Educação
é um dos focos principais nas campanhas políticas dos candidatos a prefeito
deste ano - resta saber até que ponto as promessas podem resultar em ações
concretas
Leia
mais: Política Robin Wood Torcida a
favor
Amigo da criança
Se depender dos programas políticos divulgados nas campanhas dos
candidatos a prefeito em todo o país, os problemas com o ensino
estarão resolvidos assim que forem abertas as urnas. Mais verbas,
mais escolas, mais merenda, mais professores, melhores salários,
mais crianças em sala de aula. A estratégia parece ser não
economizar criatividade na hora de satisfazer as expectativas do eleitor.
Os candidatos e seus marketeiros sabem que o item educação
é um dos principais na pauta de reivindicação da
sociedade. Pesquisas não faltam para comprovar isso. O trinômio
educação, saúde e segurança faz coro nos santinhos
e nos palanques - físicos e eletrônicos. Emprego, evidentemente,
costuma aparecer, mas é reconhecido como um problema mais amplo,
de esfera estadual e federal.
O candidato eleito
que realmente tiver boas intenções terá muito trabalho
pela frente. As mangas devem continuar arregaçadas depois do corpo-a-corpo
com os eleitores. Estudo da Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que o Brasil gasta anualmente,
com cada aluno de educação infantil e do ensino fundamental,
valores abaixo da média em comparação com outros
países (US$ 562 e US$ 870, respectivamente, contra a média
internacional de US$ 3.180 e 3.546). A relação entre professores
e alunos do ensino fundamental é a quarta pior entre os países
avaliados. O Brasil possui 29,7 alunos por professor, índice menor
apenas que o Chile (31,3), Índia (52,4) e Filipinas (36.4).
No caso da capital
paulista, o Censo 2000, que revela o perfil da região urbana de
São Paulo, organizado pela Empresa Metropolitana de Planejamento
da Grande São Paulo (Emplasa), aponta que na educação
ainda não foi possível atingir a escolarização
mínima de oito anos, garantida pela Constituição.
A média de escolaridade dos moradores de São Paulo é
de 7,5 ao ano.
Estatísticas
à parte, o povo quer mesmo escola de qualidade. E os políticos
sabem isso, basta acompanhar o horário eleitoral na TV e no rádio.
O problema é saber até que ponto o dito e o escrito podem
ser colocados em prática. Em São Paulo, por exemplo, a maior
cidade do país, reserva uma surpresa ao futuro prefeito: uma dívida
de R$ um bilhão a ser quitada com a educação. A Promotoria
de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público
Estadual está cobrando na Justiça R$ 460 milhões
que a atual administração municipal deixou de aplicar na
educação em 1998 e prepara ação semelhante
sobre a destinação dos recursos em 1999 - valores um pouco
mais elevados que no ano anterior.
A prefeitura vai recorrer
sob alegação que, tecnicamente, foi cumprida a lei. Mas
há outros entraves. O Tribunal de Contas do Município (TCM)
já atestou o desvio de R$ 227 milhões na verba do ensino
no ano passado, motivando a rejeição das contas do prefeito
Celso Pitta no exercício de 1999.
É prato cheio
para a oposição, mas nenhum candidato do outro lado do muro
disse exatamente como resolver a questão, ou seja, como irá
quitar a dívida, se realmente cobrada judicialmente. Esse valor
corresponde quase a todo o orçamento municipal em educação
para este ano - pouco mais de R$ 1,6 bilhão. Isso sem contar com
as dívidas com obras e fornecedores que são sistematicamente
transferidas de um governo para o outro e que podem minguar o orçamento
público.
O problema no caso
do repasse ao ensino tem a ver com a interpretação da lei
criada exatamente para resolver a falta de verba para a educação
municipal. De acordo com a Lei Orgânica do Município, 30%
da receita proveniente da arrecadação de impostos e transferências
devem ser aplicadas na área. A prefeitura paulistana incluiu nesse
montante gastos com aposentadorias e pensões de servidores da educação,
gerando a polêmica com a promotoria.
O governo do estado
também vem adotando procedimento semelhante para driblar a Lei
de Diretrizes de Bases da Educação (LDB) que obriga a destinar
30% da arrecadação com o ensino. No parecer dos membros
da CPI da Educação da Assembléia Legislativa do Estado
e do Ministério Público de São Paulo, o governo não
pode incluir a despesa com inativos no gasto com o ensino. O governo estadual,
repetindo o argumento da prefeitura, não concorda com essa interpretação.
Tal prática
não é exclusiva de São Paulo. Relatório preliminar
da subcomissão da Câmara que investiga irregularidades com
o dinheiro do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino
Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef)
aponta desvios em cerca de 350 municípios e 16 Estados. As acusações
vão desde superfaturamento na contratação de cursos
de capacitação para professores até o pagamento de
servidores de outras áreas com recursos da educação.
