O pronome demonstrativo
de 1.a pessoa (este) indica o que está próximo de quem fala, do emissor
da mensagem. O de 3.a pessoa indica distância de quem fala (emissor) e
de quem ouve (receptor), mas, no contexto, funciona como uma característica
da bolacha: famosa, conhecida por todos.
02. Alternativa e.
O adjetivo bonacheirão,
bonachão caracteriza o que tem bondade natural, é ingênuo, simples,
paciente. Daí a idéia de nada esperar, quer da Terra, quer do Céu.
03. Alternativa d.
Quando se faz referência
aos próprios pais, os artigos, quer definidos, quer indefinidos, não são
empregados. Mais comum é o emprego de um pronome possessivo.
04. Alternativa c.
Embora a ausência
do artigo diante do substantivo “lar” possa causar estranhamento, observa-se
uma construção que obedece às normas estabelecidas pela língua diante
do substantivo “casa”: quando esse substantivo remete à própria casa,
ao lar, não se emprega artigo: Estou em casa; Vou para casa.
05. Alternativa e.
Do ponto de vista
morfológico, “choverar” é uma forma verbal que caracteriza o gerúndio
(“-ndo”) . Embora, no contexto, indique a maneira como a chuva cai, não
possui características morfológicas de advérbio.
06. Alternativa a.
Virgília ansiava tanto
pelo amor de Brás Cubas, quanto pelo respeito público e pelo destaque
social possibilitados pelo seu casamento com Lobo Neves; Marcela deixava-se
sustentar por seus amantes, como Xavier; Eugênia (a “flor da moita”) a
filha ilegítima de Dona Eusébia, é “coxa de nascença”, é rejeitada por
Brás Cubas, não se casa e acaba na pobreza; Nhã-loló (a “flor do pântano”)
é a moça vistosa, mas provinciana e sem classe.
07. Alternativa b.
A frase “ Teve duas
fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nomes
não curo; teve a fase consular e a fase imperial” sugere que também no
amor, como na política, as relações se baseiam em interesses, em acordos,
jogos de fidelidade e traição: a fase “consular” do amor entre Brás e
Marcela se refere ao tempo em que a moça mantinha relação simultaneamente
com mais de um amante; a fase imperial se refere ao período em que Brás
Cubas monopoliza as atenções de Marcela. Por isso, a frase não pode ser
compreendida de um ponto de vista otimista.
08. Alternativa e.
Ao conversar com o
leitor, o narrador de Memórias póstumas costuma ironizar o gosto por enredos
fáceis, por estruturas simples, que predominam nos romances do Romantismo.
Nas demais alternativas, observe que:
narrador não
deturpa os fatos: narra-os conforme soube percebê-los na ocasião;
a narrativa certamente não é alógica e predomina a seqüência linear,
cronológica;
empregando a metalinguagem, o narrador costuma comentar a formulação
de seu texto, avisando o leitor, por exemplo, dos saltos e digressões
da obra;
a ironia e o desencanto do narrador em 1.a pessoa, Brás Cubas,
não advém de uma crise pessoal, mas da percepção de que os homens todos
agem por interesses particulares.
09. Alternativa c.
Para Machado, não
há melhoria do caráter humano, nem mesmo para as pessoas mais humildes
(lembre-se da atitude do ex-escravo Prudêncio, que apanhava de Brás Cubas
e que bateu em público em seu escravo). Brás Cubas apenas ofertou o dinheiro
a D. Plácida para comprar-lhe a conivência com o seu caso amoroso. D.
Plácida, por sua vez, aceitou o dinheiro porque dele necessitava e, a
partir disso, esquece seus princípios e aceita o relacionamento entre
Brás e Virgília. O aforismo “o vício é muitas vezes o estrume da virtude”
indica que por trás das aparência, o bem pode ser resultado de más ações.
10. Alternativa b.
O tom do romance não pode ser considerado mórbido.
A frase indica ironicamente que as injustiças, a miséria humana, as vidas
sem êxitos (como a de D. Plácida e de Eugênia) seriam um dádiva, como
um bem, idéia de que duvida o próprio Brás Cubas, como revelam os trechos:
“Mas adverti logo que, se não fosse D. Plácida, talvez os meus
amores com Virgília tivessem sido interrompidos, ou imediatamente quebrados,
em plena efervescência; tal foi, portanto, a utilidade da vida de D. Plácida.
Utilidade relativa, convenho (...)”
“O que eu não sei é se a tua [de Eugênia]
existência era muito necessária ao século.”