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Nada se cria, nada se perde... Sandra Seabra Reciclagem de lixo é instrumento pedagógico fundamental para consciência ecológica de alunos, pais e professores Leia
mais Todos têm ou conhecem uma avó ou tia que guarda até saquinhos de pão, porque afinal, "nunca se sabe quando se vai precisar deles". Esse hábito, para muitos, sinal de avareza, é um exemplo, talvez involuntário, de consciência ecológica. Usar sacos plásticos de supermercado na lixeira, reaproveitar papel de presente, economizar copinhos de café, tirar xerocópias no verso do sulfite usado: esses pequenos gestos cotidianos tomam uma dimensão superlativa quando vistos sob a ótica da preservação ambiental. Ainda mais em um país como o Brasil, pródigo no desperdício de alimentos e recursos naturais. Por ano, os brasileiros produzem 90 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos ou 130 mil toneladas por dia. Só na cidade de São Paulo, são 14 mil toneladas diárias. Somam-se a esses números 45 mil crianças brasileiras que crescem entorno de lixões, de acordo com levantamento feito pelo Unicef, em 1999. Antigamente, nos restaurantes e lanchonetes, pratos de vidros e talheres comuns eram utilizados sem que ninguém desconfiasse da higiene. Vieram copos, pratos, talheres e garrafas descartáveis. E as embalagens, embora cada vez mais sofisticadas, perderam o status de raridade e representam um terço do lixo brasileiro. Até eletrodomésticos, com uma leveza que parecia traduzir a tecnologia, acabaram desmascarados e reconhecidos como descartáveis. Nada dura muito e tudo vai para o lixo. E o lixo, para onde vai? Para a educadora ambiental Patrícia Blauth, o problema dos projetos educacionais que tratam de reciclagem de lixo é que a maioria das abordagens praticamente começa e termina tentando responder tecnicamente à essa pergunta. Não que o destino que se dê às toneladas de lixo não seja informação primordial em qualquer processo de aprendizagem sobre coleta seletiva e reciclagem. Mas o foco deveria ser no ponto em que tudo começa: por que produzimos tanto lixo? Patrícia foi consultora pelo Instituto Pólis em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), no programa Lixo e Cidadania, coordenado pelo Unicef, do final de 1998 ao início de 2000, e atualmente ministra cursos sobre lixo para professores da rede municipal daquela cidade. Para ela, entre os "3 Rs" - reduzir, reutilizar e reciclar - preconizados pelos programas pedagógicos, o primeiro deles, "reduzir", é o menos trabalhado, "porque mexe em uma questão muito pessoal, que é a reavaliação de valores internos associados ao consumo". A ecóloga Mônica Mastroiani, também responsável por ministrar palestras a professores, concorda: "As pessoas devem parar para pensar e mudar hábitos. Se um projeto de educação ambiental ou coleta seletiva não alcançar esse objetivo, será um 'oba-oba' ambiental e não educação." Transversal por excelência, segundo as educadoras, o assunto lixo não é desafiador quanto à inclusão teórica na pauta dos professores e nos parâmetros curriculares. Já com a coleta seletiva, a experiência tem mostrado que o trabalho de um professor e de meia dúzia de alunos, ou a simples colocação no pátio de lixeiras com as cores universais da reciclagem - vermelho para o plástico, amarelo para o metal, verde para o vidro, azul para o papel e cinza para o não-reciclável - podem ser o começo, mas não bastam. Quando o volume de informação for grande, mas o aprendizado não caminhar para a prática, o lixo e as lixeiras coloridas mal utilizadas poderão transformar-se para os alunos em símbolos da impotência de cada cidadão diante de desafios tão sérios quanto o destino do planeta. Na maioria dos atuais programas de educação ambiental nas escolas, incluindo-se aí a questão do lixo e da coleta seletiva, "privilegia-se muito mais os processos cognitivos do que os afetivos", explica Patrícia, trazendo a primeira pista para uma intrincada charada, que faz qualquer professor esmorecer: como estimular o comprometimento dos alunos com a necessidade de diminuir o lixo? Certamente não será com longos textos ou apenas pesquisas na internet. A pré-escola Ânima, em Moema, na capital paulista, optou