O Unibanco incorporou alegremente
o Banco Bandeirantes e suas subsidiárias e comunicou aos clientes que eles
também seriam mais felizes com mais agências disponíveis:
Você estará sendo comunicado previamente sobre mais esta comodidade.
Essa linha contém alguns enganos formais. Por exemplo, a expressão
"você estará sendo" constitui sarna lingüística,
gerundiação tenebrosa de mau gosto.
Essa história de
"vai estar sendo", "estará sendo", "vamos estar
fazendo", "vai estar ligando" é filha espúria de
inglês maldigerido com português mal-aprendido. Alguém em alguma
PUC misturou tempos verbais ingleses, inchou o discurso que soou retumbante, outros
ouviram, repetiram o verbo estar, geralmente no infinitivo, seguido de um gerúndio
e fez-se a luz. A maioria das pessoas que atende ao público, por telefone
ou não, repete a penosa fórmula "vamos estar providenciando",
"vou estar mostrando" e por aí vai, dos balcões comerciais
às mesas dos gerentes de bancos, passando pelas telefonistas e atendentes
variadas. Pelo que se vê, já chegou à língua escrita.
Outro erro é o "sendo
comunicado" em vez de "sendo avisado", "sendo informado".
Aliás, comunicado "sobre"? Convém usar o verbo comunicar
de forma higiênica. Comunica-se algo a alguém. Nunca, nunca, nunca
se comunica alguém sobre (ou de) algo. "Comunicou a ele que agora
a coisa vai." Repetindo: comunica-se uma coisa A uma pessoa. Para quem gosta
de nomenclatura gramaticosa: o verbo comunicar exige objeto direto de coisa e
objeto indireto de pessoa.
Mais: considerando a natureza
do verbo, isto é, sua regência, não fica bem para uma pessoa
de respeito escrever como o distraído redator do banco que os clientes
"serão comunicados" do bom negócio feito. Os clientes
devem ser avisados, informados, porque o verbo comunicar não suporta a
passividade nessa acepção, assim como a maioria dos políticos
não suporta enganar o povo.
Claro, é possível
dizer bem e sem reparos que "o presidente recebeu o comunicado de que agora
a coisa vai". O que ele não pode é "ser comunicado de
(ou sobre) alguma coisa".
Não se pode, da mesma
forma, comunicar alguém que (ou de que) nem comunicar alguém sobre
(ou acerca de) algo. Não fica bem. Trata-se de um atropelamento regencial
por enquanto rejeitado pela maioria dos sábios.
"Essa comodidade"
também é outra encrenca. A diferença entre este e esse costuma
confundir os falantes e escreventes. Não tanto quando se trata de coisa
mais ou menos próxima: este lápis na minha mão, perto de
mim; esse paralelepípedo na sua mão, perto de você. No texto,
este refere-se ao presente, ao que vem, que será citado; esse, ao passado,
o que já foi citado.
No caso do comunicado bancário,
o redator já havia citado que a ampliação do número
de agências tornaria o cliente mais feliz, muito mais feliz. Quer dizer,
a comodidade referida já estava anunciada linhas acima. Portanto, o melhor
teria sido redigir assim a bem-traçada linha: Você será avisado
previamente de mais essa comodidade. Dessa forma, todos serão felizes para
sempre.