O esforço nacional
em prol da educação tem rendido avanços consideráveis
nos últimos anos. Universalização do acesso ao ensino
fundamental, crescimento consistente das taxas de matrículas (que
no ensino médio sofreram uma verdadeira explosão), aumento
da escolaridade média do brasileiro, queda do analfabetismo e da
mortalidade infantil, enfim, uma série de indicadores permitiria
afirmar que o país tem cumprido sua lição de casa.
Mas, como aponta reportagem
desta edição, do ensino básico ao superior os índices
de evasão e repetência continuam sendo piores que nos países
mais pobres da América Latina. O brasileiro adulto, em média,
não tem nem mesmo seis míseros anos de estudos. Resumindo,
a criança entra na escola, mas dela é expulsa um par de
anos depois.
A lógica da
exclusão escolar é a mesma que mantém o Brasil entre
os líderes mundiais de concentração de renda. Qualquer
iniciativa de colocar um aluno pobre na sala de aula tem de considerar
que em casa ficam pais desempregados ou que sobrevivem em condições
de extrema precariedade social.
Por mais otimista
que alguém se proponha a ser, não há como ignorar
que a economia brasileira não tem crescido a ponto de incluir as
novas gerações. Políticas públicas - como
a do Bolsa-Escola - têm se mostrado paliativas, mas imprescindíveis.
A escola abre suas portas, busca oferecer perspectivas, é insubstituível
na construção da cidadania. Mas, sozinha, não tem
forças para manter seus filhos abrigados. Quando uma criança
não volta para a sala de aula é porque um país inteiro
está sendo reprovado.