Este ano, o Fundef deverá movimentar R$ 17 bilhões, dos
quais R$ 800 milhões referentes a repasses federais e o restante
de Estados e municípios. A má gestão dos recursos
"é fato isolado", na avaliação de Paulo
Renato, ministro da Educação.
A cidade de São
Paulo apresenta outras dificuldades a serem sanadas pelo futuro governante,
como a falta de vagas e de professores, de acordo com denúncias
de representantes do Sindicato dos Professores do Ensino Municipal (Sinpeem)
e de associações de pais de alunos, feitas em julho. O Sinpeem
estima que 33% das cerca de 500 mil crianças com idade até
quatro anos não têm acesso às creches. O déficit
seria de aproximadamente 197 mil vagas para alunos de quatro a seis anos.
A Secretaria da Educação do Município de São
Paulo contesta os dados.
A revista Educação
entrou em contato com comitês de campanha dos candidatos que lideram
as pesquisas em quatro grandes prefeituras: São Paulo**, Rio de
Janeiro, Porto Alegre e Fortaleza. As propostas são muito semelhantes
nas questões macros, como "toda criança na escola",
"aumento de vagas na rede pública", "construção
de escolas" e "valorização do professor".
Nos detalhes, vale a experiência, a criatividade e a boa ou má
assessoria de campanha.
Investimento na qualidade
do ensino e permanência da criança na escola, mesmo fora
da sala de aula, está em praticamente todos os programas. Em São
Paulo, Luisa Erundina (PSB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Maluf (PPB)
falam em investimentos na área de informática para melhorar
a qualidade do ensino. Marta Suplicy (PT) e Alckmin querem ampliar a carga
horária das atuais quatro horas de aula diária para cinco.
Erundina defende período maior, de pelo menos seis horas. O ex-prefeito
Paulo Maluf propõe que a alteração deve ser estudada
bairro a bairro e, eventualmente, adotar regimes diferenciados.
Marta Suplicy, sem
a experiência na administração de uma cidade, ao contrário
dos concorrentes Paulo Maluf e Luisa Erundina, se respalda em uma equipe
de educadores assessorando sua campanha - alguns oriundos da administração
Erundina. Ela diz ser crítico o número de 200 mil crianças
fora das creches e escolas municipais e os 1,1 milhão analfabetos
funcionais (que foram alfabetizados, mas não sabem ler ou escrever
corretamente). Marta pretende realizar um censo para saber o quadro exato
da demanda no município. E pretende cobrar a responsabilidade do
estado no problema de falta de vagas, utilizando as cinco mil salas ociosas
da rede estadual.
Erundina anuncia a
volta do projeto Ônibus-Biblioteca, que passaria a circular por
um grande número de bairros da cidade, levando livros à
população mais carente.
Atividades extracurriculares
- esporte, cultura e lazer - para manter os alunos mais tempo dentro das
escolas estão em todos os programas. Erundina, por exemplo, quer
introduzir a prática da capoeira na rede municipal. Sobre segurança
nas escolas, Maluf e Alckmin coincidem ao propor que guardas municipais
morem dentro das escolas. "A escola será muito mais respeitada
à noite porque todos irão saber que é a casa de um
policial armado", justificou Maluf.
Somente o candidato
do PSDB deseja manter o atual sistema de avaliação que permite
a repetência do aluno apenas no fim do ciclo fundamental. "Os
ciclos são uma bomba de efeito retardado, pois aumentará
enormemente a demanda por salas de aula e o sistema entrará em
colapso dentro de dois ou três anos", critica Marta.
Universidade pública
é assunto-tabu para quase todos os candidatos. Eles são
unânimes ao afirmar a importância da iniciativa, mas alegam
falta de recursos e outras prioridades. Exceto Maluf, que diz ser importante
uma educação técnica especializada de nível
superior e dá o nome e o endereço de seu projeto: a Universidade
Especializada de Nível Médio da Zona Leste, com três
faculdades, Gestão e Tecnologia, Biomédicas e Computação.
Será localizada na confluência das avenidas Aricanduva e
Afonso de Sampaio de Souza, em terreno de um milhão de m2 da Cohab.
No Rio de Janeiro,
a disputa está acirrada entre o ex-prefeito César Maia (PTB)
e o atual Paulo César Conde (PFL). Como os dois possuem experiência
administrativa, e reconhecem a escassez de recursos, procuram não
se comprometer exageradamente com promessas. Professor universitário,
César Maia diz ter transformado a antiga rede de 1º grau da
prefeitura do Rio na maior do país. Hoje são 700 mil alunos
e 32.115 professores - inferior a de São Paulo, com 905.605 alunos
e 34.490 professores. Maia quer construir 100 novas escolas, pretende
rever o sistema de ciclos e dar continuidade aos CIEP, projeto de educação
em tempo integral que foi implantado na gestão Leonel Brizola.
