Alta
literatura mantém-se distante do grande público apesar de especialistas
defenderem a importância de se conhecer as obras primas universais
Em 1991, os alunos
dos cursos de letras clássicas e de civilização contemporânea
oferecidos pela Columbia University, em Nova York, estranharam a presença
de um aluno incomum. Tinha 48 anos, trabalhava como crítico de
cinema da revista New York, era casado e pai de filhos. "Um homem
sossegado na vida, mas que, mesmo assim, se sentia desassossegado de um
jeito indefinido", segundo ele.
Seus colegas de classe,
alguns com menos de 20 anos, achariam mais estranho ainda se soubessem
que David Denby já havia feito aqueles dois cursos no inicio da
década dos 60, quando era estudante da Columbia.
A primeira disciplina
reunia "uma seleção-modelo de obras-primas da literatura
européia". A segunda fazia "uma seleção
de obras-primas filosóficas ou de teorias sociais".
Seguiam, em linhas
gerais, os programas e as listas de leituras de trinta anos antes. "Ambos
são cursos sobre 'grandes livros' ou, se você preferir, pesquisas
sobre 'civilização ocidental' com uma série de grandes
nomes colocados em ordem cronológica, como bustos de mármore
num panteão de glória", explica Denby. Em uma palavra:
clássicos. Cânones. Mas o que teria levado alguém
prestes a completar 50 anos a estudá-los de maneira sistemática?
Denby não queria
apenas reler os "grandes livros", mas também "saber
como os outros estavam lendo - ou não estavam". Durante o
ano letivo, manteve sua rotina habitual. "O importante não
era abdicar da minha vida, mas viver intensamente e ver como os livros
se encaixavam nela", explica. Fez, portanto, o que muitos outros
adultos com sua formação se prometem fazer em algum momento
de suas vidas - voltar às leituras "essenciais". Suas
motivações, bem como o relato daquele ano passado em companhia
de velhos conhecidos, resultaram em Grandes Livros - Minhas Aventuras
com Homero, Rousseau, Shakespeare, Marx e Outros Escritores Brilhantes
(Record, 588 págs., R$ 55).
"A justificativa
para exigir que todos fizessem esses cursos era bem clara: em qualquer
área ou profissão, qualquer que fosse a glória ou
o fracasso que o estudante de 18 anos iria enfrentar na vida, ele ou ela
não podia desprezar essa arma", observa Denby. "Eram
aqueles os autores que formavam com mais força 'o Ocidente', eram
aqueles os livros que falavam mais diretamente sobre o que um ser humano
era ou podia ser. Deviam fazer parte da cultura de todos."
É uma definição
de clássico que se consagrou em círculos da chamada "alta
cultura", instalados sobretudo nos meios acadêmicos, e que
abriga um juízo de valor: são livros que "devem"
ser conhecidos de todos porque, supõe-se, carregam alguma espécie
de conhecimento "obrigatório" para a compreensão
da cultura ocidental ou, simplesmente, para a formação humanista
de qualquer adulto.
Mas o raciocínio
continuaria valendo no alvorecer da chamada era da informação,
com o surgimento de gerações cujos hábitos de leitura
se resumem apenas ao consumo de textos facilmente digeríveis, oferecidos
em boa parte pela internet, essa infindável cadeia de fast-food
do conhecimento?
Outros dois livros
ajudam a iluminar alguns dos principais aspectos dessa questão:
Por Que Ler os Clássicos, de Ítalo Calvino (Cia. das Letras,
280 págs., R$ 26,50), e Como e Por que Ler, de Harold Bloom (Objetiva,
276 págs., R$ 29,90). Calvino apresenta quatorze "propostas
de definição" para os clássicos, mas, no final
do artigo que batiza o livro, diz que deveria reescrevê-lo "para
que não se pense que os clássicos devem ser lidos porque
'servem' para qualquer coisa. A única razão que se pode
apresentar é que ler os clássicos é melhor do que
não ler os clássicos".
