Professores
se aventuram em projeto vitorioso no qual todos se tornam aprendizes capazes
de ensinar e aprender na Era da Informação
A sedução
sexual conseguiu transformar, em São Paulo, alunos de uma escola de elite
em professores engajados na melhoria da educação pública. Assessorados
por especialistas, estudantes do segundo grau do Colégio Bandeirantes
preparam aulas sobre orientação sexual, municiados de pesquisas e material
didático, e reúnem-se com colegas de escolas públicas, discutindo como
prevenir doenças. Tão atrativo como o sexo, nesse intercâmbio, é o jogo
de xadrez, recomendado para desenvolver o raciocínio lógico-matemático.
Outros, porém, preferiram ensinar inglês e química. Esse trabalho voluntário
é parte de uma aventura pedagógica, batizada de Cidadão na Linha,
que, agora, começa a ser compartilhada, depois de cinco anos de existência
- que ainda deixam incógnitas a serem, no futuro, respondidas.
A experiência de professores adolescentes começou por causa da internet.
Eles ensinavam os segredos da linguagem HTML para a montagem de sites
- e, assim, cada escola pública poderia ter sua própria homepage,
criada e mantida pelos próprios alunos. Ano passado, incluíram uma creche,
além de idosos de um Lar dos Velhos, também nas imediações no Bandeirantes.
Tinham como tarefa mostrar aos idosos como navegar pela internet, fazê-los
redescobrir novas dimensões do conhecimento e driblar o crônico isolamento.
Antes mesmo de completar o segundo grau, alunos desse programa mediram
seu conhecimento nos testes de vestibular. São conhecidos como treineiros.
Dos 10 primeiros colocados entre os treineiros, na Fuvest, sete vieram
do programa Cidadão na Linha. Quando tiveram de prestar vestibular
de verdade, as turmas que passaram pela experiência entraram nas melhores
faculdades e em posições de destaque.
Até que ponto esses alunos, independentemente do programa, conseguiriam
essas posições? O que já sabemos é que dali saíram alunos mais atentos
ao próximo, com mais facilidade em associar conteúdos, capazes de fazer
a relação entre a realidade, os livros e seus interesses, sonhos e emoções.
Essas constatações provocaram em mim um tumulto que apenas recentemente
consigo avaliar. Iniciado em 1995, quando ainda morava em Nova York e
pesquisava o ensino de cidadania, o Cidadão da Linha, posso ver
hoje, foi meu projeto profissional mais fértil - dali se abriram novos
caminhos e se fecharam outros, num doloroso parto acompanhado de enterros.
Essa experiência é compartilhada no livro escrito pela socióloga Clarice
Kelbert (leia mais na página tal), responsável e principal engenheira
da iniciativa. Decidiu-se que, na entrada no ano 2000, virada do milênio,
os erros e acertos seriam sistematizados e compartilhados com educadores,
para contar a história desse projeto no qual se aprende fazendo e se faz
aprendendo - a informação ganhando significado, os alunos transformados
em autores e os professores, em aprendizes. Para escrever o livro, Clarice
se dedicou, durante 15 meses, a fazer a viagem de volta, entrevistando
ex-alunos dos programas e seus colegas professores, tentando organizar
as lições obtidas.
Pego, agora, carona nessa viagem. Naquele ano de 1995, minha carreira
já se dividia (ou se confundia) entre jornalismo e educação, quando ganhei
um laboratório com professores e alunos. Passados cinco anos, com turmas
já formadas, a experiência continua, e tornei-me apenas aluno, mero aprendiz,
transformado em cobaia do próprio laboratório, com novos, e mais importantes,
cientistas e pesquisadores.
Naquele ano, início da explosão da internet nos Estados Unidos, minha
vida já estava dividida, tumultuada e, reconheço, desorientada entre dois
olhares centrados na transmissão do conhecimento - o jornalismo e a educação.
Sentia-me fazendo tudo e, simultaneamente, nada. Trabalhava em rádio,
televisão e jornal. Produzia, ao mesmo tempo, material didático, utilizado
para a disseminação da temática de cidadania. Incomodava-me o cinismo
e ligeireza excessiva das redações, mas também a demora acadêmica, a lerdeza
professoral, a distância da realidade, os rituais dos testes.
