História

 

Revisão sobre este assunto

 

01. (Mack-98) “Como decorrência do caminho, constituiu-se a civilização paulista (...). Na faina sertaneja e predadora dos paulistas, desenvolveram-se hábitos próprios, tributários dos indígenas e incorporados mesmo por aqueles que haviam nascido na Europa, como o alentejano Antonio Raposo Tavares.”

Laura de Mello e Souza

O texto reporta-se às características da vida paulista no período colonial e seu significado. Sobre estes fatos não podemos dizer que

a. o isolamento e a reduzida importância econômica da região resultaram num forte senso de autonomia entre a gente paulista.
b. casas de taipa, móveis rústicos, tendo com idioma dominante o tupi-guarani até o século XVIII, esta era a vila de São Paulo.
c. mestiços rudes, os mamelucos paulistas vagavam pelos sertões, apresando índios, buscando ouro ou atacando quilombos.
d. o alargamento da fronteira foi uma conseqüência inconsciente da luta destes homens pela sobrevivência.
e. o prestígio do bandeirante deve-se à integração dos vicentinos à economia exportadora açucareira.


02.
(UFU-99) A atividade bandeirante marcou a atuação dos habitantes da capitania de São Vicente entre os séculos XVI e XVIII. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

a. Buscando capturar o índio para utilizá-lo como mão-de-obra ou para descobrir minas de metais e pedras preciosas, o chamado bandeirismo apresador e o prospector foram importantes para a ampliação dos limites geográficos do Brasil colonial.
b. As bandeiras eram empresas organizadas e mantidas pela metrópole, com o objetivo de conquistar e povoar o interior da colônia, assim como garantir, efetivamente, a posse e o domínio do território.
c. As chamadas bandeiras apresadoras tinham uma organização interna militarizada e eram compostas exclusivamente por homens brancos, chefiados por uma autoridade militar da Coroa.
d. O que explicou o impulso do bandeirismo no século XVII foi a assinatura do tratado de fronteiras com a Espanha, que redefiniu a linha de Tordesilhas e abriu as regiões de Mato Grosso até o Rio Grande do Sul, possibilitando a conquista e a exploração portuguesa.
e. Derivado da bandeira de apresamento, o sertanismo de contrato era uma empresa particular, organizada com o objetivo de pesquisar indícios de riquezas minerais, especialmente nas regiões de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.


03.
(Fuvest-95) “Na primeira carta disse a V. Rev. a grande perseguição que padecem os índios, pela cobiça dos portugueses em os cativarem. Nada há de dizer de novo, senão que ainda continua a mesma cobiça e perseguição, a qual cresceu ainda mais.

No ano de 1649 partiram os moradores de São Paulo para o sertão, em demanda de uma nação de índios distantes daquela capitania muitas léguas pela terra adentro, com a intenção de os arrancarem de suas terras e os trazerem às de São Paulo, e aí se servirem deles como costumam.”

Pe. Antônio Vieira, Carta ao padre provincial, 1653, Maranhão.

Este documento do Padre Antônio Vieira revela

a. que tanto o Padre Vieira como os demais jesuítas eram contrários à escravidão dos indígenas e dos africanos, posição que provocou conflitos constantes com o governo português.
b. um dos momentos cruciais da crise entre o governo português e a Companhia de Jesus, que culminou com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro.
c. que o ponto fundamental dos confrontos entre os padres jesuítas e os colonos referia-se à escravização dos indígenas e, em especial, à forma de atuar dos bandeirantes.
d. um episódio isolado da ação do Padre Vieira na luta contra a escravização indígena no Estado do Maranhão, o qual se utilizava da ação dos bandeirantes para caçar os nativos.
e. que os padres jesuítas, em oposição à ação dos colonos paulistas, contavam com o apoio do governo português na luta contra a escravização indígena.