por iniciar a coleta seletiva com a consultoria da ONG Recicle Milhões de Vidas e tem acompanhamento de Mônica. Além de trazer dados e números que ajudam a sensibilizar, uma educadora ambiental organiza as etapas do projeto. A primeira delas propõe o comprometimento dos próprios professores, por meio de treinamento. As mudanças começam na sala dos professores: "Abolimos os copinhos descartáveis e agora usamos canecas para o café e chá", fala Sônia Salgado Pavan, diretora da escola. Cada sala da administração da escola recebeu coletores de papel e plástico, mas o difícil foi aprender a rasgar papéis ao invés de amassá-los (para diminuir o volume e, conseqüentemente, facilitar o armazenamento e transporte). Participação - "Quanto mais próximo o coletor estiver ou quanto mais cômoda for a maneira de se descartar os materiais, maior é o índice de participação", fala Ana Maria Domingues Luz, mestre em Ciência Ambiental que fundou, em parceria com a engenheira química Araci Muzolino Montineri, o Instituto Gea, que também presta consultoria ambiental para empresas e escolas. A recomendação também vale para as salas de aula que, na Ânima, receberam pequenos coletores de papel e plástico, além de outras unidades no pátio. Com apenas 80 alunos e 12 funcionários, envolver toda a equipe não foi difícil. As crianças responderam prontamente à proposta, inclusive limpando embalagens após o lanche e dando o destino certo a elas nos coletores. Por meio desse processo, crianças de dois anos e meio aprenderam cores e as de cinco anos, no processo inicial da escrita, puderam trabalhar na classificação e nomeação dos materiais. Para estimular as crianças de quatro anos, foram mostrados os símbolos da reciclagem, para que formulassem hipóteses sobre do que se tratavam. "Aos poucos, passaram a reconhecê-los nas embalagens e acabaram descobrindo o símbolo debaixo de um brinquedo grande do playground", conta Sônia. A partir daí, não foi difícil contar-lhes sobre a origem do papel ou do plástico e sua relação com o desmatamento ou o esgotamento dos recursos naturais. Para diminuir o consumo de descartáveis, todo o início de aula, as crianças marcam seus nomes em copinhos que serão utilizados durante todo aquele dia. Entretanto, Patrícia Blauth lembra que bebedouros de pressão com manutenção adequada dispensam o uso dos descartáveis e que "quando o processo de aprendizagem é envolvente, até uma criança carrega consigo seu copo ou caneca em qualquer lugar que ela vá". Afinal, o copo descartável "vem de uma matéria-prima que precisou de milênios para se formar, é usado em 15 segundos e vai para um aterro, onde ficará depositado eternamente". Em geral, os alunos, principalmente os menores, aprendem rápido que, para armazenar, os materiais devem estar limpos, ou corre-se o risco de atrair baratas e outros bichos. Mas os pais nem sempre entendem e, se mandam de casa material reciclável, ele chega sujo na escola. Pode sensibilizá-los uma palestra com dados que mostrem as conseqüências da ineficiência das administrações públicas na gestão do lixo, portanto esclarecendo a responsabilidade dos munícipes, dicas práticas do que pode e não pode ser reciclado, bem como a necessidade de limpar o material. Quando pais e a comunidade à qual pertence a escola tomarem consciência e começarem a mobilizar-se, um dos objetivos do projeto de coleta seletiva na escola terá sido alcançado. Encaminhar resíduos sólidos para a reciclagem tira um tanto do rentável quinhão que hoje é legado a grandes empresas coletoras - que recebem por toneladas coletadas -, muitas delas, infelizmente, envolvidas em escândalos de corrupção com as administrações públicas, como no caso da capital paulista. Ou atuando ilegalmente, criando os lixões, para não ter o custo do depósito nos aterros, sem que as prefeituras tenham meios de fiscalizar. Os aterros sanitários, por sua vez, são empreendimentos caros e, portanto, inviáveis em muitas regiões. Neles, os próprios sacos plásticos fechados, além de ocuparem espaço, atrapalham o trabalho das bactérias. "Até uma alface pode ser encontrada intacta e uma folha de papel pode permanecer por uns dez anos sem se decompor", conta Patrícia. "Sem falar nas pilhas e lâmpadas de mercúrio, solventes