Tinha sido irremediavelmente envolvido pelo encanto perene dos alunos
que se debruçavam em meus livros (Cidadão de papel, Meninas da noite
ou Como não ser enganado nas eleições). A perenidade do livro escolar
dava mais prazer - e sentido de responsabilidade - do que a fugacidade
das manchetes.
O jornal é ágil para retratar o cotidiano, o tempo real. Mas perde-se
na avalanche do presente, do imediato. A educação lida melhor com o perene,
o essencial. Mas tropeça para embalar a atualidade, trazendo o encanto
da realidade para a sala de aula, fazendo da escola um exercício aborrecido
do passado.
Ao experimentar as duas linguagens - que se chocam - sentia-me, às vezes,
metido numa nova tecnologia de transmissão de conhecimento, chamada de
educação pela comunicação, com potente potencial de desenvolvimento e
sedução. E, muitas vezes, perdido em trilhas que pareciam paralelas, tamanha
a dificuldade de fazer com que o professor nutra a habilidade de um comunicador
para agarrar a realidade, matéria-prima de seu trabalho, e colocá-la no
contexto escolar.
A era da informação, exigindo cada vez mais rapidez das escolas e reciclagem
da mão-de-obra, estaria forçando o surgimento de uma nova escola, um novo
professor e, portanto, de uma outra linguagem, longe da reprodução dos
fatos e conhecimentos passados? Numa época da transmissão instantânea
de formação (e de acesso instantâneo), viver fora do tempo real seria
jogar a escola fora do tempo e do real?
A questão central era, e ainda é, como utilizar melhor a interatividade
das novas tecnologias, integrar as matérias dispersas e conectá-las num
mesmo tecido, qual uma colcha de retalhos, harmonicamente desenhados.
Decidido a repensar a relação aluno/professor e fortalecer a área de humanas,
Mauro Aguiar, diretor do Bandeirantes, estimulou a experimentação do uso
de internet em sala de aula como um recurso de debate sobre a cidadania
e, mais ainda, interdisciplinar.
Fui projetado, assim, para dentro de sala de aula, ajudando a pensar com
professores e alunos as experiências. Era como se meus livros ganhassem
vida e saíssem do papel. Paixão a primeira vista.
Como morava em Nova York, mantinha, por internet, uma comunicação a distância,
mesclado com encontros periódicos. O comando do processo ficou nas mãos
da professora de sociologia Clarice Kelbert, disposta a se transformar
em aprendiz. Ela comandaria uma equipe de professores das mais variadas
matérias, convidados a dar, num ano, uma única matéria, dividida em vários
ângulos. Era uma equipe de nove professores das mais diversas matérias,
de artes a filosofia, geografia, passando por literatura, português, história,
educação física - como se compusessem um único painel, a teia do conhecimento.
Uniam-se mais do que as matérias, ligadas pela questão dos direitos de
deveres. Uniam-se tempos históricos, mostrando o que há de contemporâneo
na Grécia ou Roma antigas ou Renascimento. Ou o que existe de antigo no
trabalho infantil, na atual discriminação salarial de negros e mulheres.
Para complicar o desafio, nos propúnhamos não só melhorar o currículo,
guiado pelos princípios de inter e multidisciplinaridades, mas, especialmente,
de equipar melhor o aluno para a responsabilidade social.
Não se queria mais uma atividade extraclasse. Buscava-se derreter na grade
curricular o complexo universo da cidadania, com seus infindáveis aspectos
cotidianos: o negro, o trabalhador, o desemprego, a criança, o portador
de deficiência, a discriminação de migrantes, até a violência e a poluição.
O aluno deveria ver na sala de aula a extensão de sua vida, e a vida como
extensão da sala de aula, num processo contínuo de aprendizagem. A provocação
inicial só poderia jogar os alunos nos labirintos da violência paulista.
Fizemos do medo o material pedagógico.
Até que ponto poderíamos refazer o olhar e a prática do professor, tão
acostumado à feudalização educacional, cada qual dono de sua matéria?
E, mais ainda, ensiná-lo a manejar o desconhecido instrumento da internet
para facilitar a comunicação e obtenção de dados? Será que existe papel
mais relevante ao professor do que ser um administrador de curiosidades?
Um facilitador de interesses?
