A seqüência de ações
faz pressupor a ação de desmanchar como posterior à de urinar.
Assim, as alternativas d e e não são aceitáveis.
Se a reelaboração
do fragmento tem como opção a certeza quanto à realização das duas ações,
as alternativas b e c são inadequadas, uma vez que misturam
certeza com possibilidade (futuro do pretérito).
Na alternativa a,
opta-se pelo hipotético, o que determina a correlação entre imperfeito
do subjuntivo e o futuro do pretérito do indicativo.
02. Alternativa a.
As duas ações são
concomitantes. Portanto são inadequadas as alternativas b e d.
Como primeiro verbo
pertence a uma oração subordinada, somente nele se poderia empregar o
verbo no subjuntivo. Além disso, não se pode desrespeitar a correlação
(entre subordinada e principal): imperfeito do subjuntivo na oração subordinada,
futuro do pretérito na oração principal.
03.
Alternativa a.
Os dois primeiros
verbos devem ser empregados na mesma forma, uma vez que pertencem a orações
coordenadas; além disso, por estarem em orações subordinadas causais com
a conjunção “como”, é aceitável o emprego do subjuntivo.
O 3.o verbo pertence
à oração principal e faz referência a um fato passado, concluído e cuja
ação é concomitante às dos dois primeiros verbos. Portanto a opção só
pode incidir sobre o pretérito perfeito do indicativo.
04. Alternativa d.
As três ações caracterizam
um hábito, o que determina o emprego do mesmo tempo verbal, como só acontece
nas alternativas d e e. No entanto, a alternativa e apresenta
um erro de colocação pronominal, uma vez que o futuro do pretérito exigiria
a mesóclise (reunir-se-ia).
05.
Alternativa e.
A pergunta determina
à frase um caráter de dúvida, tornando aceitável o emprego do futuro do
presente. Como o verbo colocado entre travessões vem colocado em um tempo
anterior ao do primeiro, empregou-se o presente do indicativo. Por outro
lado, a característica do amigo (que está expressa no texto por meio do
verbo adorar) é constante, o que determina o emprego do presente
do indicativo.
Obs.: Em nenhuma das
três formas verbais é admissível o emprego do subjuntivo, o que elimina
a possibilidade de escolha das alternativas c e d devem.
Literatura
06.
Alternativa b.
Em “Mar português”,
Fernando Pessoa defende que a grandiosidade das conquistas ultramarinas
exigiu e justificou sofrimentos humanos. Essa idéia se contrapõe às acusações
do velho do Restelo, que procura mostrar que a pretensão portuguesa, movida
pelo desejo de glória e poder, seria um risco para a pátria (deixaria
o reino desprotegido contra os árabes) e representaria um custo elevadíssimo
para os seres humanos, que se arriscariam a morrer, desestruturando famílias
e provocando profundo e descabido sofrimento. Sendo assim, Camões agrega
em sua obra uma crítica às navegações que pretende louvar e com isso contraria
o modelo da epopéia clássica, que não questionava jamais a validade dos
atos praticados pelos heróis.
07. Alternativa b.
Na segunda parte de
Lira dos vinte anos, manifesta-se a consciência da realidade frustrante,
que se contrapõe ao sonho e à idealização da primeira parte, e mostra
que é impossível ou inadequado viver o mundo pela ótica da fantasia. Resulta
disso o tédio, o isolamento, o tom sarcástico do poeta desiludido. Em
“Idéias íntimas” esse desinteresse por um mundo prosaico reflete-se em
um longo momento de reflexão, em que o eu lírico, sozinho em seu quarto,
dialoga com os objetos à sua volta e analisa sua vida. No trecho em questão,
o leito serve de palco para as duas tendências românticas: o escapismo
pelo sonho, pelo devaneio e a tomada de consciência de que as fantasias
juvenis acabam em frustração, em desolada sensação de vazio.
Na alternativa a,
reparar que os desejos do poeta no trecho são manifestados por meio de
sonhos da juventude, não de uma maneira “realista”; na alternativa c
não se pode afirmar que os sonhos só gerassem decepção: o poeta se lembra
dos sonhos juvenis como fonte de prazer, como forma de “asilo” da realidade
insatisfatória; na alternativa d, as frustrações amorosas do poeta
não estão no plano da realidade, não há referências no trecho a casos
de amor “reais”; na alternativa e, a banalidade não se encontra
como tema, mas como cenário: o tema são os sonhos da juventude.
08.
Alternativa e.
