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Sem
ranking Flamarion Maués Sistema
espanhol de análise institucional chega ao Brasil O polêmico ranking de escolas, que tirou o sono de muitos pais e educadores, serviu para mostrar que a avaliação é um processo necessário e irreversível. A crítica a esse tipo de "lista das melhores" é que os resultados apresentados são questionáveis e as análises marcadamente quantitativas. Escolas são classificadas por ter mais ou menos professores, computadores ou quadras de esportes. Essas generalizações não levam em conta a eficácia da metodologia ou a especialização do corpo docente, entre outros critérios. Na busca de alternativas, chegou-se ao Instituto de Desenvolvimento, Investigação e Avaliação Educacional (Idéia), entidade privada de origem espanhola dirigida por Álvaro Marchesi, ex-ministro da Educação daquele país. O Idéia implantou, em 1998, na Espanha - e, recentemente, em Portugal -, um sistema de avaliação diferenciado, envolvendo não apenas conteúd! os, mas também aspectos formativos, como, por exemplo, a imagem que a instituição tem diante de professores, pais e alunos. O Instituto, tanto na Espanha quanto no Brasil, é vinculado às Ediciones SM, uma das principais editoras espanholas, especializada em publicações educacionais, livros infanto-juvenis e paradidáticos. "Não se pode reduzir a avaliação de uma escola à nota de matemática dos alunos. A educação é bem mais do que isso. Esse processo precisa levar outros fatores em conta", afirma Marchesi, que esteve no Brasil no final de 2002 para lançar o Idéia. Para ele, é importante que se considere na avaliação o contexto sociocultural de cada escola. Mas o fundamental é entender como se constrói a qualidade, para então se buscar os instrumentos e avaliar. "Ao medir a qualidade de uma escola, devemos considerar cinco pontos: o progresso dos alunos; o projeto da escola; se ela possibilita uma educação ampla, equilibrada e relevante; o grau de satisfação da comunidade! educativa; e o impacto externo da escola", elenca Marchesi. Para encontrar as respostas dessas questões, o Idéia propõe ouvir alunos, professores e pais por meio de questionários sobre diversos aspectos do funcionamento da escola, como estratégias de ensino, ambiente, atitudes e valores. Os alunos passam também por avaliações de matemática, língua portuguesa e literatura, além de outras habilidades cognitivas. Myriam Tricate, diretora do Idéia no Brasil, ressalta que o sistema passou por uma completa adaptação à realidade brasileira. Destaca ainda um ponto que julga essencial no Idéia: "Ele é absolutamente confidencial. Somente o corpo diretor da escola tem acesso aos resultados e faz deles o uso que achar mais adequado." Essas informações particulares da escola aparecem ao lado da média das demais escolas que têm características educacionais semelhantes, possibilitando uma comparação "tranqüila e não-agressiva". Nada de ranking. "O Idéia
não é um instrumento ! de marketing para a escola, mas de
gestão escolar, de ajuda para a busca de qualidade", explica
Myriam. Ela salienta também que os resultados da avaliação
são rápidos - entre três e quatro meses após
a aplicação dos questionários. É o que pensa
também Áureo Monteiro, diretor do grupo Positivo, de Curitiba
(SC). "Os valores que levam uma escola a ser boa ou não são
muito relacionados à sua realidade sociocultural. Ou seja, em um
contexto específico, uma escola pode ser ótima, mas em outro
não." Para Teresa Peres, do Centro de Educação e Documentação para a Ação Comunitária (Cedac), de São Paulo (SP), "colocar a avaliação como uma forma de as escolas refletirem sobre seu andamento, sua relação com pais, comunidade e professores, e com o aproveitamento efetivo dos alunos é excelente". Tereza defende a proposta do Idéia por ser uma abordagem diferente das feitas pela imprensa, pois "visa identificar clara! mente o perfil da escola e contribuir para a sua gestão". José Ernesto Bologna, da empresa paulistana de consultoria Ethos Desenvolvimento Humano e Organizacional, avalia que a proposta tem pontos positivos inegáveis, mas deveria incluir nas avaliações "a capacidade da gestão da escola de utilizar a própria avaliação para melhorar a instituição". Para ele, "as direções às vezes têm muita dificuldade em utilizar dados da realidade para formular uma estratégia de melhoria. Nesse ponto, é importante que essa avaliação não angustie, não dê a radiografia sem dar o remédio. Ela precisa avançar para oferecer algo mais do que somente a radiografia". Serviço: |
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