Essas dúvidas foram nutridas na ponte entre São Paulo e Nova York, onde
testemunhava, em câmara lenta, os efeitos da popularização da internet.
E onde meu prazer era o real das ruas, passear, ver, sentir, conversar.
Andar nas ruas sem medo, sem olhar para trás, ensinou-me mais sobre a
sensação de cidadania do que os livros que li (ou acho que li) ou palestras
que ouvi (ou acho que ouvi).
Coincidência que, naquele mesmo espaço que freqüentava, esteve o educador
brasileiro que iria moldar a visão de educação para a vida que o Cidadão
na Linha herdaria - Anísio Teixeira, com seu entusiasmo por John Dewey.
Justamente neste ano, Anísio completaria 100 anos, ele que tanto falou
sobre a importância de dar significado à informação, o impacto das novas
tecnologias de comunicação e o papel da comunidade como elemento chave
ao desenvolvimento da escola, na qual fazer e saber se misturariam.
Nessa ponte, foi surgindo o laboratório, logo englobando mais três escolas
públicas: Rui Bloem, Villalva Jr e Brasílio Machado, vizinhas do Bandeirantes,
no bairro de Vila Mariana.
Formado em administração, o diretor do Bandeirantes, Mauro Aguiar, sabia
que, mais cedo ou mais tarde, a relação professor-aluno seria redimensionada
pelas novas tecnologias e o mercado de trabalho transformaria a escola
de testes numa fábrica de obsoletos.
Topou a ousadia de chamar um jornalista para orientar professores - duas
categorias com tudo para se chocar. Meticulosos, os acadêmicos distanciam-se
dos jornalistas por considerá-los levianos no trato com a informação,
produtores de fast-food do conhecimento, sem a paciência do processo engendrado
na sala de aula. Os jornalistas, no geral, não têm paciência para longas
digressões, não aprenderam a valorizar o processo, procura logo o lead,
a informação que agarra o leitor, abrindo o texto. Ambos têm uma boa dose
de razão.
Para piorar, minha vida escolar foi sempre uma tragédia, desconsolo para
meus pais, aflitos com minhas notas. Minha lousa estava nas ruas, na leitura
dos jornais. Tempos depois, adulto, fui descobrir, numa psiquiatra, que
eu tinha dificuldades psicológicas que me impediam a concentração. Naqueles
tempos, os distraídos eram apenas preguiçosos.
Agora, na condição inesperada de orientador de professores, meti-me em
reuniões tensas, demoradas, via olhos desconfiados e, não raro, irritados.
Tratava-os como num ritmo de redação. E ia aprendendo, a contragosto,
o ritmo da sala de aula. Ironia é que, em meus tempos de adolescente,
diziam-me que nem passasse na porta dos Bandeirantes, jamais seria aceito.
E, se por acaso, fosse aceito, levaria "bomba". Estavam certos.
Lá estava eu, muitos anos depois, com professores que me olhavam com uma
ponta de desconfiança. A princípio, até cheguei a pensar em sabotagem,
má vontade. Não era. Era apenas o ritmo da educação, quase intolerável
para o clima de redação, próximo do "deixa que eu chuto", onde se premia
quem descobre e divulga primeiro.
Nutria mais prazer em estar com os alunos, abertos ao novo aprendizado,
do que com os professores, lentos para os meus parâmetros. Os professores
foram, aos poucos, me seduzindo no seu ritmo - e eu fui, aos poucos, mostrando
que deveríamos testar um novo parâmetro, um meio termo entre a demanda
de uma redação e de uma sala de aula.
Tínhamos, ali, uma torre de babel. Juntaram-se não apenas os professores
das matérias previsíveis - Português, Inglês, Geografia, História - mas
Educação Física, Artes, Filosofia, Sociologia, Literatura, Fotografia.
Quem guiou, de fato, o processo (e pra valer) foram os alunos, que, em
seu protagonismo, deram o caminho para onde deveríamos ir, onde estava
o caminho do aprendizado misturado ao saber. Orientado pelo encanto daqueles
alunos, fui, desde então, repetindo experiências que mesclavam educação
e comunicação - todas, hoje, documentadas, mostrando o aumento da eficiência
escolar.
Durante um ano e meio, orientei alunos do Colégio Positivo, no Paraná,
assessorado por quatro professores. Mais uma vez, os professores deram
o tom, escolheram o ritmo adequado, eles próprios se tornaram autores,
legitimamente donos. E os alunos foram o recheio, a mola propulsora, em
sua curiosidade.
