Programa
Aprendiz Comgás dá salto qualitativo após reformulação
metodológica
Quando o Programa
Aprendiz Comgás foi lançado, em novembro de 2000, a maior
preocupação dos educadores envolvidos era desenvolver um
modelo inédito de ensino, capaz de qualificar estudantes para desenvolver
projetos sociais em suas escolas e comunidades. Criado a partir de uma
parceria da ONG Cidade Escola Aprendiz com a Companhia de Gás de
São Paulo (Comgás), a idéia principal era, por meio
da escola, transformar o desejo de jovens em potenciais projetos de intervenção
social na cidade.
Durante seus dois
anos de implementação, o programa capacitou 516 jovens para
a elaboração de mais de 60 projetos. Com foco nos temas
saúde, meio ambiente e comunicação, os aprendizes
participaram de atividades que englobam educação e trabalho.
Os resultados concretos,
que provam a qualidade das propostas do programa, aparecem nas escolas
e em outros espaços comunitários por onde os aprendizes
passaram: oficinas de cultura e lazer, atividades de conscientização
sobre reciclagem de lixo, economia de recursos hídricos, trabalho
voluntário, conscientização da violência contra
a mulher, cidadania e juventude, melhoria da biblioteca do colégio,
recuperação de praças públicas e implantação
de programa de rádio.
No entanto, para seus
organizadores e participantes, o sucesso da empreitada está mais
ligado à reflexão constante das práticas e metodologias
durante esses dois anos do que propriamente ao número de projetos
elaborados ou jovens envolvidos. "O programa está debutando.
Saímos de uma fase de dependência devido à falta de
referências para uma etapa de sistematização da experiência
acumulada", afirma Antenor Vaz, coordenador-geral do programa.
O caminho até
a sistematização foi longo, cheio de idas e vindas. De novembro
de 2000 a setembro de 2001, o programa-piloto trabalhou com 64 jovens
e desenvolveu 17 ações sociais. Vaz explica que essa foi
a etapa de criação: "O objetivo era mostrar que o jovem
faz parte da solução."
Os resultados positivos
animaram os organizadores a aumentar o número de atendidos na segunda
turma. Composta basicamente de estudantes de ensino médio de escolas
públicas e particulares dos bairros paulistanos Brás, Mooca
e Pinheiros, a equipe do programa capacitou 99 jovens de outubro de 2001
a agosto de 2002. "A segunda turma nos deu oportunidade de redefinir
o currículo e repensar estratégias para as novas etapas",
lembra o coordenador.
Nesse sentido, o programa
foi, aos poucos, ajustando melhor a forma de trabalhar com os jovens.
Um exemplo marcante é a nova relação estabelecida
com as escolas. O objetivo de levar diretores e professores a uma prática
diferenciada que tornasse os alunos protagonistas mostrou-se insuficiente
para os objetivos do programa. "Convocávamos a escola para
criar uma atmosfera que potencializasse nossos objetivos. Mas percebemos
que não temos condição de abraçar esse mundo
todo", argumenta Ana Roth, coordenadora pedagógica do Aprendiz
Comgás. Essa função é agora atribuída
ao jovem. "É ele quem deve ser fortalecido, para promover
mudanças."
A mudança de
estratégia, segundo Ana, não eliminou os laços com
as instituições de ensino. Ao deixar de fazer parte de um
objetivo, as escolas procuraram fortalecer a parceria. "Focamos nossas
atividades. Hoje, temos mais claro que a nossa estratégia é
o jovem", acredita ela.
Outra mudança
significativa da primeira fase do programa para os dias de hoje foi o
raio de ação. Para a terceira etapa de trabalho, que se
iniciou no segundo semestre de 2002 e conta com 180 alunos, foram selecionados
jovens de diversas regiões de São Paulo, envolvidos em movimentos
sociais e instituições culturais e religiosas, que agregam
novos olhares ao programa. No entanto, devem basear suas ações
nas regiões do Brás, Mooca e Pinheiros, bairros onde estão
localizados as sedes do programa, da Companhia de Gás de São
Paulo e da Cidade Escola Aprendiz.
A nova fase quebra
também uma dinâmica que parecia dar certo, mas se tornou
incoerente quando repensada. As atividades de cada grupo antes eram supervisionadas
por apenas um monitor, que facilitava o trabalho em questão. "Era
um canal de comunicação muito eficiente e rápido.
O problema é que ele mantinha uma estrutura de educação
tradicional que a gente queria quebrar", lembra Ana.
Foi pensada então
uma estrutura tríplice de apoio aos jovens. "O educador e
outros dois assistentes inibem a prática de ensino como autoridade
absoluta", explica Ana. E será com essa realidade que os novos
aprendizes irão se defrontar nos 14 encontros a serem realizados
até o fim do ano. Dos 180, apenas 90 continuarão, em 2003,
a capacitação na implementação dos projetos.
Os selecionados receberão uma bolsa-auxílio para colocar
em prática as ações.