e demais resíduos tóxicos, que podem contaminar tudo." A comunidade do Jardim Maristela, em São Paulo, tem correspondido ao projeto de coleta seletiva da Escola Municipal de Ensino Fundamental Joaquim Nabuco. Alunos de todos os horários, inclusive os adultos do curso supletivo noturno e os moradores da região, trazem de casa os materiais recicláveis. "A coleta foi incluída em nosso programa de Cidadania e Qualidade de Vida, iniciado em 2000, principalmente em função de um córrego próximo à escola que vivia inundando com as chuvas, devido ao lixo - garrafas pet e latinhas de refrigerante - que era jogado ali", conta a coordenadora pedagógica Débora Regina Rodrigues Neves, que dá andamento ao projeto iniciado em 1999. Professores participaram do Projeto Vida, um programa municipal de capacitação. A coordenadora Magna Marta e a professora de Ciências Eliana Camargo deram início ao processo quando prepararam alunos do segundo ano do Ciclo I, explicando a importância da coleta seletiva. As crianças passaram diariamente a recolher o material trazido de casa. Como o material nunca vinha limpo, as crianças receberam avental e luvas. Para este ano, a escola deu mais um passo: realizou um plebiscito para comprometer a comunidade escolar. "Foram os alunos do terceiro ano que passaram de sala em sala fazendo campanha a favor da coleta. Urnas confeccionadas pelas próprias crianças foram colocadas em pontos estratégicos da escola. Foi constatado um número grande de aceitação e optamos por levar adiante o projeto", conta a coordenadora. A prefeitura cedeu latões que foram pintados pelos alunos para receber os materiais. A etapa seguinte, uma das mais difíceis, foi conseguir escoar todo esse material. No caso da Joaquim Nabuco, um catador da própria comunidade recolhe o papel. Garrafas pet e latinhas são entregues à empresa Latasa em troca de benefícios à escola, como ventiladores e videocassetes (leia mais na pág. 52). Outra quantidade de garrafas pet vai para a oficina da escola, assim como jornais, para a confecção de brinquedos, um recurso pedagógico largamente utilizado para que as crianças entendam o segundo "R", a reutilização. Com cerca de 450 alunos por período, a escola tem os intervalos escalonados: "São de 120 a 150 alunos no pátio, a cada intervalo, e tem dado certo: cada material vai para o seu devido latão", comemora Débora. Uma vez iniciada a coleta, para continuá-la o trabalho tem de ser constante: "Todos os dias, professores das várias disciplinas têm de lembrar os alunos", ensina a coordenadora. Na Joaquim Nabuco, várias estratégias convergem para que o projeto caminhe. "Nossa meta principal é a conscientização da importância da coleta seletiva para a qualidade de vida da nossa comunidade", afirma Débora. Entretanto, em escolas em que essas estratégias são isoladas o resultado pode ser devastador. A advertência é das educadoras ambientais: "Projetos em que latinhas são trocadas por benefícios para a escola, se mal trabalhados, podem provocar um aumento de consumo. As gincanas, ou mesmo premiações, podem mobilizar os alunos, mas também estimular a que consumam mais refrigerante para ter as latinhas e levá-las à escola", explica Mônica. E, pior, "participam para ter o benefício para a escola, mas não ganham consciência", alerta Patrícia. Consumo excessivo - Para toda coleta seletiva considerada bem-sucedida, principalmente em função do grande volume de material recolhido, deve ser feita a pergunta: será que as pessoas não estão consumindo demais? Quem está envolvido com entusiasmo pode cair em armadilhas: "Um exemplo que sempre falo é o de um cartaz educativo elaborado por uma ONG, para coleta de plástico em escolas. São usados os dizeres 'use', 'abuse', 'enxágüe' e 'amasse'. O problema é o 'abuse', que obviamente estimula o consumo", esclarece Patrícia. Não se pode perder de vista, ainda, que embalagens como latinhas e garrafas pet foram impostas aos consumidores, "inclusive com propagandas bem realizadas, transformando o usuário de vasilhame de vidro em um cara ultrapassado", lembra Patrícia. "O oposto do que ocorre em alguns países europeus, onde a garrafa retornável é valorizada." "Reciclagem é um processo industrial e custa caro, já reutilizar um