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Revisão sobre este assunto

 

01. Assinale a alternativa que contém uma afirmação incorreta sobre o emprego de tempos e modos no texto que segue.

“Nunca mais que o cabriolé de seu Lula enchesse as estradas com a música de sua campainhas. A família do Santa Fé não ia mais à missa aos domingos. A princípio correra que era doença do velho. Depois inventaram que o carro não podia mais rodas, de podre que estava. Os cavalos não agüentavam mais com o peso do corpo. Na casa-grande do engenho do capitão Tomás a tristeza e o desânimo haviam tomado conta até de D. Amélia. Não tinha coragem de sair de casa com aquela afronta, ali a dois passos, com um morador atrevido sem levar em conta as ordens do senhor de engenho. Todos na várzea se acovardavam com as ordens do cangaceiro.”

José Lins do Rego – Fogo Morto.

a. O subjuntivo – “enchesse” – expressa ação possibilidade que não se realizará.
b. O imperfeito – “ia” – expressa um hábito.
c. O mais-que-perfeito – “correra” – expressa ação anterior a “inventaram”, que se encontra na oração seguinte.
d. O imperfeito – “agüentavam”– está empregado em uma oração descritiva.
e. O imperfeito nas últimas orações – “tinha”, “acovardavam” – expressa ação habitual.


02.
Leia o fragmento de Vidas Secas com atenção antes de responder.

“Indispensável os meninos entrarem no bom caminho, saberem cortar mandacaru para o gado, consertar cercas, amansar brabos. Precisavam ser duros, virar tatus. Se não calejassem, teriam o fim de seu Tomás da bolandeira. Coitado. Para que lhe servira tanto livro, tanto jornal? Morrera por causa do estômago doente e das pernas fracas.

Um dia... Sim, quando as secas desaparecessem e tudo andasse direito... Seria que as secas iriam desaparecer e tudo andar certo? Não sabia. (...)

Graciliano Ramos

No fragmento, o emprego do imperfeito do subjuntivo, que está destacado, expressa uma ação:

a. futura e hipotética
b. passada e hipotética
c. futura e real
d. presente e possível
e. passada e duradoura


03.
Leia o fragmento com atenção.

“(...)
Ao cabo de alguns anos de peregrinação, atendi às súplicas de meu pai: — “Vem, dizia ele na última carta; se não vieres depressa, acharás tua mãe morta!”Esta última palavra foi para mim um golpe. Eu amava minha mãe; tinha ainda diante dos olhos as circunstâncias da última bênção que ela me dera, a bordo do navio. “Meu triste filho, nunca mais te verei!”, soluçava a pobre senhora apertando-me ao peito. E essas palavras ressoavam-me agora, como uma profecia realizada. (...)

Vim... Mas não; não alonguemos este capítulo. Às vezes, esqueço-me a escrever, e a pena vai comendo papel, com grave prejuízo meu, que sou autor. Capítulos compridos quadram melhor a leitores pesadões; e nós não somos um público in-folio, mas in-12, pouco texto, larga margem, tipo elegante, corte dourado e vinhetas... principalmente vinhetas... Não, não alonguemos o capítulo.

Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas.

Assinale a alternativa que possui uma afirmação correta sobre as últimas frases do texto transcrito.

a. O presente do indicativo(2.o parágrafo) foi empregado como referência ao presente do narrador e do leitor.
b. O presente do indicativo tem valor de presente histórico, uma vez que, em narrativas, o pretérito perfeito é o tempo mais característico.
c. A forma “alonguemos”, em suas duas ocorrências, tem valor de futuro do presente.
d. A forma “alonguemos”, em suas duas ocorrências, tem valor de presente do indicativo.
e. O presente do indicativo foi incorretamente empregado, uma vez que faz referência ao presente do narrador, o que constituiria uma ação passada com relação ao presente da leitura.


04.
A estrofe que segue pertence a Morte e vida Severina. Trata-se da fala de uma personagem comentando a formosura de um recém-nascido.

“— Sua formosura
deixai-me que cante:
é um menino guenzo
como todos os desses mangues,
mas a máquina de homem
já bate nele, incessante.”

João Cabral de Melo Neto

Empregando-se a 2.a pessoa do singular para identificar o destinatário da mensagem,

a. seriam alterados três verbos, de modo que ficariam “deixa”, “canta”, “bata”.
b. Somente o primeiro verbo se alteraria para “deixe”.
c. Somente o primeiro verbo se alteraria para “deixa”.
d. Seriam alterados três verbos, de modo que ficariam “deixes”, “cantas”, “batas”.
e. Somente o primeiro verbo se alteraria para “deixas”.