Seu livro reúne
ensaios que revisitam alguns de seus autores preferidos, de Homero (séc.
VIII ou IX a.C.) e Xenofonte (séc. V a.C.) a Ernest Hemingway (1899-1961)
e Jorge Luis Borges (1899-1986), em busca do que mais lhe atraia neles.
Bloom, um dos mais
respeitados (e polêmicos) críticos literários em atividade,
é um pouco mais pretensioso. Suas análises de contos, poemas,
romances e peças teatrais têm o objetivo de "ensinar
a ler". O próprio Calvino (1923-1985) figura entre os autores
de obras examinadas por ele, ao lado de gente habitualmente perfilada
em listas de clássicos ocidentais - Shakespeare (1564-1616), Cervantes
(1547-1616), Dostoiévski (1821-1881), Marcel Proust (1871-1922),
Thomas Mann (1875-1955) - e de escritores de língua inglesa cujo
reconhecimento fora dos países anglo-saxões é menor,
como Emily Dickinson (1830-1886) e Flannery O'Connor (1925-1964).
O que une Bloom a Calvino, no entanto, é a negação
de um caráter utilitarista para os clássicos e, em um sentido
mais amplo, para a literatura. "O prazer da leitura é pessoal,
não social", diz. "Não se consegue melhorar -
diretamente - as condições de vida de alguém apenas
tornando-se um leitor mais competente. Sou cético com relação
à expectativa tradicional de que o bem-estar social possa ser promovido
a partir do aumento da capacidade de imaginação das pessoas,
e desconfio de qualquer argumentação que associe o prazer
da leitura solitária ao bem público."
Um de seus "princípios"
para o "resgate da leitura" é o de "não tentar
melhorar o caráter do vizinho, nem da vizinhança, pelo que
lemos ou de como o fazemos. O auto-aperfeiçoamento é projeto
suficientemente grandioso para ocupar a mente e o espírito".
"Lemos, intensamente,
por várias razões, a maioria das quais conhecidas: porque,
na vida real, não temos condições de 'conhecer' tantas
pessoas, com tanta intimidade; porque precisamos nos conhecer melhor;
porque necessitamos de conhecimento, não apenas de terceiros e
de nós mesmos, mas das coisas da vida. Leia plenamente, não
para acreditar, nem para concordar, tampouco para refutar, mas para buscar
empatia com a natureza que escreve e lê", propõe.
Esse discurso em torno
dos clássicos teria a capacidade de convencer alguém a os
ler? "Supondo que eles tenham importância, não creio
ser possível convencer ninguém disso", afirma o crítico
literário Marcelo Pen, que escreve para a revista Carta Capital,
entre outras publicações. "É tão impossível
convencer alguém de que os clássicos têm valor quanto
fazer um ateu convicto adotar de inopino uma religião. Não
há argumentos lógicos nem nenhum blablablá de professor
capaz de mudar isso", acredita.
"Se o professor
sugere que o aluno leia Dom Casmurro ou Sagarana, a maioria da classe
vai execrar, ler um resumo ou pedir os pontos principais da análise
para um colega. Um ou outro, porém, ficará fascinado. Por
quê? Por que alguém se empolga com o caso de Capitu e passa
a defender ou acusar Bentinho? Por que alguém tem calafrios na
alma com o duelo de faroeste em que se envolve Augusto Matraga?"
Pen desconfia que a resposta tenha algo a ver com o comportamento de nossos
antepassados remotos que "se sentavam em uma praça, em torno
da fogueira, sob a luz das estrelas, enquanto ouviam, entre maravilhados
e aterrorizados, alguém desfiando histórias de deuses e
monstros, heróis, morte e ressuscitamento".
