Quando perguntado
sobre o que se têm a comemorar no Dia do Professor, o ministro Paulo
Renato declamou sua longa lista de avanços, que vão desde
as quedas na taxa de analfabetismo ao aumento salarial dos professores
no Nordeste. "Temos muitos motivos para comemorar, entre eles o crescimento
considerável nos índices de escolaridade", reforçou
o ministro.
O ministro tem o direito
- e, talvez, a obrigação - de ser otimista. Além
de se manter como o mais respeitado ministro de FHC, sua sólida
formação em Economia o autoriza a festejar números
e estatísticas. Mas é razoável que ele considere
a hipótese de que os professores discordam desse ufanismo. Afinal,
na prática do cotidiano, esses índices alardeados pelo governo
são abstratos, longínquos, intangíveis.
A lista de avanços
citada pelo ministro é tão conhecida dos docentes quanto
os problemas do sistema educacional brasileiro. Os professores da rede
pública teriam inúmeros motivos para questionar a resposta
do ministro: em salas lotadas, se amontoam alunos de séries diferentes
e idades distintas, sem computadores, carteiras ou livros. Nos grotões,
falta até mesmo luz elétrica. Falta giz.
Com um cenário
desses, lecionar continua sendo, a rigor, uma opção de caráter
missionário. Por mais que alguns educadores deste país sejam
despreparados, desestimulados, mal pagos, improvisados, até mesmo
incultos, é heróico o grau de determinação
necessário para enfrentar as adversidades. A dívida do Brasil
com a educação é ainda imensa. Se existe um ponto
de desequilíbrio - que permita o discurso otimista dos governantes
-, ele se encontra na lida diária de milhares de homens e mulheres
que elegeram para suas vidas um ofício nobre, imprescindível.
Ao professor, nossos cumprimentos.