Os resultados de uma
boa formação educacional encontram atualmente duas formas
básicas de mensuração: o índice de aproveitamento
escolar, traduzido em números ou letras pelas notas dos alunos
e, de forma mais abrangente, o nível de preparo desses mesmos alunos
para enfrentar o mercado de trabalho ou transpor satisfatoriamente as
etapas que os levarão até ele.
De certo modo, espera-se
que em alguns anos de estudo todos "passem de ano" ou "se
formem" e alcancem, no mínimo, uma determinada média
de conhecimento que lhes garanta igualdade de oportunidades no futuro.
Raras vezes e em pouquíssimos lugares um projeto educacional leva
em conta que o ponto de partida de todos esses estudantes não é
tão equânime quanto o pretenso ponto de chegada.
No Brasil das desigualdades,
alguns largam na frente, beneficiados pelas boas condições
sociais proporcionadas pelos pais, e muitos, entretanto, dão a
partida em clara desvantagem, carregando o ônus de ingredientes
como desagregação familiar, desemprego dos pais, subnutrição,
falta de acesso aos produtos culturais, desinformação, exposição
à violência, baixa auto-estima.
Criar condições
de superação dessas faltas e estimular adequadamente crianças
e adolescentes carentes é uma missão para a qual o Estado
tem se mostrado incapaz - ou negligente. A sociedade - principalmente
por meio de organizações não-governamentais - aprendeu
a tomar para si iniciativas que têm atenuado as distorções
que transformaram em abismo a distância entre ricos e pobres deste
País.
Embora não
sejam solução e revelem com crueza o quanto o governo deve
à população que lhe caberia assistir, essas ações
cívicas de resistência e avanço nos permitem afirmar
que os brasileiros são melhores que sua elite - e um dia vão
presenciar uma nação justa, em que a infância e o
direito à educação não sejam uma corrida de
obstáculos.