05.
Leia com atenção as estrofes de Oswald de Andrade.

Balada do Esplanada

Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes d’ir
Pro meu hotel

É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada

Eu qu’ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel

No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel


Na última estrofe transcrita, o futuro do pretérito indica:

a. ação real no futuro
b. ação possível com relação ao presente
c. ação concomitante à de fazer versos
d. dúvida com relação à possibilidade de realização dessas ações passadas
e. ação hipotética e posterior à de fazer versos


Literatura

06.
Leia as afirmações sobre “A terceira margem do rio” e, em seguida, marque a alternativa correta.

I. Ao abandonar a família e decidir isolar-se no rio, o personagem nosso pai revela o desejo de buscar sentido para a própria existência e, por essa atitude, é condenado pela mulher e filhos.
II. O isolamento do pai não pode ser analisado racionalmente, na verdade, trata-se de uma metáfora para o desvario humano, muitas vezes originado pelo desejo de profunda insatisfação com a vida terrena. III. A decisão de manter-se para sempre em uma canoa, nas águas de um rio, simbolicamente representa o desejo de um homem encontrar uma verdade superior, transcendental e provoca intensa reflexão em um dos filhos que se culpa por não ter coragem de seguir a opção do pai.

a. Todas as afirmações estão corretas.
b. Somente as afirmações I e II estão corretas.
c. Somente as afirmações II e III estão corretas.
d. Somente a afirmação I está correta.
e. Somente a afirmação III está correta.


07.
Assinale a alternativa incorreta em relação ao conto “A benfazeja”.

a. O controle e o poder de Mula-Marmela de comandar dois homens brutos são indícios de que a mulher parece ter uma força que não se explica por meio da razão.
b. As forças do bem e do mal são apresentadas claramente como princípios opostos que se reconhecem nos comportamentos humanos e, quando analisadas cuidadosamente, indicam os caminhos adequados a se seguir.
c. Mula-Marmela é especialmente rejeitada pela população por seu aspecto repugnante e pelo fato de a ela ser atribuída a responsabilidade pela morte do marido e do cego Retrupé.
d. O narrador manifesta não só apoio ao comportamento de Mula-Marmela, mas sobretudo insiste em associar o triste destino da mulher a uma dura missão que, abnegadamente, é cumprida.
e. Os habitantes do povoado não compreendem a verdadeira significação das atitudes de Mula-Marmela, por isso, dominados pela ignorância julgam erroneamente a mulher.


08.
Assinale a alternativa que apresenta um conto que pode servir de ilustração para o que se afirma a seguir.

Em diversos contos de Primeiras estórias, os personagens manifestam atitudes aparentemente absurdas, estranhas, que só podem ser interpretadas num plano místico e como decorrentes do desejo de depurar a alma.

a. “Prilimpsiquice”
b. “Darandina”
c. “Sorôco, sua mãe, sua filha”
d. “Nada e nossa condição”
e. “Partida do audaz navegante”


09.
Na obra de Guimarães Rosa, há personagens que parecem ter um poder de comunicação com dimensões misteriosas da existência; outros escolhem passar por experimentação em busca de um aprimoramento moral ou filosófico; há aqueles que são bons inatos, enquanto alguns parecem enviados das trevas.

O trecho acima trata de quatro modelos de personagens de Primeiras estórias. Indique a alternativa que, respectivamente, apresente exemplos de personagem que detém poder de comunicação com dimensões misteriosas da existência e de personagem que parece vir de dimensões superiores.

a. Pai (“A terceira margem do rio”); Nhinhinha (“A menina de lá”).
b. O moço (“Um moço muito branco”); Tarantão (“Tarantão, meu patrão”).
c. Nhinhinha (“A menina de lá”); Pai (“A terceira margem do rio”)
d. Mula-Marmela (“A benfazeja”); Nhinhinha (“A menina de lá”).
e. Nhinhinha (“A menina de lá”); O moço (“Um moço muito branco”)


10.
O conto “O espelho” focaliza especialmente:

a. os limites entre a loucura e a sanidade.
b. a investigação de aspectos sobrenaturais.
c. a reflexão sobre a hipocrisia das aparências.
d. a dedicação à busca pelo autoconhecimento.
e. o distanciamento da realidade material.

 

Gabarito