Nesta edição
comemorativa de seis anos de existência, Educação
dá um destaque especial para a aventura do conhecimento de crianças
com deficiência visual, obrigadas a enfrentar - e superar - a escassez
de luz. Além da qualidade da reportagem somada ao magnífico
ensaio fotográfico de Mila Petrillo, buscou-se um tema capaz de
expressar simbolicamente a própria visão da revista, justamente
onde se encontra sua luz. Educar é, em essência, ensinar
o encanto da possibilidade.
Quanto maiores os
obstáculos de aprendizagem, maior o tamanho da aventura entre mestre
e aluno, transformados, ambos, em aprendizes. O principal papel de um
veículo voltado à educação é estar
tão preocupado em informar quanto formar, objetivos indissociáveis.
Daí que devemos buscar trazer casos de quem inventa, reinventa
e repensa os meios de disseminar conhecimento, para ampliar o instrumental
dos professores dentro e fora de sala de aula.
Se viver é
a maior escola, a vida é a grande sala de aula, na qual se aprende
(ou se deixa de aprender) a qualquer momento, em qualquer lugar e, muitas
vezes, com qualquer pessoa. Essa lição simbólica
se encontra, também, nos pés e, principalmente, no coração
da arte-educadora Dora Andrade. No Ceará, ela mostrou como crianças
pobres conseguem se superar usando os movimentos de seus corpos.
Nada
mais adequado, portanto, que se publicasse nesta edição
material inédito sobre Paulo Freire que, ao reinventar processos
de alfabetização, ajudou muita gente a enxergar.
Gilberto
Dimenstein
Presidente do Conselho Pedagógico da revista Educação.