Conde promete colocar em horário integral todas as crianças
de três meses a 10 anos, como também os professores. E irá
dar continuidade aos projetos de informatização de escolas
e criação de 7.100 novas vagas até 2001.
Em Porto Alegre (RS),
cidade "referência nacional e até internacional em matéria
de educação", segundo o secretário municipal
de ensino José Clovis de Azevedo, nenhuma novidade em comparação
as outras campanhas. Porto Alegre tem o mais baixo índice de evasão
escolar dentre as capitais brasileiras (1,45%, contra a média nacional
de 15%) e currículo com arte e educação desde o primeiro
ano, filosofia no terceiro ciclo e inglês, francês e espanhol
a partir do segundo ciclo. A rede possui 90 escolas, 3.700 professores
e 51 mil alunos. Mas há problemas, reconhece o secretário.
"Ainda existem muitos alunos-repetentes, que têm 14 ou 15 anos
e estão na quarta e quinta séries, por exemplo".
Tarso Genro (coligação
PT/PSB/PCdoB/PCB) quer concentrar esforços na área de educação
infantil gaúcha, através de repasse de cestas de materiais
e mão-de-obra, administrados pela comunidade com o gerenciamento
da Secretaria Municipal de Educação. Yeda Crusius (PSDB/PPB/PSDC)
fala em escolas comunitárias e em incluir o computador e o acesso
à internet no programa de aprendizagem. Criar o Conselho de Educação
e Tecnologia, com a participação de professores, pais, alunos,
universidades, poder público e iniciativa privada, para definir
políticas de qualificação dos estudantes, é
o destaque na campanha de César Busatto (PMDB/PL). O ex-prefeito
Alceu Collares (PDT/PTB/PTN/PMN), retoma o conceito do programa de Bolsa-Escola,
para auxiliar as famílias dos estudantes carentes que freqüentarem
as salas de aula.
A rede municipal de
Fortaleza (CE) é formada por 354 escolas (143 do patrimônio
do município e 212 da comunidade ou da iniciativa privada, anexados
à rede municipal) e 8.744 professores. Patrícia Gomes (PPS)
admite a possibilidade da convivência de diferentes propostas educacionais
em virtude das "necessidades de uma população extremamente
diversificada". O atual prefeito e candidato à reeleição,
Juraci Magalhães (PMDB) salienta que sua administração
foi agraciada com a medalha Anísio Teixeira, concedida aos melhores
projetos da área de educação, no Fórum Nacional
de Educação realizado em Porto Seguro (BA), em julho. Programas
de reforço escolar e aceleração de aprendizagem foram
os destaques. Ele pretende dar continuidade ao seu modelo. A democratização
do sistema de ensino está entre as principais propostas de Inácio
Arruda (PC do B), junto com a Bolsa-Escola. Moroni Torgan (PFL) também
apela para a gestão comunitária do ensino, Bolsa-Educação
e a melhor remuneração do professor. Com uma diferença:
registrou em cartório o seu compromisso de candidato.
* Colaboraram: Denise
Adelina, Mariana Viktor e Rose Santana.
**Em São Paulo apenas Geraldo Alkmin não atendeu diretamente
a reportagem. Suas propostas foram extraídas das propagandas políticas
em TV e rádio
Política
Robin Wood Fundef tira dinheiro dos municípios ricos e beneficia as regiões mais
carentes
O processo de municipalização
do ensino apresenta para os novos dirigentes um campo de oportunidades
e desafios. A emenda constitucional 14, que criou o Fundef, determina
que 15% das receitas estaduais e municipais provenientes do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do Imposto
de Importação e dos fundos de participação
dos Estados e municípios sejam destinados ao fundo. Os 15% dos
demais impostos municipais (como IPTU, IPVA e ISS) ficam no município,
mas também têm de ser obrigatoriamente investidos no ensino
fundamental.
O dinheiro do Fundef
é distribuído a Estados e municípios de acordo com
o número de alunos matriculados no ensino fundamental. Cidades
carentes de recursos e com grande número de alunos foram beneficiadas
com o sistema. Distritos mais ricos, com poucos alunos e alta arrecadação
e capitais acabam recebendo menos do que contribuem. Caso dos municípios
do estado de São Paulo, que gastam, sem o Fundef, R$ 699,62 por
aluno e, ao transferirem os recursos para a União, perdem R$ 324
milhões. Algumas prefeituras, como Diadema (SP), tentaram isentar-se
do repasse através de liminares que foram contestadas na justiça
pelo Ministério da Educação.
