Português

 

Revisão sobre este assunto

 

01. Neste fragmento de Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto

”— Minha pobreza tal é
que grande coisa não trago:
trago este canário da terra
que canta corrido e de estalo.

— Minha pobreza tal é
que minha oferta não é rica:
trago daquela bolacha d’água
que só em Paudalho se frabrica.”

os pronomes demonstrativos destacados indicam respectivamente:

a. Proximidade do destinatário; distância do emissor
b. Distância do destinatário; proximidade do destinatário
c. Proximidade do emissor; sinônimo de conhecido
d. Distância do destinatário; sinônimo de conhecido
e. Proximidade do emissor e do destinatário; distância do emissor e do destinatário


02.
No texto

”E Gonçalo, desde estudante, amara sempre aquele Hércules bonacheirão, que o seduzia pela prodigiosa força, a incomparável potência em beber todo um pipo e comer todo um anho, e sobretudo pela independência, uma suprema independência, que, apoiada ao bengalão terrífico e com as suas oito moedas dentro da algibeirão, nada temia e nada desejava nem da Terra nem do Céu.”

Eça de Queirós – A ilustre casa de Ramires

o adjetivo bonacheirão vem parcialmente explicado pela expressão:

a. “prodigiosa força”
b. “incomparável potência”
c. “suprema independência”
d. “bengalão terrífico”
e. “nada temia e nada desejava”


03.
Leia com atenção a composição de Gilberto Gil.

Doce do carnaval

A primeira vez que pai me trouxe
Pra que que fosse batizado
Na religião pagã do carnaval
Eu pedi que mãe me desse um doce
Pra que o batizado fosse
Mais gostoso do que o batizado com sal
Eu tive uma febre aquele dia
De alegria, de euforia, de prazer de viver
E coisa e tal
Pai me trouxe, mãe me deu um doce
Fosse lá qual fosse o doce
Nunca, nunca, nunca mais fiquei normal. (...)

Quanta gente veio ver. WEA Music Brasil, 1998.

Assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre as estrofes transcritas.

a. A presença de um artigo definido ou indefinido diante dos substantivos “pai” e “mãe” não alteraria o sentido do texto.
b. Diante de palavras que indicam parentesco não se emprega artigo. Daí as construções: “pai me trouxe”, “mãe me desse”.
c. Como se trata especificamente dos pais do “eu” lírico, não se poderia empregar artigos indefinidos diante de “pai” e “mãe”, mas os definidos seriam obrigatórios.
d. No contexto, “pai” e “mãe” referem-se aos pais do “eu” lírico. Assim, o emprego de artigos não seria adequado. No entanto, seria aceitável a presença de pronomes possessivos.
e. A presença do artigo definido diante dos substantivos “pai” e “mãe” funcionaria como uma qualificador que indicaria como são bons pais.


04.
Leia com atenção o fragmento que segue.

“Enorme desgraça. Estava-se no velório de Damastor Dagobé, o mais velho dos quatro irmãos, absolutamente facínoras. A casa não era pequena; mas nela mal cabiam os que vinham fazer quarto. Todos preferiam ficar perto do defunto, todos temiam mais ou menos os três vivos.

Demos, os Dagobés, gente que não prestava. Viviam em estreita desunião, sem mulher em lar, sem mais parentes, sob a chefia despótica do recém-finado. Este fora o grande pior, o cabeça, ferrabrás e mestre, que botara na obrigação da ruim fama os mais moços – “os meninos”, segundo seu rude dizer.”

Guimarães Rosa – Os irmãos Dagobé In Primeiras estórias. 23.a edição. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1992.

Sobre o fragmento seria incorreto afirmar:

a. No contexto, “fazer quarto” deve ser considerada uma expressão, uma vez que a separação entre verbo e substantivo implicaria alteração de sentido.
b. Em “todos temiam mais ou menos os três vivos” explora-se uma ambigüidade: “mais ou menos” pode ser interpretada como uma locução (com valor de “um pouco”) ou não.
c. No texto, o emprego do artigo segue a padrões particulares. Em “sem mulher em lar”, a ausência do artigo desrespeita completamente as normas da língua.
d. A construção inusitada “o grande pior” resulta da junção de um adjetivo que remete a tamanho e outro que remete à qualidade.
e. O substantivo “demos”que inicia o segundo parágrafo assume um caráter e caracterizador dos irmãos e destaca-se, em especial, pela posição que ocupa na frase.