Há algo nessas
narrativas, sustenta ele, que "nos empolga e que nos faz ser de novo
arianos sentados na fronteira da Índia, gregos encarapitados em
rochedos áridos sob o céu azul". Se o leitor a quem
se recomendou a leitura de um clássico não sentir isso,
nada feito. "Ele não vai gostar de nenhum desses grandes livros,
a despeito de todos os argumentos sobre como a leitura edifica o homem,
como é indispensável para o nosso futuro, como separa o
homem da besta-fera e o vencedor do perdedor. Sabemos que nada disso é
verdade. Que livros leu grande parte de nossa elite, a parcela bem-sucedida
da sociedade, ainda que isso diga mais a respeito de nossa elite do que
dos livros não lidos?"
O escritor Marcelo
Coelho, cronista da Folha de S. Paulo e autor de Jantando com Melvin (Imago,
168 págs., R$ 16) e Trivial Variado (Revan, 190 págs., R$
22), também acha difícil convencer alguém a ler os
clássicos. "Muitos exigem que o leitor mergulhe na leitura,
o que só se faz quando se tira um mês de férias em
lugar tranqüilo. Depois, se a pessoa vai achando chato, não
há como", diz. "Às vezes compensa. Dr. Fausto,
de Thomas Mann, demora muito a engrenar. É bem chato, nesse sentido,
mas vale a pena. Outras vezes, o livro impõe exigências -
de vocabulário, de cultura geral, de atenção a sutilezas
- que a pessoa não necessariamente está preparada para responder."
Nessas situações, corre-se o risco de provocar um "trauma"
no leitor, que passaria a ter uma espécie de "fobia"
a clássicos. Coelho lembra que teve seu "trauma" com
Os Irmãos Karamazov. Aos 15 anos, quando precisou ler o livro até
o fim, achou-o "chatíssimo". "Até hoje Dostoiévski
- que admiro muito - é uma 'pedreira' para mim. Mas acho que, além
de trauma, existe tabu. A gente simplesmente não tem coragem de
ler os 'grandões' - Virgílio (70-19 a.C.), Dante (1265-1321),
Goethe (1749-1832). Deixa para algum dia. Mas eu me lembro de há
muito tempo ter tomado a decisão de, aos poucos, ir 'enfrentando'
esses monstros. Dá pra ler, sim, e eles são muito melhores
do que o simples nome deles sugere."
Coelho observa que
a literatura de consumo esgota-se nos efeitos que produz. "Uma vez
lida, você se diverte, sabe quem é o assassino, dá
risada e pronto, como uma piada que não tem interesse se já
a conhecemos", diz. "O clássico seria o oposto disso,
aquele livro cujos efeitos não se esgotam nem na primeira, nem
na segunda, nem na terceira leitura, e por isso sempre pode ser relido
- o que é feito, aliás, pelas novas gerações."
A professora Luciana
Salgado, preparadora de textos do Projeto Editorial Cursinho da Poli e
integrante do núcleo Confraria de Textos, propõe uma definição
um pouco mais ampla. "Arriscaria dizer que clássico na literatura
é o que uma comunidade cultural (o país, a classe socioeconômica,
a área de atuação profissional) toma como referência,
que conhece ou pelo menos menciona com certa naturalidade", propõe.
"Vale, portanto,
O Pequeno Príncipe, mesmo para quem nem tenha idéia de Antoine
de Saint-Exupéry (1900-1944). Não acho que haja 'clássicos
indiscutíveis'. Há um maravilhoso mar de histórias,
há a inegável grandeza da experiência literária
e há a irrevogável necessidade humana de pertencimento.
A conjunção dessas coisas é que vai dando acenos
do que de clássico há."
Essa "conjunção"
resvalaria inclusive no constrangimento social a que integrantes de certos
grupos estariam submetidos por não conhecerem o que se supõe
que devessem ter lido. "Acredito que se minta gostar disso ou daquilo
porque é clássico. É a tal necessidade de pertencimento
de que falava", afirma Luciana.
"Não condeno
quem o faça. Talvez eu já o tenha feito, não sei.
Os códigos intelectuais são tão coercitivos quanto
quaisquer outros mecanismos civilizatórios e comunitários.