04.
(Mack-97) A historiografia tradicional atribui ao bandeirismo o alargamento do território brasileiro para além de Tordesilhas. Sobre esta atividade é correto afirmar que

a. jamais converteu-se em elemento repressor, atacando quilombos ou aldeias indígenas.
b. as missões do Sul foram preservadas dos ataques paulistas, devido à presença dos jesuítas espanhóis.
c. na verdade, o bandeirismo era a forma de sobrevivência para mestiços vicentinos, rudes e pobres, e a expansão territorial ocorreu de forma inconsciente como subproduto de sua atividade.
d. eram empresas totalmente financiadas pelo governo colonial, tendo por objetivo alargar o território para além de Tordesilhas.
e. era exercida exclusivamente pelo espírito de aventura dos brancos vinculados à elite proprietária vicentina, cujas lavouras de cana apresentavam grande prosperidade.


05.
(FAAP-96) O café realmente marcou a vida brasileira, imprimindo várias características.

I. Povoamento de várias áreas do Brasil, com a formação de frentes pioneiras.
II. Estimulou os fluxos imigratórios para o Brasil, principalmente de italianos.
III. Promoveu o desenvolvimento ferroviário, sobretudo no estado de São Paulo (Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, Cia. Paulista, Araraquarense, Santos-Jundiaí e Sorocabana).
IV. O aparelhamento do porto de Santos.

Responda com apoio no código

a. desde que apenas estejam corretas I e III.
b. desde que apenas estejam corretas II e IV.
c. desde que apenas estejam corretas I, II e III.
d. desde que apenas estejam corretas III e IV.
e. desde que todas estejam corretas.


06.
(PUC-97) “É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do ‘engenho’ de açúcar”.

BUARQUE DE HOLANDA, S. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1987, p. 129.

De acordo com o autor,

a. o caráter próprio dos cafezais do Oeste de 1840 pode ser identificado, por exemplo, pela utilização de mão-de-obra predominantemente escrava, ao contrário da mão-de-obra assalariada utilizada nos engenhos.
b. a diferenciação entre o Oeste de 1840 e o Oeste de 1940 refere-se ao fato de o primeiro ser uma região de produção cafeeira e o segundo, uma região de concentração de engenhos de açúcar.
c. o modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar significa, em geral, um apego grande do senhor de engenho à rotina rural, ao contrário da maior abertura dos cafezais do Oeste de 1840 à influência urbana.
d. a diferenciação entre o caráter próprio dos cafezais do Oeste de 1840 e o modelo clássico da lavoura canavieira explica-se, entre outros fatores, pela venda do produto dos primeiros no mercado interno e da segunda no mercado externo.
e. as formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais contrapõem-se ao caráter próprio dos cafezais do Oeste de 1840, pois as primeiras acompanharam práticas de mandonismo político local e o segundo trouxe práticas políticas democráticas.


07.
(Cesgranrio-90) No Brasil, a expansão cafeeira, na segunda metade do século XIX, pode ser identificada a partir das seguintes características

a. expansão do consumo externo, progressos técnicos, abertura de créditos, desenvolvimento das ferrovias e introdução da mão-de-obra escrava.
b. expansão das áreas cultivadas na província fluminense, tráfico interprovincial de escravos, avanços tecnológicos, créditos externos e maior consumo interno.
c. expansão ferroviária, crescimento do Oeste Novo paulista, aumento do tráfico negreiro, maior consumo interno e externo e chegada dos imigrantes.
d. incentivos estatais à produção, créditos do Banco do Brasil, introdução do trabalho livre, desenvolvimento ferroviário e aumento das áreas cultivadas em Minas Gerais.
e. substituição do escravo pelo imigrante, capitais ingleses, introdução de máquinas modernas, elevação dos preços e rápida urbanização.