05.
Observe:

“Chove chuva choverando
Que a cidade de meu bem
Está-se toda se lavando” Oswald de Andrade

Sobre o verso inicial é incorreto afirmar:

a. Há dois verbos e um substantivo cognatos. b.c.d. e.
b. Há uma expressão pleonástica.
c. Do ponto de vista sonoro, observa-se uma aliteração.
d. “Choverar” deve ser considerada uma criação vocabular.
e. No contexto, “choverando” é um advérbio de origem.


Literatura

06. Indique a alternativa que completa correta e respectivamente as frases de Memórias póstumas de Brás Cubas com as referências às personagens femininas do romance.

“Vi que era impossível separar duas coisas que no espírito de ____________ estavam inteiramente ligadas: o nosso amor e a consideração pública.”
“_______________ morria de amores pelo Xavier. Não morria, vivia.”
“ Tu, minha ______________, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem...”
“ Faltava-lhe elegância, mas compensava-a com os olhos, que eram soberbos e só tinham o defeito de se não arrancarem de mim, exceto quando desciam ao prato; mas ________________ comia tão pouco, que quase não olhava o prato.”

a. Virgília – Marcela – a “flor da moita” – Nhã-loló.
b. a “flor do pântano” – Virgília – Eugênia – Nhã-loló.
c. Marcela – Virgília – Eugênia – a “flor da moita”.
d. Virgília – Eugênia – a “flor da moita” – a “flor do pântano”.
e. Eugênia – Marcela – Nhã-loló – Virgília.


07.
Leia os três trechos que seguem e avalie as afirmações que se fazem. Por fim, assinale a alternativa correta.

“Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma [filosofia]; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim: embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação.”

“Lobo Neves contou-me que a vida política era um tecido de invejas, despeitos, intrigas, perfídias, interesses, vaidades. Evidentemente havia aí uma crise de melancolia; tratei de combatê-la.”

“ Teve duas fases a nossa paixão, ou ligação, ou qualquer outro nome, que eu de nomes não curo; teve a fase consular e a fase imperial.”

I. Brás Cubas ora adota uma postura mais franco e direta em suas confissões, acusando os próprios defeitos (trecho I), ora mantém em seu relato a mesma hipocrisia e cinismo que sustentava em vida (trecho II).
II. A cultura como veleidade, como acessório para admiração pública é um traço que se articula no romance com questões mais abrangentes: a falsidade humana e a falta de coerência entre a admiração da cultura européia por nossas elites e o atraso da estrutura sócio-econômica brasileira.
III. As relações humanas, que podem ser cordatas e equilibradas como revela o trecho III, desmentem o pessimismo que Lobo Neves manifesta (trecho II); por isso Brás Cubas afirma que a as considerações do rival são fruto de melancolia.

a. Todas as afirmações estão corretas.
b. Somente as afirmações I e II estão corretas.
c. Somente as afirmações II e III estão corretas.
d. Somente a afirmação I está correta.
e. Somente a afirmação II está correta.


08.
Sobre o narrador de Memórias póstumas, é correto afirmar que:

a. deturpa o relato dos fatos passados, porque quer demonstrar que a percepção da realidade muda com o passar do tempo, com o amadurecimento.
b. interrompe constantemente o fluxo do enredo para interpor reflexões, comentários, análises, analogias, de modo que a narrativa se torna alógica, alinear, representando as confusas lembranças do “defunto autor”.
c. dificulta a leitura de suas memórias porque não avisa o leitor das freqüentes digressões.
d. manifesta um tom constantemente irônico e desencantado porque está em um momento de crise pessoal: sente-se individualmente fracassado e reconhece que foi sempre egoísta e vaidoso.
e. zomba dos leitores virtuais, fazendo supor que eles não seriam capazes de apreciar uma obra que não segue a estrutura tradicional do romance porque estão acostumados com os lugares-comuns do Romantismo.


