História

Gabarito


01.
Alternativa b.

As conjurações ocorridas no final do século XVIII revelaram a insatisfação dos colonos em relação à exploração metropolitana, sob influência do Iluminismo, sendo manifestações regionais da crise do Sistema Colonial. Os conspiradores mineiros (a elite econômica e intelectual) inspiraram-se na conservadora independência dos EUA, já os baianos (povo e escravos) no Terror francês, desejando a abolição da escravatura, a igualdade e o fim dos privilégios. Relembra-se que a Revolução Liberal do Porto ocorreu em 1820.


02.
Alternativa e.

Os Tratados de 1810 consagraram o predomínio dos interesses britânicos no Brasil. Além de privilégios judiciários (escolha de juízes) e religiosos (liberdade de culto), os ingleses obtiveram vantagens comerciais: seus produtos pagariam tarifas alfandegárias preferenciais de 15%, enquanto as mercadorias portuguesas 16% e as demais 24%. Essas tarifas aos produtos britânicos foram renovadas após a independência do Brasil.


03.
Alternativa a.

A independência do Brasil distinguiu-se do contexto latino-americano, caracterizado pela fragmentação territorial, participação popular nas prolongadas lutas e formação de repúblicas. A solução monárquica assegurou aos aristocratas brasileiros a preservação da estrutura socioeconômica, a marginalização das camadas populares e o triunfo do liberalismo econômico, apesar de suas divergências quanto à organização do Estado (centralizado ou descentralizado).


04.
Alternativa a.

O movimento de independência derivou da oposição da aristocracia brasileira à recolonização pretendida pelas Cortes portuguesas. A volta do monopólio, solução para a crise lusitana, chocava-se ao liberalismo econômico defendido pelos ingleses e pela elite agrária brasileira, que manteve a escravidão e afastou a proposta de república. A guerra de independência ocorreu nas províncias que se opuseram à emancipação do Brasil, pois tinham maioria portuguesa no governo.


05.
Alternativa a.

De fato, a independência do Brasil, liderada pela elite agrária, resultou de um projeto liberal-conservador. Defendia-se o liberalismo econômico (contra o restabelecimento do monopólio), mas não a igualdade e a democracia. A monarquia centralizada, a unidade territorial, o voto censitário e indireto, a exclusão das camadas populares e a manutenção da escravidão e do latifúndio provam esse caráter conservador.


06.
Alternativa d.

Durante o Primeiro Reinado, o imperador – que não admitia limites a seu poder – e a aristocracia chocaram-se. Se a outorga da Constituição e a repressão à Confederação do Equador permitiram ao primeiro impor seu autoritarismo, a oposição da segunda foi decisiva para a abdicação. Deve-se levar em conta também que a conjuntura forçou o monarca a renunciar: déficit comercial, crescente endividamento, problemas na sucessão do trono português (ameaça de recolonização), derrota na Guerra da Cisplatina e revolta das tropas do Rio de Janeiro, cujos soldos estavam atrasados.


07.
Alternativa d.

A aristocracia brasileira manteve-se praticamente unida contra o imperador no Primeiro Reinado, embora no “partido brasileiro” houvesse duas facções: a federalista e a centralista. Os ideais republicanos e federalistas afloraram em Pernambuco em 1824 (Confederação do Equador), como em 1817, mas foram reprimidos por D. Pedro I. A proposta de república, defendida pelos “radicais” (camadas urbanas) e excluída quando do movimento de independência, somente seria retomada na regência, por parte dos “liberais exaltados” (aristocratas).


08.
Alternativa d.

O Período Regencial caracterizou-se pela instabilidade política, gerada pela divisão da aristocracia em facções e pelo não-exercício do poder Moderador, e social, devido às rebeliões das camadas dominadas. Entre a elite, os restauradores defendiam a volta de D. Pedro I; os liberais moderados, a manutenção da monarquia centralizada; os liberais exaltados, a autonomia das províncias e, no limite, a separação e a república. Já as camadas médias e populares questionavam os privilégios da aristocracia e a preservação das estruturas. No Segundo Reinado, consolidou-se o Estado monárquico, unitário, elitista e conservador; a república só foi implantada em 1889.


09.
Alternativa e.

As rebeliões populares (Cabanagem e Balaiada) e elitista (Farroupilha) ocorreram durante o Período Regencial, fase posterior à abdicação de D. Pedro I, quando o herdeiro ainda era menor de idade. A cisão da aristocracia em restauradores, liberais moderados e liberais exaltados, em disputa pelo poder, abriu espaço para as reivindicações de outros grupos sociais. Apesar das medidas descentralizadoras do Ato Adicional, os exaltados gaúchos buscaram maior autonomia proclamando a república; os moderados dividiram-se em progressistas e regressistas, origem dos partidos Liberal e Conservador do Segundo Reinado. Latifúndio, escravidão, monarquia centralizada e governo elitista foram preservados, apesar das rebeliões de camadas médias e baixas, continuando o país a ter base econômica agrária.


10.
Alternativa b.

No Primeiro Reinado, a aristocracia permaneceu unida para combater o inimigo comum: o autoritário imperador. As várias facções passaram a discutir a organização do Estado durante a regência: liberais moderados (monarquistas centralistas, notadamente do Sudeste) e liberais exaltados (federalistas e até republicanos, das províncias mais afastadas). Moderados dividiram-se com o Ato Adicional: progressistas a favor dessas medidas descentralizadoras; regressistas contra. Com D. Pedro II, consolidou-se o Estado centralizado e os partidos Liberal e Conservador, oriundos dos moderados, alternaram-se no poder. A estabilidade, graças à atuação do Moderador junto aos partidos e ao funcionamento do parlamentarismo, só foi rompida no final do século, com a defesa da república federalista pelos cafeicultores paulistas.