vasilhame de vidro é mais barato e economiza energia", lembra a educadora. "Além disso, muita gente que vive nas grandes metrópoles pensa que o que acontece ali acontece nos resto do país, e não é verdade. O vasilhame de vidro faz parte da cultura do Brasil e no interior dos Estados ainda é muito usado." No Colégio Bialik, na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, a questão do destino do lixo urbano foi escancarada diante dos alunos em meio a uma outra atividade. Dentro do projeto Ética e Cidadania, três equipes do primeiro ano deslocaram-se à favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade. Uma delas, ligada à saúde, tinha a missão de mapear os focos de lixo. A turma deste ano sabia, por meio dos alunos que fizeram a atividade no ano anterior, que havia por lá um campo de futebol, praticamente o único lazer da criançada. Ao chegarem, o que os jovens encontraram foi muito lixo e entulho depositado ali. O professor José Modesto, um dos coordenadores do trabalho, conta que, por acaso, os alunos flagraram um caminhão jogando o entulho no campinho. "Eles seguiram o caminhão e tiraram fotos." Ao detectarem a arbitrariedade e os malefícios do lixo a céu aberto para a comunidade de Paraisópolis, os alunos ficaram preocupados. Para o segundo semestre, os alunos deverão acompanhar o trabalho de vereadores da cidade e pretendem incluir a ação ilegal dessas empresas na pauta do dia dos políticos. Outra turma de alunos realizou o diagnóstico do lixo produzido na escola, trabalho que apontou o consumo exagerado de papel, o segundo maior custo da escola. "Os alunos decidiram que essa questão dentro da escola é a prioridade daqui para frente. A idéia agora é fazer levantamentos, saber de onde vem o desperdício, criar maneiras para diminuir o consumo", conta o professor. Em outra atividade do projeto, que trabalha a questão da exclusão social, alunos fizeram um levantamento e descobriram que parte dos funcionários da escola - faxineiros, copeiros - era semi-analfabeta. "Os alunos fizeram, então, um acordo com a escola. O dinheiro que for economizado com a diminuição do uso do papel será revertido para cursos voltados a esses funcionários." Segundo Patrícia, que realizou palestra no Bialik, o diagnóstico do lixo é uma atividade importante. "Por exemplo, se há muita comida no lixo da escola. Será que as crianças não dão valor a ela ou a comida que é muito ruim?" E por aí vai. Quantificar é a melhor maneira de tornar o desperdício visível. Ainda no Bialik, a confluência dos estudos sobre materiais recicláveis e exclusão social trouxe uma outra idéia. Uma visita à cooperativa de catadores Coopamare fez a luzinha acender: "Lá, catadores organizaram-se e hoje são coletores, com salários que vão de R$ 250 a R$ 1.500. É um exemplo incrível de inclusão social", fala o professor. A proposta dos alunos é abordar um homem de rua, propor-lhe o trabalho na cooperativa, oferecendo o carrinho de coleta, e acompanhar sua inserção nesse mercado de trabalho. A Escola Comunitária Nova Escola, em Valinhos, interior de São Paulo, mantém um projeto permanente de coleta seletiva. "Ainda estamos em processo de conscientização", conta Daniela Tullio Bellenzani Valbert, educadora ambiental e professora de Ciências e Biologia, que também atua na Sociedade Cultural, Científica Ambiental Trilha Verde. Especialista em assuntos de reciclagem, além de dar aulas ela trabalha na Nova Escola na capacitação de outros professores na questão do lixo. Coleta seletiva - Em abril deste ano, Daniela coordenou o evento anual da escola, chamado Jornacev, que teve o lixo e a reciclagem como temas. "Tratamos do problema do armazenamento do lixo produzido durante o lanche, porque os alunos, principalmente adolescentes, não estavam respondendo à coleta seletiva", conta a professora. Alunos da quarta série fizeram o levantamento do lixo da escola, documentaram com fotografias os materiais que estavam sendo colocados em tambores errados e trabalharam na conscientização dos alunos maiores. "Crianças aderem mais à proposta do que os adolescentes. A gente viu aluno de quarta série questionando os mais velhos. O interessante desse processo é que um aluno sensibiliza o outro e não fica uma coisa imposta