisadores em atividade têm menos de cinco
anos de doutorado.
A pesquisa também
amadureceu, deixando velhos defeitos para trás. Já não
depende tanto dos centros tradicionais, no eixo Rio–São Paulo:
enquanto apenas 10% dos cientistas se formavam fora dessa região,
no início dos anos 80, eles são agora 26%. E, se nunca pecamos
por falta de qualidade, o crescimento nos deu massa crítica suficiente
para que a competência brasileira se destaque num meio internacional
extremamente concorrido.
Fizemos bonito com
o seqüenciamento genético de diversos microorganismos importantes
e de tumores, e ganhamos relativa autonomia na construção
de aviões e satélites. Sem chamar tanta atenção,
pusemos em operação dois telescópios de última
geração, que suprirão nossas necessidades por décadas
à frente.
Os exemplos são
muitos. O que não quer dizer que também não haja
muito por fazer. Praticamente não temos pesquisa em farmácia,
apesar do imenso potencial terapêutico da botânica nacional.
A nanotecnologia, que será um setor-chave para a inovação
tecnológica, nesta década, apenas começou a engatinhar.
Apesar da desconcentração geográfica, mais de 80%
dos doutores ainda são formados por apenas dez instituições.
No entanto, é mais fácil crescer quando se é pequeno.
A jovem pesquisa brasileira caminha para a maioridade.