A tarefa seria reescrever, integralmente, meu livro Cidadão de papel.
Deveriam destruí-lo página a página para surgir uma nova obra, em que
eles fossem os autores. Não poderia ser um livro amador, estudantil, mas
uma obra destinada a ser adotadas nas escolas públicas do Paraná.
Nesse período, eles ganharam as ruas, favelas, delegacias, hospitais,
entrevistaram colegas para avaliar a mentalidade de sua geração. Uma das
alunas chegou a se disfarçar de prostituta para fazer um levantamento
da prostituição de universitárias. O resultado foi o livro Os fantasmas
de Curitiba, no qual a cidade e seu cotidiano são o eixo de pesquisa.
Uma nova experimentação, agora ainda mais sofisticada, ocorre, neste momento,
em Santos - e, de novo, usando como pretexto o livro Cidadão de papel,
a ser destruído. Alunos do Colégio Santa Cecília reviram a cidade, com
suas peculiaridades, pelos olhos de quem investiga a exclusão, a marginalidade,
suas lógicas e conexões. São, na prática, repórteres, mas forçados ao
didatismo extremo, à tradução de cada conceito.
O livro vai saindo antes mesmo de publicado, graças a um convênio com
o principal jornal da cidade, A Tribuna de Santos, que decidiu publicar,
em formato de reportagem, as descobertas dos alunos - e exigia um texto
de qualidade profissional.
A destruição começou, mais uma vez, neste semestre. Desta vez, em Salvador,
onde a jornalista-educadora Anna Penido, dirigente da Cipó, auxilia adolescentes
de escolas públicas a montar uma peça teatral com base no Cidadão de Papel,
usando a realidade local como provocação. A peça vai ser exibida a estudantes
de escolas públicas.
Os alunos combinam aulas de canto, dança, dramaturgia e cidadania, moldando
o roteiro e a apresentação, orientados por profissionais de teatro baianos,
que montaram Cuida bem de mim, espetáculo dedicado a discutir a violência
em sala de aula.
É facilmente perceptível, como muitos professores sabem, que trabalhar
por projetos é mais animador do que o vômito de informações desconexas.
Também é perceptível que um projeto de ano e meio, aprofundado, dá um
treino em pesquisa. Óbvio também que o projeto é tão mais interessante
quanto mais estiver ligado ao imaginário do aluno, desvendando suas ansiedades
e esperanças, suas percepções, no qual ele se sinta descobrindo.
A novidade, aqui, é o poder da comunicação. Ele se sente produtor de conhecimento
e, mais importante, divulga, torna público o que descobre, o que pensa.
Compartilha. Torna-se alguém que aprende mais que ensina, seja por livro
ou internet. A mídia é parte do imaginário de qualquer um: vi a preocupação
dos alunos com a ortografia, por saberem que aquele material iria ser
lido, analisado, criticado, por seus colegas.
Do Cidadão na Linha, montado um colégio de elite, surgiu a Cidade Escola
Aprendiz - a maior de todas as suas conseqüências. Tudo começou com uma
homepage, que ajuda os estudantes a entrar na era da internet. O site
oferecia exercícios, via internet, ao livro Aprendiz do Futuro, que lancei
em 1997. A homepage virou uma redação-escola, graças à entrada de mais
jornalistas e educadores. Usávamos a internet como gancho para estimular
o aprendizado de alunos de escolas públicas - os alunos-repórteres ganhariam
espaço para exercitar texto a sério, aqui, na coluna Aprendiz da revista
Educação.
Comandado pelo jornalista-educador Fernando Rossetti, o site instalou-se
na Vila Madalena, transformado num laboratório de educação pela comunicação.
E com uma proposta maluca para uns, ousada para nós: transformar todo
um bairro numa escola. Os designers, fotógrafos, pintores, atores, físicos,
químicos, iriam doar seu tempo para ajudar a promover alunos e escolas
da região. Ao mesmo tempo, foram instalados galpões de arte e tecnologia,
transformados em sala de aula.
