Falar mal da televisão
brasileira é tão comum quanto reconhecer sua importância na
formação da cultura nacional. Incitamento à violência,
erotização precoce de crianças e jovens, estímulo
ao consumismo: essas são algumas das críticas que se faz - com justiça,
diga-se - ao conteúdo que chega diariamente aos lares de todo o país.
No entanto, ao completar
50 anos, a TV no Brasil também tem o que comemorar. Ao leitor que folhear
nossa reportagem de capa, será inevitável uma dose de saudosismo.
Afinal, a infância, na segunda metade deste século, em grande parte
foi feita de imagens retidas na memória e que voltam na forma de bonecos
e desenhos animados, canções de rimas fáceis e divertidas,
além de rostos femininos que as crianças carinhosamente associam
à figura de uma irmã mais velha a que chamam de tia.
Em meio a essas lembranças
coloridas - mesmo para os que assistiam a programas em preto-e-branco -, por mais
que se queira festejar o cinqüentenário, o amadurecimento inevitável
dos que hoje são adultos impõe uma reflexão: a sociedade
tem cumprido seu papel de zelar pela qualidade da programação veiculada
pela TV? A resposta inevitavelmente nos remeterá às críticas
a que já nos referimos.
De fato, os compromissos
comerciais assumidos pelas emissoras acabam sempre se impondo acima da responsabilidade
social que deveria nortear, notadamente, a programação infantil.
Excetuadas as TVs educativas, um verdadeiro circo de horrores e vulgaridade toma
conta dos canais abertos. Enquanto as TVs a cabo continuarem proibitivas para
a maioria da população, a vigilância terá de continuar.
Quem dera, daqui a 50 anos, as imagens retidas na memória das crianças
de hoje sejam como um acalanto feito de ternura e inteligência. Por enquanto,
não será.