O Romantismo pretendeu
cumprir uma dupla função: exaltar as qualidades do Novo Mundo, ressaltar
a “cor local”, o exotismo americano e, ao mesmo tempo, prever para a jovem
nação – recém independente – um futuro glorioso, que elevasse a ex-colônia
“selvagem” ao patamar da civilização burguesa européia. Por isso, Peri
e a cultura indígena em O guarani são tanto mais louvados quanto
mais se ajustam aos padrões de comportamento dos brancos. Isso explica
que haja freqüentemente no romance elogios ambíguos ao herói, como no
fragmento II, em que se apresenta a idéia de que, apesar de selvagem,
Peri tinha bons sentimentos, o que contradiz a idéia do primeiro fragmento,
de que os sentimentos mais francos nascem da vida natural, selvagem (o
que equivale à tese de Russeau de que o primitivo era, por natureza, bom
e a sociedade o corrompia).
09. Alternativa d.
O narrador de A
ilustre casa de Ramires é de 3.a pessoa e mantém-se bastante neutro
em relação às ações e comportamentos de Gonçalo. O julgamento nunca se
dá de modo expresso, mas por certas ironias, pelo ridículo – facilmente
perceptível pelo leitor – de certas cenas.
10.
Alternativa e.
Brás Cubas, logo depois
do susto do acidente de que fora vítima, sente um ímpeto de agradecer
ao almocreve que o salvara. Com o desenrolar da cena e com o perigo já
controlado, Brás começa a refletir sobre a quantia da recompensa. Analisa
fisicamente o almocreve, percebe sua pobreza e decide que uma moeda de
ouro seria excessivo. Depois de ter dado a moeda de prata, volta-se para
verificar a reação do almocreve, constata a franca felicidade do moço
e conclui que não precisava ter gastado tanto: ou seja, Brás Cubas não
gratificou o almocreve por aquilo que julgava adequado, mas somente na
medida que sua ação causasse algum efeito, resultasse em manifestação
pública de gratidão pelo almocreve. Assim, balanceou “perdas” e “ganhos”,
isto é, os gastos e a gratidão do almocreve. Na alternativa a,
é verdade que o almocreve tenta bajular Brás Cubas, chamando-o de doutor
e dando um beijo no cavalo, mas não foi essa a razão de Brás ter diminuído
o valor da recompensa. Na alternativa c, não se pode afirmar que
o almocreve dependia de esmolas.
11.
Alternativa a.
Ainda que a forma
sintética, a apresentação bruta e simples de uma cena aproxime “Sinal
de apito” do poema-piada, não se pode afirmar que esse gênero de composição
poética não possa ser veículo de crítica, por meio do humor, da sátira,
da paródia. No caso, a mecanização da vida moderna é satirizada por meio
do exagero, o que não significa que a realidade esteja deturpada: continua
sendo possível reconhecer no poema uma das características da realidade
moderna.
12. Alternativa c.
Na primeira cena de
Morte e vida severina, o protagonista insiste na idéia de que é
igual a todos os demais “severinos”, ou seja, retirantes pobres. O menino
que nasce tampouco se diferencia dos demais “irmãos de leite, de lama,
de ar” e não pode representar uma alteração automática e radical das injustas
estruturas sócio-econômicas. Por isso o menino não é um messias, que magicamente
pode mudar o curso da História (observar a alternativa a); por outro lado,
tampouco deixa de representar algo importante: a persistência da vida,
a força humana que se perpetua a cada nascimento e que mantém viva a esperança
de uma vida social diferente, mais justa (alternativa e). Lembre-se
de que não se sabe o que acontece com Severino depois do nascimento do
filho de mestre José, já que o protagonista não volta a se manifestar
(alternativa b).
13.
Alternativa c.
É verdade que a estrutura
de Vidas secas pode ser considerada circular, já que o primeiro
e o último capítulos flagram a família de Fabiano em uma mesma situação:
a fuga da seca. A afirmação apresenta, portanto, uma justificativa equivocada
para o fato de a estrutura da narrativa ser circular.
14. Alternativa c.
A afirmação I é incorreta
porque o narrador apresenta os acontecimentos mais surpreendentes como
se fossem aceitáveis e jamais põe em dúvida a possibilidade de ações mágicas,
sobrenaturais.
A afirmação III é
incorreta porque a enumeração (“veio muito peixe, veio pirandira veio
pacu veio cascudo veio bagre veio jundiá tucunaré”) é de fato um recurso
freqüentemente empregado em Macunaíma, mas o efeito de sentido
não é sempre (nem predominantemente) o de indicar a fartura, a exuberância
da natureza brasileira. Lembre-se de que, mesmo no trecho em questão,
Macunaíma e seus irmãos enfrentam um período de miséria, o que contradiz
a idéia de riqueza natural.
15.
Alternativa d.
O
narrador do conto, onisciente, evidentemente conhece o desfecho do episódio,
mas não o revela antecipadamente; antes, adota a perspectiva da população
que compareceu ao velório, fingindo não compreender a reação pacífica
dos irmãos de Damastor Dagobé. Comprova também a adoção dessa perspectiva
expressões como “Lá fora” e “Eles, os Dagobé”.