pelos professores", observa Daniela. Eventos e pesquisas in loco também são ferramentas interessantes para sensibilizar os alunos. Um dos passeios promovidos pela Nova Escola é à Fazenda Santo Antônio da Cachoeira, que fica às margens do Rio Atibaia. Ali, desenvolve-se o projeto da ONG Trilha Verde. "Nós iniciamos o passeio de três horas com uma caminhada na mata para verificar como é a reciclagem no ambiente natural. A natureza não descarta nada, o conceito de lixo não existe; tudo é reciclado naturalmente. Ainda nessa primeira etapa do passeio, aproveitando que a trilha margeia o riacho afluente do Rio Atibaia, os alunos ficam sabendo da necessidade de preservação das matas ciliares." Na segunda etapa do passeio, cada grupo de dez alunos recebe um saco preto. "Eles não sabem o que tem dentro e o que fazemos é criar expectativa, até para trabalhar um pouco com o preconceito contra o lixo. Perguntamos se eles trouxeram luvas, tiramos um sarro, e tem criança que até começa a mexer com a mão por trás da camiseta, para não se contaminar." O que os alunos encontram são materiais que estão presentes no dia-a-dia, como embalagem longa vida, papel e lata de alumínio. Para simbolizar matérias orgânicas, são colocadas frutas de cera ou a escrita em papéis de materiais não-recicláveis, como "papel com gordura", por exemplo. "Primeiro os alunos separam o lixo como acreditam que seja o certo e, a partir daí, discutimos o que é ou não reciclável. Discutimos, ainda, a relação entre a extração de recursos naturais e a fabricação dos produtos, como a bauxita, necessária na fabricação do alumínio." Ao separarem o lixo, os alunos percebem que sobra pouco e o restante vai para lixões ou aterros: "Falamos do conceito do aterro - há uma maquete na fazenda - e a preocupação em relação à contaminação da água subterrânea e do ar." Na última etapa, a atividade lida com matéria orgânica e compostagem. "Nós temos o sistema de compostagem em caixas de um metro quadrado. Os alunos aprendem o processo, preparando as camadas, na primeira caixa. Na segunda caixa, observam a decomposição. E o composto orgânico da terceira caixa, que levou uns três meses para ficar pronto, é utilizado por cada grupo de dez alunos para o plantio de uma muda na mata ciliar." Preconceito - A composteira é um dos orgulhos da Creche Oeste, da USP, desde 1994. "Da primeira vez que pensamos em fazer uma composteira, um biólogo da própria USP nos desaconselhou, porque poderia atrair insetos e bichos", lembra Marie Claire Sekkel, diretora da creche. "Puro preconceito", garante Patrícia Blauth, que monitorou a implantação da composteira, dentro do programa USP Recicla, até a obtenção do primeiro composto orgânico. A equipe - além de Claire, a pedagoga Rosemara Gozzi e a psicóloga Maria Cláudia Lopes da Silva - conseguiu assim reduzir para 10% o lixo orgânico que era produzido com o preparo das refeições para cerca de 100 alunos, crianças de até 6 anos, filhos de professores, alunos e funcionários da USP. "Dentro da composteira, a temperatura chega a 60, 70 graus; é muito quente e não há como atrair bichos que comprometam a saúde", fala a diretora. No início,
os 40 funcionários da creche tomaram contato com a atividade. E,
desde a implantação até hoje, as crianças
participam, levando os resíduos orgânicos para o local. "As
crianças percebem com o tempo que as bactérias que estão
ali pertencem àquele universo e não querem estar no nosso
corpo, causando doenças", conta Patrícia. Quando o
composto fica pronto, é peneirado para que caroços de frutas
grandes ou mesmo minhocas e tatus-bola voltem para a composteira. "Os
alunos ficam conhecendo os bichinhos e como eles colaboram no processo.
E em momento algum o cheiro é ruim. As minhocas migram, a população
de pássaros aumenta e tudo faz parte de um processo em equilíbrio",
detalha a diretora. O composto orgânico da Creche Oeste - "de
excelente qualidade", garante Patrícia - está à
venda na própria creche, em saquinhos que custam R$ 1. Instituto GEA Recicle Milhões
de Vidas Menos Lixo Sociedade Cultural,
Científica e Ecológica Trilha Verde Coordenadoria de
Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente Água e Vida
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