09.
eia os dois fragmentos e assinale a alternativa correta.

“Custou-lhe a D. Plácida muito a aceitar a casa; farejara a intenção, e doía-lhe o ofício; mas afinal cedeu. Creio que chorava, a princípio: tinha nojo de si mesma. Ao menos, é certo que não levantou os olhos para mim durante os primeiros dois meses; falava-me com eles baixos, séria, carrancuda, às vezes triste. (...) Ao cabo de seis meses quem nos visse a todos três juntos diria que D. Plácida era minha sogra.

Não fui ingrato; fiz-lhe um pecúlio de cinco contos, – os cinco contos achados em Botafogo, — como um pão para a velhice. D. Plácida agradeceu-me com lágrimas nos olhos, e nunca mais deixou de rezar por mim, todas as noites, diante de uma imagem da Virgem que tinha no quarto. Foi assim que lhe acabou o nojo."

“Se não fossem os meus amores, provavelmente D. Plácida acabaria como tantas outras criaturas humanas; donde se poderia deduzir que o vício é muitas vezes o estrume da virtude.”

a. D. Plácida não queria aceitar o relacionamento entre Brás Cubas e Virgília porque se tratava de um adultério. Sua atitude prova que em Memórias póstumas de Brás Cubas as pessoas mais simples mantêm um caráter menos condenável que os membros da elite. b. c. d. e.
b. Brás Cubas é um personagem complexo: não pode simplesmente ser considerado mau caráter, pois é capaz de ações benevolentes e desinteressadas, como o dinheiro que doa para D. Plácida.
c. Brás Cubas é cínico ao afirmar que seus amores ilícitos acabaram por provocar um bem; D. Plácida é hipócrita ao substituir suas restrições ao adultério de Virgília em função do pecúlio ofertado por Brás Cubas.
d. O aforismo “o vício é muitas vezes o estrume da virtude” sublinha a idéia de que o egoísmo, a ambição, a falta de princípios éticos podem dar lugar a boas ações, que alteram positivamente o caráter humano.
e. D. Plácida aproveita-se do adultério de Virgília para chantagiar Brás Cubas e garantir seu futuro.


10.
Indique a alternativa que apresenta uma interpretação inaceitável do trecho referente ao capítulo “O Humanitismo”.
a. “Assim, descender do peito ou dos rins de Humanitas, isto é, ser um forte, não era o mesmo que descender dos cabelos ou da ponta do nariz.” (    ) Justificam-se hipocritamente as diferenças entre os homens, como se elas fossem um fator inato e não um resultado negativo da organização social.
b. “Como a vida é o maior benefício do universo, e não hmendigo á que não prefira a miséria à morte (...), segue-se que a transmissão da vida, longe de ser uma ocasião de galanteio, é a hora suprema da missa espiritual. Porquanto verdadeiramente há só uma desgraça: é não nascer.” (    ) O tom mórbido do romance é ironizado, porque a morte é o pior castigo que a humanidade sofre.
c. “Nota que eu não faço o homem um simples veículo de Humanitas; não, ele é ao mesmo tempo veículo, cocheiro e passageiro: ele é o próprio Humanitas reduzido; daí a necessidade de adorar-se a si próprio.” (    ) A afirmação procura tornar aceitáveis a vaidade e o egocentrismo.
d. “Sendo cada homem uma redução de Humanitas, é claro que nenhum homem é fundamentalmente oposto a outro homem, quaisquer que sejam as aparências contrárias.” (    ) Trata-se de uma paródia das noções de fraternidade e de igualdade, base da ideologia burguesa e liberal, adotada no Brasil como “fachada”.
e. “Conta três fases Humanitas: a estática, anterior a toda a criação; a expansiva, começo das coisas; a dispersiva, aparecimento do homem.” (   ) Paródia da teoria do Positivismo de Augusto Comte, que estabelecia três fases do desenvolvimento humano: a teológica, a metafísica e a positiva.

 

Gabarito