Veja publicou há
algum tempo entrevista com dona Hebe Camargo nas páginas amarelas. Em certo
momento, disse o repórter a essa senhora a propósito da pena de
morte: "Já existe uma pena de morte informal no país. A polícia
mata muitos bandidos, comprovados ou meramente suspeitos, antes de trancafiá-los
na cadeia."
Maravilha. Os computadores
às vezes cometem desatinos, como se dizia antigamente. Convém repetir
a frase do repórter, sem a oração intercalada, para que tudo
fique mais claro. É possível que ele estivesse emocionado com a
ídola. "A polícia mata muitos bandidos, (...), antes de trancafiá-los
na cadeia." Não é mesmo um colosso essa conversa? Mata e depois
prende.
Há casos em que a
polícia foi acusada de providenciar o óbito (como dizem os médicos)
de bandidos e suspeitos e deixá-los jogados pelos caminhos da vida. E houve
casos em que trancafiou - belíssimo verbo - presos antes de despachá-los,
às vezes em grande quantidade, como já ocorreu quando apresuntaram
111 na Casa de Detenção de São Paulo, no governo do Marechal
Fleury. Essa, no entanto, é a primeira vez que a polícia inverte
a ordem das coisas. Mata e prende.
O repórter não
perguntou, por isso não se sabe o que dona Hebe, malufista de carteirinha,
acha do conselho de Salim Maluf aos tarados da pátria amada: se tiver vontade,
estupra, mas não mata. Claro, matar é muito feio.
Libido é bom
O tributarista disse num
artigo que "o libido federal foi aguçado por uma possível ingestão
cavalar de Viagra", para tentar explicar a causa do aumento de impostos,
taxas e serviços oficiais.
Quer dizer, o governo teria
tomado Viagra, entusiasmou-se e começou a aumentar demais os impostos.
Foi o que disse o tributarista.
Opinião respeitável.
Só que libido, que significa desejo sexual, é palavra feminina.
A libido. E o tributarista irritado com o governo a chamou de "o" libido.
Uma distração, claro.
Para Freud, libido, "a"
libido, é a energia psíquica que provém do instinto sexual
e determina a conduta do homem.
Outros psicólogos
consideram a libido a energia vital sem ligação com o impulso sexual.
Em qualquer caso, sempre
"a" libido.
Existe uma palavra parecida,
esta, sim, masculina: "o líbito", com "t" na última
sílaba e acento tônico na primeira. Líbito significa vontade,
desejo, arbítrio, aquilo que apraz. O "líbito", portanto,
é parente distante da indispensável "libido", que tanto
bem e mal nos faz.
O pasmo de FHC
Um jornal informou o seguinte:
"Fernando Henrique Cardoso fica pasmo com alguns comentários da oposição".
Fica "pasmo"? O redator por certo quis dizer que Fernando Henrique fica
pasmado com os comentários. A confusão entre o substantivo "pasmo"
e o adjetivo "pasmado" é muito comum. As pessoas ficam pasmadas,
espantadas, apalermadas.
Pasmo é assombro,
espanto. Dizer que alguém ficou pasmo é como dizer que ficou 'espanto",
ficou "assombro". É claro que se dirá que alguém
ficou espantado, assombrado, pasmado. Por exemplo: "Quando sonhou com Maluf,
ficou pasmada. O pasmo foi tão grande que acordou suando."