Para mostrar que a escola estava em qualquer lugar, crianças e adolescentes
criaram muitos imaginários. Com trabalhos em cerâmicas, assessorados por
artistas plásticas, recuperaram praças abandonados e muros pichados. Saímos
caçando parcerias com escolas da elite paulistana para que enviassem seus
alunos para desenvolver tarefas com estudantes de escolas públicas. Requisitamos
professores que ajudassem a desenvolver projetos-piloto. Além do Bandeirantes,
vieram alunos e professores de referência como Santa Cruz, Nossa Senhora
das Graças, Pueri Domus, Augusto Laranja Escola Paulista, Fundação Bradesco
e Senac.
Daquela primeira turma de alunos de escolas públicas, todos entraram na
faculdade - e, muitos, nem sequer se sentiam capazes de fazer vestibular
- e, depois, mesmo que entrassem, pagar a mensalidade. A Faculdade Belas
Artes e a PUC deram as bolsas.
Estamos, agora, na fase mais desafiadora da Cidade Escola Aprendiz. Usando
o biônimo arte e tecnologia, firmou-se uma parceira com uma escola da
região, o Alves Cruz. A missão, colocada para o bairro, é, junto com seu
diretor, coordenadores e professores, ajudá-la a se transformar numa escola
publica modelo.
Vai dar certo? Como dizia o poeta gaúcho Mário Quintana, sonhos são como
estrelas. Não podemos alcançá-las. Mas, sem elas, não temos orientação.
Nas experiências educacionais erramos e acertamos. Só acerta muito quem
erra muito. Em nossas reuniões, aliás, muitas vezes fica difícil entender
como fomos para frente com tantos deslizes. Talvez sejam as estrelas.
A experiência do Cidadão na Linha me fez um bom aluno. Aprendi sonhos.
E, para quem gosta de sonhar, a vida não faz sentido sem o gosto da experiência.
É aí que reside a aventura do viver e do aprender.
Descobri que não se pode viver isolado do mundo e que cada vez mais
aumenta a interdependência entre as pessoas, pois ninguém constrói nada
sozinho. Que nosso mundo não se restringe apenas ao que vivemos agora,
e o que muitas vezes parece pertencer apenas ao mundo dos adultos, faz
parte de nossas vidas também. O Programa Cidadania é uma experiência inesquecível
que deveria ser expandido.
KELLEN COSTA DOS SANTOS, EX-ALUNA DE 1998.
Andava meio revoltado com a situação em que o país se encontra. Queria
fazer algo para extravasar minha indignação. Resolvi participar do trabalho
com os alunos da creche, porque estou convencido de que a saída para os
nossos problemas passa pela educação. A experiência está sendo muito boa,
pois nos dá a oportunidade de entrar em contato com o mundo real, conhecer
de fato as dificuldades pelas quais as pessoas passam.
VINÍCIUS LUIZ BORGES MOLINA, ALUNO DE 2000
Cidadão. Para mim, durante muitos anos foi apenas mais um termo de
dicionário. Depois, tornou-se um conceito ensinado nas aulas de História.
Durante o projeto, sinto que me tornei um. Minha metamorfose foi lenta.
No início, participava do Cidadão na Linha só para garantir meu êxito
escolar. Mas fui atraído pelo projeto e acabei me envolvendo de tal forma
que comecei a me empenhar. Não só comecei a incorporar os conceitos discutidos,
como pensar sobre cidadania passou a fazer parte da minha vida. Adquiri
algo que pode ser considerado como filosofia de vida para mim. Coisas
como respeitar idosos, despir-me de preconceitos, não jogar lixo na rua
e outras tantas. Acho que fui me conscientizando de algo que julgava exterior
a mim.
IVAN FERNANDES DA CUNHA, EX-ALUNO DE 1997.
Tive a oportunidade de desenvolver diversas habilidades e noções que
me proporcionaram uma visão mais crítica tanto da realidade do nosso mundo
quanto do modelo educacional vigente no nosso país. Também pude testemunhar
a formação de cidadãos mais conscientes de sua função social, dentre os
quais penso que estou. E que têm meios de promover as mudanças de que
o nosso país tanto carece. Por último, testemunhei a adequação do processo
educacional para moldes mais modernos, abandonando a arcaica sala de aula
e levando o aluno às tecnologias que dominarão o mundo no próximo século.
DENIS ISHIKAWA DOS SANTOS, EX-ALUNO DE 1998.