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De tabela Instituto Ayrton Senna e Audi unem-se para reduzir evasão escolar e promover integração entre etnias na tribo Terena, em Campo Grande (MS) Uma área de
aproximadamente quatro hectares, nos arredores de Campo Grande (MS), serve
como refúgio a 135 famílias da tribo Terena desde 1995 -
elas são parte recente da história do esmagamento das culturas
agrícolas indígenas do país pelas economias das grandes
cidades. A área pertencia à Fundação Nacional
do Índio (Funai) e era destinada à construção
de uma obra que não saiu do papel. Foi conseguida "no grito"
pelas primeiras vinte famílias que lá chegaram, vindas do
campo, onde não tinham mais como conseguir seu sustento econômico. Mas os índices de evasão escolar e aproveitamento começaram a melhorar com atividades complementares ao ensino formal. A iniciativa de utilizar jogos cooperativos como instrumento de integração e formação dos alunos foi do Instituto Ayrton Senna, em parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que desenvolveu o projeto, e a montadora alemã Audi AG, que investiu os recursos. "Os jogos cooperativos permitem que índios e brancos convivam juntos e tenham de dividir as responsabilidades para que tudo funcione", explica o professor Ari Bittar, coordenador do Projeto Córrego Bandeira. "No começo tudo foi muito difícil, as mães índias não queriam se separar dos filhos, faz parte de sua cultura; e os não-índios não viam sentido nas danças, ficavam dispersos", conta Francisca dos Santos, diretora da escola que oferece aulas de cultura indígena (que inclui dança, artesanato, língua e música) além das tradicionais do currículo. Futebol de quatro gols, duplas de jogadores que utilizam a mesma camiseta são alguns exemplos dos jogos que substituem a competição pela cooperação e exigem companheirismo, sincronia e interação entre os participantes. "Nosso objetivo é quebrar o modelo da derrota e vitória", completa Bittar. Segundo uma auditoria externa, os índices de evasão escolar foram praticamente zerados e o aproveitamento em sala de aula é quase de 100%. Outros indicadores revelados na auditoria são relativos ao desenvolvimento do gosto pela leitura e escrita e aumento de capacidade de realizar problemas cotidianos que receberam 7,48% em uma escala que variava de 0 a 10. Para Francisca, ainda há muito o que ser feito pelo poder público e pela comunidade. "Os Conselhos Tutelares Municipais exercem papel muito importante e o Projeto Córrego Bandeira também. Mas ainda sinto que muitos alunos utilizam o limite máximo de faltas e passam de ano raspando", admite. A questão dos índios Terenas é apenas uma ponta do Projeto Córrego Bandeira. O câmpus da UFMS e o Guanadizão (estádio de futebol de Campo Grande), recebe diariamente cerca de 400 crianças e jovens provenientes de 15 grupos diversos dos arredores da cidade. As atividades são coordenadas por 22 monitores, bolsistas universitários dos cursos de Educação Física, Enfermagem, Música, Odontologia, Pedagogia e Psicologia, que vivenciam na prática as questões que aprendem em sala de aula. O coordenador Rafael Vicente Cruz percebe mudanças radicais de comportamento das crianças e jovens que freqüentam o projeto. "Até o tom de voz muda, fica menos agressivo em pouco tempo", diz. Devido à diversidade étnica e social dos estudantes, ele vê uma ótima oportunidade de trabalho com os temas transversais como as questões relacionadas ao meio ambiente. "O problema do lixo, que diz respeito a todas as culturas, é um dos temas que costumamos abordar quando um ou outro joga um papel fora do cesto", exemplifica. O esporte também provocou uma reviravolta na vida de Rafael Ricaldi, 10. A mãe do menino quase não permitiu que ele entrasse no Projeto, porque não acreditava que fosse mudar - sua capacidade de concentração era pequena e a sociabilidade, na família e com outros colegas de classe, praticamente nula. O que a monitora Aletéia Batistela percebeu em sete meses de trabalho a impressionou: "Não sabia que iria sentir tanta diferença. A família está impressionada, diz que agora Rafael é outro." A Audi AG investiu cerca de R$ 6 milhões em cinco anos de Projeto Educação Pelo Esporte do Instituto Ayrton Senna que inclui, além do Córrego Bandeira no Mato Grosso do Sul, outros cinco pelo Brasil, formatados em parceria com Universidades Federais de acordo com as realidades locais. São eles: o Projeto Esporte Talento (com a Universidade de São Paulo - USP), Projeto Riacho Doce (com a Universidade Federal do Pará - UFPA), Projeto Santo Amaro (com a Universidade Federal de Pernambuco - UPE), Projeto Guanabara (com a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG) e Projeto Escolinhas Integradas (com a Universidade do Vale dos Sinos - Unisinos), que acontece no Rio Grande do Sul. Se comparado a projetos governamentais ou mesmo outros do terceiro setor, o programa Educação pelo Esporte não pode ser considerado caro. Para se ter idéia, o custo mensal por aluno atendido oscila entre R$ 50 e R$ 60, o que já sensibiliza o poder público para a aplicação em larga escala. O primeiro passo foi dado em Campo Grande mesmo, onde os Centros Educacionais de Multi Atividades (Cema) capacitarão mais cinqüenta professores em 2002 para que possam multiplicar os jogos em escolas municipais. Esta coluna é
produzida por estudantes e coordenada por jornalistas do Núcleo
de Comunicação da ONG Cidade Escola Aprendiz. A missão
da entidade é pesquisar e disseminar novas formas de educação
que respondam às demandas da chamada "sociedade do conhecimento".
Para saber mais ou ler a versão on-line da revista Educação,
acesse www.aprendiz.org.br |
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