"Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!"
Castro Alves
"A leitura é
uma conversa com os homens mais ilustres dos séculos passados",
escreveu o ilustre filósofo René Descartes, um leitor voraz
que nos deixou livros seculares, como O Discurso do Método. Seu
pensamento pode ser completado nas palavras de Marcel Proust, que legou
ao gênero humano os sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido: "Todo
leitor, quando lê, é leitor de si mesmo."
A literatura, portanto,
é uma conversa íntima e uma palestra para multidões.
Além de sabedoria, todos conhecemos (mesmo os que não lêem)
quanto há de torpor e êxtase nas linhas de um poema exuberante
ou de um romance estarrecedor. Não por acaso, o escritor argentino
Julio Cortázar assim definiu o ato de escrever: "Esse jogo
à beira da sacada, esse fósforo ao lado da garrafa de gasolina,
esse revólver carregado na mesa iluminada."
É preciso muita
beleza e coragem para escrever um livro que desafiará a própria
morte do autor. Milhares de escritores lançaram-se nessa aventura
solitária em busca do universal. Poucos, bem poucos, vencem a luta
contra o tempo e se mantêm vivos na estante da humanidade. Suas
obras continuam sendo traduzidas, impressas e lidas como orações
ecumênicas em louvor ao que temos de efêmero e perene.
Por mais decadente
que nos pareça o mundo, há sempre versos e personagens -
deixados de herança por artistas imemoriais - capazes de nos irmanar
na perplexidade ou nos unir numa utopia. Goethe, que só escreveu
livros eternos, alertou: "O declínio da literatura indica
o declínio de uma nação". Pobre é o povo
que não lê.