Mas eu faria uma diferença entre os que mentem gostar do que não
gostam e os que mentem gostar do que não conhecem. Acho ruim não
conhecer. Acredito num aspecto positivo do constrangimento que possa levar
a pessoa a querer saber, afinal, do que se trata. Às vezes, passa-se
a gostar do que pareceu ruim num primeiro contato ou o inverso."
Saberia primordialmente à escola a missão de propiciar o
primeiro contato do estudante com os clássicos.
Mas a leitura escolar
compulsória, muitas vezes com base em listas de obras exigidas
por vestibulares, pode contribuir para afastá-lo, em vez de aproximá-lo,
além de reduzir o espectro de obras a conhecer. "Se a escola
se pretende formadora de seres criativos, precisa dar a ler, contar por
que é bom, mostrar quem leu, oferecer possibilidades e instigar
comparações, o que depende de professores familiarizados
com o processo, experimentados nesse exercício, com repertório
farto não só de leituras canônicas, mas sobretudo
de escolhas pessoais que engendram habilidades como o destemor da entrega
a novos títulos e a escolhas distintas das que se tem por hábito
supor evidentes", observa Luciana. O que os exames vestibulares determinam,
segundo ela, é só "um pedacinho de um pedaço
daquilo que a escola pode passar anos fazendo".
Há alguns anos,
ela recomendou a alunos da terceira série do ensino médio
a leitura, durante as férias de julho, de Brás, Bexiga e
Barra Funda, de Antonio de Alcântara Machado (1901-1935), e Memorial
do Convento, de José Saramago.
"Achei que eles
iam curtir o primeiro, rolar de rir etc., pois eram todos descendentes
de italianos, e eu me preparei loucamente para o segundo, imaginando as
mais diversas alegações para o abandono da leitura ou o
repúdio a um livro com tantas dificuldades sintáticas e
estéticas, além da sofisticação do conteúdo",
lembra. Surpresa: os alunos voltaram das férias "com uma paixão
incrível pelo Memorial, quando Saramago nem estava na crista da
onda, e cheios de má vontade com Alcântara, que acharam,
a princípio, bobinho, fragmentado".
Luciana sustenta que
"temos de oferecer de tudo". As "confrarias de leitores",
segundo ela, só podem existir porque "a leitura de Longe é
um Lugar que não Existe, de Richard Bach, não impede a descida
aos infernos de Dante".
A professora Andréa
Saad Hossne, autora de Bovarismo e Romance (Ateliê, 304 págs.,
R$ 25) e docente do departamento de teoria literária e literatura
comparada no curso de letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da Universidade de São Paulo, tem opinião semelhante.
"A importância de se ler os clássicos é a mesma
de se ler, eventualmente, títulos das listas dos mais vendidos:
experimentar o fenômeno literário na sua maior abrangência
possível, comparar, observar, formular o próprio juízo
crítico, inclusive para ter condições de diferenciar
o que corresponde puramente a um gosto pessoal, momentâneo, sujeito
a ingerências que se distanciam da experiência estética,
até a percepção do fascínio próprio
de uma experiência estética que pode passar longe da preferência
puramente pessoal, ditada pelo momento, pelo estado de espírito,
ou seja lá o que for", diz.
Para a escola, Andréa
recomenda ecletismo. "Se pudéssemos trabalhar com os nossos
alunos tanto aquele romance infanto-juvenil que eles descobriram sozinhos,
aquela história de Agatha Christie (1890-1976) que os fez ter vontade
de ler ou o conto de Luís Fernando Veríssimo que viram adaptado
para a TV, quanto Graciliano Ramos (1892-1953), estaríamos promovendo
uma formação e não uma adesão a algo pronto",
acredita. Um equívoco básico que permeia o ensino da literatura
em geral, segundo ela, é justamente o de "confundir a descoberta
da leitura e de seu valor formativo, humano e estético, com a formação
do critério de valor estético propriamente dito."
ma formação
do gosto literário e do senso crítico que desconsidere as
várias etapas da vida e as diferenças individuais só
pode gerar mesmo problema, seja em que instância for", analisa.
