Como diz o geógrafo
Demétrio Magnoli nas páginas desta revista, os números
do IBGE são excelente material a ser trabalhado em sala de aula.
Não só o Censo - cujos dados preliminares de 2000 delineiam
um país em profunda fase de transformação - como
também a Síntese de Indicadores Sociais (apresentado em
abril último), que reúne dados de pesquisas feitas entre
1992 e 1999. Se o professor apostar na inteligência de seus alunos,
essas informações poderão ajudar a desbravar e entender
um Brasil repleto de contradições.
As estatísticas
mostram, por exemplo, que a violência aumentou de 63% para 68% como
principal motivo de morte de jovens entre 15 e 19 anos. Por outro lado,
a expectativa de vida subiu 2,1 anos, o número de domicílios
com saneamento cresceu 18,1%, a renda média mensal aumentou 29,8%
e a mortalidade infantil caiu 22,1%.
Na educação,
as pesquisas também apresentam contradições. O país
tinha, há dez anos, 83,8% de crianças entre 7 e 14 anos
freqüentando o ensino fundamental. A perspectiva é de que
o censo definitivo de 2000 aponte um porcentual superior a 96%. O ensino
médio acusa uma taxa de crescimento anual de 11,5%, que representa
a inclusão de 4 milhões de alunos desde 1991. No entanto,
o Brasil tem apenas 7,9% da população de 18 a 24 anos no
ensino superior e a evasão escolar atingiu 6,5 milhões de
estudantes - o que, rigorosamente, anula o que se ganhou com a expansão
de matrículas. E a taxa de escolarização do ensino
médio no país só é melhor que a do Paraguai
na América Latina.
Por trás de
todos esses números, alguns otimistas, permanece o maior dos desafios
deste país: a concentração de renda. Sem nenhuma
proposta para resolvê-la, o governo tem de assumir a derrota de
permitir que os 50% dos mais pobres da população fiquem
com apenas 14% da renda nacional, enquanto o 1% mais rico detenha 13%
da riqueza do país. São números - que precisam de
palavras para ser entendidos. Não valem uma conversa?
P.S.: Em seu quarto
aniversário, o maior presente que a revista Educação
pode receber é continuar a merecer a fidelidade e inteligência
de seus leitores. Obrigado.