A estupidez tem muitos
nomes. Racismo é um deles. Como toda maldade, alimenta-se da intolerância,
reproduz-se em silêncio e deixa marcas irreversíveis. Já
se manifestou das formas mais abjetas e sangrentas: guerras, fogueiras,
escravidão, apartheid, nazismo, perseguições.
Até a ciência foi usada para alimentar o ódio inter-racial,
com teorias esdrúxulas que pregavam a superioridade de determinado
ser humano sobre outro.
Com a evolução
da sociedade e o acúmulo de sofrimento, o racismo está hoje
formalmente confinado à condição de crime hediondo
e injustifícável. Mas basta um breve olhar para o mundo
contemporâneo e vamos constatar que mesmo em países ricos
e cultos ecoa o discurso fascista e xenófabo.
Em um país
miscigenado, heterogêneo e sincrético como o Brasil, falar
em racismo se constituiu em uma espécie de heresia, uma tese insustentável
diante da cordialidade de nosso povo. O máximo que pessoas elegantes
se permitem dizer é que há algum nível de preconceito,
coisa pouca, inexpressiva.
De fato, são
raras, entre nós, manifestações públicas de
racismo. Numa engenhosa arquitetura da dissimulação, a ojeriza
à diferença se apresenta de forma velada e anônima.
Só as estatísticas e os indicadores sócioeconômicos
arrancam a máscara da hipocrisia nacional. Neste país multiracial,
a nação negra ainda não exerce plenamente sua cidadania.
Para nossos afrodescendentes estão reservadas as maiores taxas
de analfabetismo, desemprego, defasagem escolar e exclusão social.
É na garantia
de acesso à educação que esse quadro pode ser revertido.
Muitas gerações já se perderam por conta da omissão
e do descaso. Felizmente, é na sala de aula que se constrói
o futuro, inclusive aquele que contempla um mundo sem distinção,
muito menos de raça ou cor. Um mundo miscigenado, heterogêneo
e sincrético. Multicolorido como o desenho de uma criança.