Os resultados apresentados
pela última edição do Exame Nacional do Ensino Médio
(Enem) mais uma vez expõem a chaga aberta que é o ensino
brasileiro. Numa escala de zero a 100, a nota média no teste de
conhecimentos gerais foi de 34,13, o pior índice desde que o exame
foi criado, há quatro anos. Cerca de 1 milhão de adolescentes
são acometidos pelo mesmo mal: vêm do ensino fundamental
semi-analfabetos, vão para o ensino superior com deficiências
gravíssimas em leitura e compreensão de textos. Correm o
risco de serem profissionais doentes, amanhã.
O diagnóstico
não assusta o MEC, que se antecipou às críticas alertando
para o aumento no número de alunos de baixa renda. Nenhum educador,
no entanto, pode se considerar alheio à epidemia na qual se transformou
a questão da má qualidade do ensino brasileiro. Nem mesmo
as particulares estão imunes: os alunos da rede privada obtiveram
nota média de 47,22 na prova geral. A escola agoniza.
A cura para esse descalabro
deixou de ser responsabilidade do governo FHC. A boa notícia é
que o próximo presidente terá, a sua disposição,
um amplo mapeamento educacional, fato inédito num país que
padece também de pesquisas e estatísticas confiáveis.
O MEC modernizou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(Inep); substituiu a vã aferição de conteúdos
pela noção de competências; e expôs as falhas
tacitamente ocultas da educação no país.
O termômetro
não deixa de acusar a febre. Mas já há informações
suficientes para que seja possível esboçar ao menos um tratamento
de emergência. O país espera, paciente.