Cinco
sugestões para fortificar a amorosidade na docência
Há momentos
em nossa trajetória docente nos quais vários princípios
precisam ser relembrados, de modo a fortalecer a certeza da impossibilidade
de desistir e, ao mesmo tempo, reforçar a convicção
do lugar imprescindível da prática pedagógica honesta,
leal e amorosa. Por isso, no livro A Escola e o Conhecimento (Cortez/Instituto
Paulo Freire) registrei reflexões que, agora, com a intenção
de reanimar nossa razão de ser, retomo em forma de pentálogo:
1. Como o interior
de uma relação afetiva, o saber impõe dedicação,
confiança mútua e prazer compartilhado. No lugar dessa relação,
o tamanho, o arranjo e a localização espacial não
importam muito, desde que a partilha seja agradável e justa. Cada
um dos envolvidos nessa situação traz o que já tinha
para trocar, só que a troca não deve levar a perdas. Por
ser uma repartição de bens, todos precisam esforçar-se
para que cada um fique com tudo.
2. A educação
é um espaço para confrontos, conflitos, rejeições,
antipatias, paixões, adesões, medos e sabores. Por isso,
essa relação exala humanidade e precariedade. A tensão
contínua do compartir conduz, às vezes, a rupturas emocionadas
ou a dependências movidas pelo temor da solidão; afinal,
ser humano é ser "junto", o que implica em um custo sensível.
3. A criação
e a recriação do conhecimento não está apenas
em falar sobre coisas prazerosas, mas, principalmente, em falar prazerosamente
sobre as coisas. Quando o educador exala gosto pelo que está partilhando,
ele interessa nisso também o outro. Não necessariamente
o outro vai apaixonar-se por aquilo, mas aprender o gosto é parte
fundamental para passar a gostar. É difícil imaginar que
Newton, Mozart, Fernando Pessoa, Michelangelo ou Tom Jobim, por exemplo,
não tivessem no prazer uma de suas fontes de animação,
sem por isso deixar de envolver-se com atividades que exigem concentração
e esforço.
4. Seriedade não
é, e nem pode ser, sinônimo de tristeza. O ambiente alegre
é propício à aprendizagem e à criatividade,
desde que não se ultrapasse a sutil fronteira entre a alegria e
a desconcentração improdutiva. A alegria vem, em grande
parte, da leveza com a qual se ensina e se aprende; vem da atenção
àquelas perguntas que parecem fora do assunto, mas que vão
capturar a pessoa para um outro passeio pelos conteúdos; vem da
percepção de que aquilo que se está estudando tem
um sentido e uma aplicabilidade (mesmo que não imediatos).
5. A alegria, em suma,
é resultante de um processo de "encantamento" recíproco,
no qual a transação de conhecimentos e preocupações
não é unilateral. A educação é, simbolicamente,
um lugar de amorosidade; mas a amorosidade não é um símbolo,
é um sentir. Não pode ser anulada, só ausentar-se.
A sustentação da amorosidade na educação não
deve ser descuidada. Como em quase tudo que envolve a proteção
da vida, é preciso recomeçar cedo, antes que seja tarde.