A ausência de uma
fonte econômica lucrativa – os engenhos de açúcar não foram bem-sucedidos
– e o isolamento da vila de São Paulo explicam a organização das bandeiras.
Tentando escapar da pobreza, os paulistas (em sua maioria mamelucos) organizaram
essas expedições ao interior, ultrapassando inconscientemente os limites
estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas.
02. Alternativa a.
As bandeiras foram
expedições particulares organizadas pelos paulistas, devido à sua pobreza,
em busca de índios e de metais, além da prestação de serviços (sertanismo
de contrato). Embora a maioria dos paulistas fosse mameluca, os bandeirantes
capturavam indígenas de tribos inimigas para escravizar. Sem planejamento,
desbravaram o território além da linha de Tordesilhas. Convém destacar
que novos tratados de limites foram negociados somente no século XVIII,
em decorrência da interiorização da colonização.
03. Alternativa c.
O Padre Vieira realmente
opunha-se à escravização dos indígenas, assim como os demais jesuítas,
que organizaram missões. Portanto, criticava a ação dos “moradores de
São Paulo” e dos colonos do Maranhão que capturavam índios para escravizar.
Não há, no texto, condenação à escravização de negros, tampouco apoio
ou choque com a Coroa (a expulsão dos jesuítas só ocorreu em 1759, durante
a administração do Marquês de Pombal).
04. Alternativa c.
A organização de expedições
ao interior foi a forma de os mamelucos paulistas encontrarem o “remédio
para sua pobreza”. Atacar missões jesuíticas espanholas no Sul para escravizar
índios, procurar metais e pedras preciosas e fazer o sertanismo de contrato
(destruir quilombos, reprimir tribos hostis) garantiriam a sobrevivência
dos vicentinos, que foram desbravando o território ao interior.
05. Alternativa e.
De fato, o café foi
importante para a modernização do país a partir de meados do século XIX,
com a formação de frentes pioneiras no interior paulista, em “terras desconhecidas
habitadas por índios”; o desenvolvimento do transporte ferroviário, que
antecedeu ou sucedeu a marcha do café em São Paulo; o aparelhamento do
porto de Santos, por onde saía o café do Oeste paulista; e a promoção
da imigração para fornecer braços para a lavoura cafeeira em crescimento.
06. Alternativa c.
O Oeste paulista de
1840 não é o Oeste geográfico do estado em 1940, mas a região a oeste
do Vale do Paraíba para onde se expandiu a lavoura de café. Na falta de
mão-de-obra escrava diante do fim do tráfico negreiro (1850), os cafeicultores
precisaram recorrer à imigração e desenvolveram uma mentalidade mais empresarial
e urbana. Dessa forma, o Oeste paulista passou a utilizar trabalhadores
livres, em oposição aos engenhos de açúcar (principal produto de exportação
até 1830), baseados na mão-de-obra escrava.
07. Alternativa e.
No século XIX, a expansão
da cafeicultura no Sudeste ocorreu devido ao aumento da demanda mundial,
que gerou alta dos preços. Particularmente no Oeste paulista havia condições
naturais mais favoráveis (o relevo e a terra roxa). Diante da proibição
do tráfico negreiro, desenvolveu-se um tráfico interprovincial e, com
a falta de mão-de-obra escrava, estimulou-se a imigração e o trabalho
livre. A economia brasileira modernizou-se com progressos técnicos, ferrovias,
surtos industriais e crescimento urbano, mas continuou dependente da Grã-Bretanha
que fazia empréstimos ao governo imperial e investimentos diretos, em
especial no setor de serviços.
08. Alternativa b.
Fim do tráfico, ampliação
dos cafezais em São Paulo e imigração relacionaram-se no Segundo Reinado.
O sistema de parceria, baseado na divisão dos lucros entre o fazendeiro
e os imigrantes, fracassou devido ao endividamento a que estes ficaram
submetidos. Passou-se à imigração financiada pelo Estado, que se fundamentava
no pagamento em dinheiro aos imigrantes. Muitos migraram para as cidades,
onde seriam a principal mão-de-obra das fábricas no início do século XX,
insatisfeitos com o trabalho nas fazendas de café e sem perspectivas de
terem uma propriedade (o acesso à terra só se daria pela compra, segundo
a Lei de Terras de 1850).
09. Alternativa e.
Proibido o tráfico
negreiro, teve início um processo gradual de declínio da escravatura.
O Oeste paulista foi a região mais atingida pela falta de mão-de-obra
escrava, recorrendo à imigração. Primeiro, desenvolveu-se o sistema de
parceria nas fazendas do Oeste, no qual os imigrantes, livres, conviveram
com escravos; depois, a imigração subsidiada pelo Estado. O Vale do Paraíba
fluminense e paulista utilizava trabalho escravo, sendo duramente atingido
pela Lei Áurea que aboliu a escravidão.
10. Alternativa a.
Nas décadas finais
do século XIX, era evidente a modernização promovida pelo café. A expansão
da lavoura pelo interior paulista relacionou-se à formação de frentes
pioneiras e de cidades, à criação de ferrovias e à transição do trabalho
escravo para o livre imigrante. As camadas médias urbanas ampliaram-se,
surgiu uma nova aristocracia com mentalidade empresarial, houve surtos
industriais e o crescimento do setor de serviços. No entanto, não se pode
falar em industrialização do país (nem de São Paulo), tampouco em conflitos
por reforma agrária. Os cafeicultores paulistas, enriquecidos, chocaram-se
com a monarquia centralista, apoiando a federação e a implantação da república.