Num dos
dias em que os honrados senadores Arruda e ACM foram depor na Comissão
de Ética do Senado, algumas pessoas conversavam. Primeiro falaram
deles durante algum tempo, com o carinho que se costuma dedicar aos políticos.
Não esqueceram,
é claro, a jaderbarbalhal figura e outros de história parecida.
É horrível dizer, mas a mãe deles não foi
esquecida. Depois, a propósito do currículo de tais pessoas,
passaram a falar sobre a conveniência, ou não, de utilizar
a expressão latina curriculum vitae (curso da vida) e seu plural,
curricula vitae, assim, cruamente, como Nero a exigia antes de espetar
as vítimas.
Curriculum vitae,
sabemos todos, é expressão que se incorporou à linguagem
comercial e acadêmica para definir o conjunto de informações
e habilitações referentes a alguém, estudante ou
candidato a uma vaga.
Ocorre que a expressão
foi absorvida, aportuguesada e reduzida currículo/currículos
-, por isso poderá parecer pedante utilizar a forma latina, principalmente
no plural, que soa mais estranho depois que os romanos foram derrotados
pelos bárbaros e que a missa passou a ser falada em português.
(Currículo, sabemos todos, também significa parte de um
curso literário e conjunto de matérias constantes de um
curso.)
Considerando o sentido
da palavra, será exato e justo falar em currículo ou curriculum
vitae na referência aos nossos pais-da-pátria ilustres?
Os jornais, que registram as peripécias dos nossos queridos defensores
em Brasília e adjacências, publicam também anúncios
de ofertas de emprego. Neles, costuma-se usar, em vez de curriculum vitae,
as iniciais c.v.: "mandar c.v.", "trazer c.v.". Pela
natureza do pessoal que circula nas esferas do poder (não podemos
esquecer o Naya, o Estêvão e vários outros), parece
mais justo, ao referir-se a eles, falar não em c.v. e sim em f.c:
folha corrida. Só para ser mais exatos. Que tal?
O pôr-do-sol
e o plural - Por que o plural de pôr-de-sol é "pores-de-sol"?,
pergunta o leitor Arnaldo Gomes Ferreira, de São Paulo (SP). Por
que não? É claro que, nesse casos, o verbo "pôr"
se substantiva e flexiona-se como bom substantivo. Há uma regra
que define o plural de nomes compostos unidos pela preposição
"de": só o primeiro elemento vai para o plural: chefes-de-seção,
corações-de-leão, deputados-de-araque, juízes-do-mato
sem cachorro, pães-de-ló, senadores-de-fancaria etc.
A esse grupo de nomes
junta-se outro, de natureza semelhante, embora sem preposição.
Neles, como nos do grupo acima, em que o primeiro elemento é o
núcleo, e o segundo, o modificador, também só o primeiro
vai para o plural: canetas-tinteiro, cavalos-vapor, deputados-sarna, horas-aula,
juízes-ebola, livros-texto, relógios-pulseira, senadores-praga
etc.
O plural dos compostos
é quase tão complicado e obscuro quanto os motivos do apoio
e desapoio de deputados e senadores ao Executivo. Por isso, em caso de
dúvida, o melhor é examinar o dicionário e conformar-se,
porque a ortografia não foi feita para afligir ninguém,
já disse o poeta. Qualquer poeta.