08.
(UFU-99) Ao longo da segunda metade do século XIX, o Brasil passou por profundas transformações que afetaram, de forma geral, a economia e a organização social e política do país. Sobre esse período, é correto afirmar que

a. o fluxo de imigrantes para o Brasil, sobretudo de italianos, contribuiu para retardar o início das atividades industriais, já que eram trabalhadores rurais que não formavam um mercado consumidor.
b. a partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro, o problema da falta de mão-de-obra para as lavouras cafeeiras foi solucionado provisoriamente com o tráfico interno de escravos e a vinda de imigrantes estrangeiros.
c. o desenvolvimento econômico, iniciado nas regiões produtoras de café, impulsionou a recuperação econômica do Nordeste, através de investimentos na indústria açucareira.
d. o êxito do sistema de parceria, adotado a partir de 1847, estimulou a imigração européia para o Brasil. Com esse sistema, o imigrante podia se tornar, rapidamente, um pequeno proprietário.
e. a adoção do trabalho assalariado, estimulada pela imigração, ficou restrita às atividades urbanas. A relação de trabalho no âmbito rural continuou servil, até a abolição da escravidão.


09.
(UFF-97) A abolição do tráfico africano pode ser considerado um dos principais fatores explicativos do definhamento progressivo do escravismo no Brasil. Privada da fonte atlântica de abastecimento de cativos, a classe senhorial do Império teve que apelar para o tráfico interno entre as províncias. Deste se beneficiou o Sudeste, região que concentrava 87% da população cativa do país entre 1870 e 1880. No ano de 1887, às vésperas da Abolição, 15% da população cativa estavam na província de São Paulo.
Assinale a opção que caracteriza melhor a dinâmica da economia cafeeira no século XIX em função do problema da mão-de-obra.

a. A cafeicultura do Oeste paulista ancorada nas colônias de parceria não se baseou no trabalho livre, mas em relações semi-escravistas, como demonstra a revolta dos imigrantes de Rio Claro na década de 40.
b. A abolição do tráfico africano conduziu ao reforço da escravidão nas antigas províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais, sobretudo no Vale do Paraíba, ao contrário do ocorrido em São Paulo, cujos cafeicultores optaram, desde logo, pelo trabalho assalariado de imigrantes.
c. A abolição do tráfico africano não conduziu, de imediato, à crise do escravismo, uma vez que a população cativa do país aumentou extraordinariamente até a década de 80, sobretudo no Sudeste, graças ao crescimento vegetativo ocorrido entre africanos e crioulos.
d. A crise da economia cafeeira no Vale do Paraíba fluminense deveu-se mais ao desgaste dos cafezais plantados em encostas, do que à falta de braços para a lavoura, ao passo que, no Oeste paulista, a abundância de solos de “terra roxa” e o trabalho dos colonos impulsionaram a cafeicultura da região.
e. A expansão cafeeira no Sudeste desenvolveu-se como base no trabalho escravo, inclusive no Oeste paulista, não obstante ali se tenha adotado, em larga escala, o trabalho juridicamente livre de imigrantes ao longo dos anos 80.


10.
(FMTM-99) O desenvolvimento da lavoura cafeeira no Sudeste brasileiro foi responsável por inúmeras mudanças na segunda metade do século XIX. Assinale a alternativa que explica, corretamente, algumas dessas mudanças.

a. Com o fim do tráfico negreiro, foi necessário incentivar a vinda de imigrantes, realizando-se a transição para o trabalho livre. A construção de ferrovias modernizou os transportes, interligando de modo mais rápido e eficiente as regiões produtoras aos portos.
b. A expansão da cafeicultura gerou uma diferenciação na sociedade, antes rural e aristocrática, com o surgimento da classe média urbana e de uma burguesia cafeeira. Além disso, os lucros dessa economia promoveram a industrialização do país, em especial, do Sudeste.
c. O cultivo de café valorizou economicamente a terra, que se tornou mercadoria pela Lei de Terras de 1850, possibilitando a formação de frentes pioneiras. A nova realidade no campo acirrou os conflitos, impondo a necessidade de reforma agrária.
d. Os lucros da lavoura cafeeira foram investidos em diferentes atividades urbanas, transformando a pacata capital de São Paulo em próspero centro industrial. As relações escravistas de produção salientaram-se nas novas regiões de cultivo do Oeste paulista.
e. O desenvolvimento do abolicionismo levou à substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalho assalariado, articulando o comércio interno. As aspirações unitaristas dos cafeicultores chocaram-se com o imobilismo do Império, provocando sua queda.

 

Gabarito