"Infeliz
a nação que não tem heróis.
Mais infeliz a nação que precisa de heróis."
Bertolt Brecht
Todas as nações
devem se unir no esforço de proporcionar educação
pública, gratuita, universal e de qualidade para todos. Essa é
a conclusão a que chegaram os cerca de 15 mil participantes do
Fórum Mundial de Educação, que aconteceu entre os
dias 19 e 22 de janeiro, em Porto Alegre (RS). O documento, que reuniu
as principais reivindicações do Fórum, também
salientou a importância da erradicação do analfabetismo
- bandeira defendida por esta revista e apontada como a maior omissão
da gestão Paulo Renato.
Não há
como justificar que um país como o Brasil, com uma renda superior
a 1 trilhão de reais e com apenas um idioma fundamental, ainda
apresente os piores resultados educacionais do mundo. Nenhum educador
deveria merecer esse título enquanto 50 milhões de brasileiros
não souberem ler ou escrever.
Para acabar com essa
vergonha nacional, o MEC quer usar 3 milhões de professores e alunos
universitários brasileiros para alfabetizar. Trata-se de um bom
contingente, de fato, mas cujo efetivo anda com o moral baixo, a imagem
desvalorizada e os salários congelados.
"Nós precisamos
formar melhor nossos professores. Para isso, eles precisam de tempo, de
programas e, sobretudo, de incentivo. Eles precisam se transformar nos
heróis brasileiros", incitou o Ministro da Educação,
Cristovam Buarque, presente à abertura do Fórum.
Muitos professores
já são líderes em suas comunidades. São pessoas
que, diariamente, vencem distâncias geográficas, psicológicas
e financeiras para levar educação ao maior número
possível de cidadãos. E que, muitas vezes, voltam para casa
sem receber nenhum reconhecimento, com a sensação de buscar
um ideal fugidio, inalcançável.