Torcida
a favor Entrevistados pelo Ibope dizem que escola pública é boa e ação do governo,
ruim
A nota média
dos usuários de escolas e faculdades públicas para as instituições
chega a nove pontos - em uma escala de zero a dez. A nota passa para 8,4
quando o público consultado tem mais de 24 anos de idade. As informações
contam em pesquisa realizada em todo o Brasil pelo Ibope OPP (Opinião
Pública e Política) em maio deste ano. O estudo mostra que
84% dos alunos/pais ou responsáveis estão satisfeitos ou
muito satisfeitos com o ensino público. Para 31%, o ensino nas
instituições públicas é pelo menos um pouco
melhor do que as escolas particulares. É evidente que, ao misturar
escolas de todos os níveis com universidades na pesquisa, as faculdades
privadas, reconhecidamente superiores às particulares, puxaram
os níveis de opinião para cima.
De qualquer forma
é um indicador interessante levando em consideração
que praticamente toda a mídia vem criticando o ensino público.
As escolas e faculdades públicas são classificadas no Ibope
OPP como ótimas ou boas para 72% dos usuários. Mesmo que
tivessem oportunidade, 56% deles não mudariam - ou não mudariam
seus filhos - para uma escola ou faculdade particular. O índice
sobe para 59% entre os usuários nas classes D e E.
O elevado nível
do professor, aliado a seu preparo para ensinar, é o aspecto mais
destacado pelos entrevistados referente às escolas públicas.
O item é qualificado como bom ou ótimo por 86% dos usuários.
A opinião dos
entrevistados sobre as constantes brigas entre alunos e a venda de drogas
por estranhos na entrada e saída das escolas também foi
verificada pelo Ibope. Dos entrevistados, 42% afirmam que as brigas não
acontecem em suas escolas e 41% dizem que, se acontecem, a proporção
é pequena. Para 82% do público, também não
ocorre a venda de drogas.
A atenção
concedida pelos governos municipal, estadual e federal, entretanto, é
considerada pequena ou muito pequena na opinião de 32%, 36% e 40%
dos usuários, respectivamente.
Amigo
da criança Campanha Prefeito Criança exige que os candidatos incluam a questão
infantil em sua plataforma política
Bom prefeito é
aquele que coloca a criança entre as prioridades de campanha e
faz da educação sua plataforma mais importante. Esse perfil
de candidato resume a cartilha da Campanha Prefeito Criança, idealizada
por um pool de 29 entidades - como a Fundação Abrinq, Associação
Brasileira de Imprensa (ABI) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) -
e a Frente Parlamentar pela Criança e o Adolescente. A carta-compromisso
da campanha foi distribuída a todos os 15 mil candidatos a prefeitos
no País.
As entidades envolvidas
no projeto vão também produzir filmes para TV, spots de
rádio e utilizar a internet para orientar os eleitores, além
de vender botons, bonés e camisetas para divulgar a campanha. "Queremos
orientar os eleitores a votar somente em candidatos que defendam os direitos
das crianças", destaca Caio Magri, coordenador da campanha.
Compromissos:
- Proteger a saúde das crianças e adolescentes com ações
preventivas e educativas; reduzir a mortalidade infantil;
- Reduzir a mortalidade materna;
- Garantir a segurança alimentar, promovendo educação,
em saúde e nutrição, para as famílias;
- Tornar disponível a todas as famílias água
limpa, tratamento de esgoto e coleta de lixo em todas as residências;
- Oferecer ações de prevenção e retaguarda
às crianças e jovens vítimas de negligência,
maus tratos, abusos, crueldade e opressão;
- Prevenir e erradicar o trabalho infantil, implementando as convenções
188 e 182 da Organização Internacional do Trabalho
- OIT;
- Implementar medidas socioeducativas em meio aberto para os adolescentes
autores de atos infracionais;
- Possibilitar o acesso de todas as crianças à creche e
à pré-escola e melhorar a qualidade da educação
infantil;
- Possibilitar o acesso e garantir a permanência com sucesso da
1ª a 8ª séries de todas as crianças
e jovens do município e melhorar a qualidade do ensino
da rede pública municipal;
- Oferecer esporte, lazer e cultura a todas as crianças e
jovens; e incluir no plano diretor do município a obrigatoriedade
de espaços e equipamentos públicos para a criança
e o adolescente;
- Promover capacitação profissional e iniciação
ao trabalho para os jovens, de acordo com a lei;
- Promover o exercício da cidadania de crianças e adolescentes,
oferecendo informações e espaços de participação
para a formulação e implementação
de ações de seu interesse;
- Erradicar o analfabetismo infanto-juvenil;
- Assegurar o direito ao registro civil a todas as crianças
do município