A fome é o
maior flagelo da humanidade. O Brasil que produz com fartura é
o mesmo que possui 57 milhões de compatriotas famintos. Os contrastes
são ainda mais gritantes se forem contabilizados o desperdício
de 44% da produção agrícola no transporte e estocamento
de alimentos; as toneladas de sobras em restaurantes; a quantidade de
comida que vai para o lixo, nas mesas mais opulentas.
Uma em cada quatro
crianças brasileiras vive sob ameaça de fome, alertam os
institutos de pesquisa. Os números são tão grandes
que costumam deixar muitas pessoas insensíveis, incapazes de compreender
a gravidade do problema. Exemplos de como individualizar esse olhar macroscópico
não faltam: há, no Brasil, bebês de dez meses pesando
três quilos - qualquer criança sadia pesaria, no mínimo,
o triplo.
A desnutrição
deixa marcas para a vida toda: afeta a cognição, a capacidade
de raciocínio, o aprendizado e, numa conjunção ainda
mais cruel, ajuda a engrossar a lista de justificativas para! a evasão
escolar.
É nesse ponto
que a escola pode, a exemplo do que pretende fazer o novo governo, investir
na mobilização para levar comida a cada brasileiro. Campanhas
de arrecadação de mantimentos muitas vezes servem apenas
para alimentar o discurso da demagogia. Apesar de terem caráter
assistencialista, são o primeiro passo para nutrir a cidadania.
Educação também é alimento.