A imprensa gosta de
criar rankings. Empresas, times de futebol, filmes em cartaz, vinhos,
hotéis, restaurantes: pouca coisa escapa à fúria
classificatória do jornalismo. É fácil entender por
que proliferam tantas listas em páginas de revistas e jornais.
Primeiro, porque o leitor adora. Segundo, porque quem se sai bem festeja
o reconhecimento público. Terceiro, porque assim a mídia
julga prestar um serviço à sociedade.
Se olharmos com atenção,
veremos que, no caso, a "sociedade" à qual a mídia
presta serviços atende a interesses bem específicos e responde
pelo singelo nome de "mercado". É um esforço legítimo,
diga-se. Quando os meios de comunicação distribuem notas,
bolinhas pretas e estrelinhas, eles não assumem (embora devessem)
compromissos com o cidadão, mas com outra entidade, chamada consumidor.
Pode-se lamentar que assim seja, mas não se pode impedir que jornalistas
escolham por quem querem ser lidos. Parece sutil, mas a diferença
é enorme: todo consumidor é um cidadão; já
a recíproca não cabe. Menos engenhoso é o tratamento
que recebe o objeto avaliado - seja um prato de lagosta, uma obra de arte
ou uma escola. A todos, cumpre o papel inanimado de mercadoria.
Todo educador sabe
que avaliar é tarefa complexa e indeclinável - e que nenhuma
avaliação se justifica se nela não estiverem claros
os critérios e, principalmente, os objetivos. Por ofício
e coerência, precisa defender e garantir que a educação
oferecida neste país também seja avaliada. Hoje, a sociedade
dispõe de diversos instrumentos para aferir qualidade, identificar
tarefas, apontar caminhos e transformar a realidade em todos os níveis
de ensino, do básico ao superior. Enem, Saeb, Provão e os
censos escolares estão aí, consolidados e potencialmente
à serviço da sociedade. Podem ser melhorados, evidente.
Outros serão criados, espera-se.
É papel do Estado avaliar, em conjunto com a sociedade, a educação
que se pratica neste país. O resto é armazém de secos
e molhados. Compra quem quer.