"É preciso bom senso e não me parece bom senso dar
José de Alencar para uma criança de 11 anos, como foi feito
comigo e com toda a minha geração no fim dos anos 70. Mas
daí a não se ler José de Alencar (1829-1877) nunca,
de jeito nenhum, vai uma distância quase incalculável. Advogo
o direito às pequenas indigestões, que advêm da curiosidade
natural, da descoberta, da busca. Isso sim. Agora, aplicar um cardápio
pronto sem considerar as especificidades etárias, no mínimo,
é estupidez."
O jornalista Adriano
Schwartz, editor do caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, também
defende que, em relação a crianças e adolescentes,
a preocupação deva ser a de que "a leitura aconteça,
seja lá do que for, pois a tendência é que se vá,
paulatinamente, se especializando, aprimorando seus critérios".
Além disso, ele acredita que existem "textos de Joseph Conrad
(1857-1924), Herman Melville (1819-1891), Edgar Allan Poe (1809-1849),
Machado de Assis (1839-1908), Franz Kafka (1883-1924) e Borges, por exemplo,
dos quais seria muito difícil que alguém com um mínimo
de boa vontade desgoste e, como esses, outros tantos". Caberia ao
educador, na avaliação de Schwartz, "limpar terreno,
destruir bloqueios bobos e medos infundados, em suma, dar uma mãozinha
para que o gosto do leitor se estabeleça com mais facilidade".
No ano passado, Andréa
Hossne participou da organização de um curso extracurricular,
oferecido pelo seu departamento na USP, que "procurava resgatar em
nossos alunos, a maioria professores do ensino médio, essa experiência
de leitura, tão rica e decisiva, da ficção que está
à margem do currículo escolar".
"Surgiram, dos
escombros de uma educação que tirou do ensino da literatura
seu papel formativo, leitores argutos e confusos. Não sabemos como
esse resgate vai operar na prática de ensino desse professor. Esperamos
que seja algo positivo, que tanto reintegre a experiência da leitura
espontânea, como motive para o conhecimento do imenso patrimônio
das obras literárias já produzidas pela humanidade, algumas
delas insistentemente acesas, e os leve, quem sabe, a perguntar por que
algumas ficam acesas e outras se apagam como tênues chamas como
o passar do tempo."
A imagem tem a ver
com sua definição de clássico, "movediça
como a literatura em si mesma". "Acredito que as obras clássicas
sejam lâmpadas acesas, às vezes com maior ou menor vigor,
mas o que faz com que sua circunferência se alastre pode ser das
mais diversas ordens. Entretanto, a lâmpada permanece, até
mesmo para ser violentamente atacada ou escondida."
Aprendizado e prazer
são as palavras-chave desse fenômeno, na opinião de
Pedro Paulo de Sena Madureira, editor da Editora Siciliano, vice-presidente
da Associação Brasil 500 Anos e conselheiro da Fundação
Bienal.
"Clássico
é aquele que se relê permanentemente, e não só
aprendemos mais a cada leitura, como também temos mais prazer.
É uma descoberta. Quanto mais ela for estimulada de forma aberta
e democrática, melhor. É preciso oferecer coisas objetivas
para que as pessoas façam as suas descobertas. Uma coisa é
ler Padre Antonio Vieira (1608-1697) obrigado, e outra porque se acredita
que será enriquecedor. Mas esse é um problema em todos os
países. Madame Bovary, de Gustave Flaubert (1821-1880), lido por
jovens franceses, também é difícil. Eles lêem
para passar de ano."
De volta então
a Ítalo Calvino, que cita um trecho do escritor Emile Cioran (1911-1995)
para encerrar o seu ensaio sobre os clássicos: "Enquanto era
preparada a cicuta, Sócrates estava aprendendo uma ária
com a flauta. 'Para que lhe servirá?', perguntaram-lhe. 'Para aprender
esta ária antes de morrer'."