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Revisão sobre este assunto

 

01. Leia o texto com atenção.

“Fabiano meteu-se na vereda que ia desembocar na lagoa seca, torrada (...) Espiava o chão como de costume, decifrando restos. Conheceu os da égua ruça, com certeza. Deixara pêlos brancos num tronco de angico. Urinara na areia e o mijo desmanchara as pegadas, o que não aconteceria se se tratasse de um cavalo.”

Graciliano Ramos – Vidas secas

Assinale a alternativa que propõe uma adequada substituição para os verbos destacados.

a. urinasse – desmancharia
b. urinaria – desmanchará
c. urinou – desmancharia
d. urinará – desmancha
e. urina – desmanchou


02.
Leia com atenção o fragmento de Memórias póstumas de Brás Cubas para responder.

“(...) se eu disse que a vida humana nutre de si mesma outras vidas, mais ou menos efêmeras, como o corpo alimenta os seus parasitas, creio não dizer uma cousa inteiramente absurda. Mas, para não arriscar essa figura menos nítida e adequada, prefiro uma imagem astronômica: o homem executa à roda do grande mistério um movimento duplo de rotação e translação; tem os seus dias, desiguais como os de Júpiter, e deles compõe o seu ano mais ou menos longo.

No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada ministerial. (...).”

Machado de Assis

Assinale a alternativa em que se mantém a correta correlação de tempos e modos entre os dois verbos destacados no texto.

a. terminasse – concluiria
b. tivesse terminado – terá concluído
c. terminaria – concluiria
d. terminei – concluíra
e. terminar – concluiria


03.
Assinale a alternativa que apresenta uma correta correlação de tempos e modos para os verbos destacados no texto.

“Como o semanário apareceu regularmente durante três domingos, e publicou realmente estudos recheados de grifos e citações sobre as Capelas da Batalha, a Tomada de Ormuz, a Embaixada de Tristão da Cunha, começou logo a ser considerado uma aurora, ainda pálida, mas segura, de Renascimento Nacional.”

Eça de Queirós

a. aparecesse – publicasse – começou
b. aparecera – tivesse publicado – começara
c. apareceria – publicará – começará
d. aparecia – publicava – começava
e. aparecesse – publicou – começou


04.
Assinale a alternativa que propõe uma correta substituição para os verbos da frase que segue.

“O Congresso reúne-se de terças a quintas, depois volta para as suas bases, onde fica de sextas a segundas.”

Luis Fernando Veríssimo – “Pioneirismo”. In O Estado de S. Paulo. 21/01/2000

a. se reunirá – voltará – ficou
b. reunir-se-á – voltará – ficara
c. reunir-se-ia – voltaria – ficará
d. reunir-se-á – voltará – ficará
e. se reuniria – voltaria – ficaria


05.
Assinale a alternativa que mantém a correta correlação dos tempos verbais do texto que segue.

“Quem não tem – ou já teve – um amigo que adora mostrar a toalhinha ‘adquirida’ num cruzeiro marítimo ou o copo de cerveja com o logotipo de um bar badalado?”

Veja

a. teria – teria tido – adoraria
b. teve – tivera – adorara
c. tenha – tivesse – adorasse
d. tenha – tivesse tido – tenha adorado
e. terá – tem – adora


Literatura

Teste seus conhecimentos sobre as dez obras da lista da Fuvest 2000

06. Leia os textos que seguem.

Texto I

Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

Texto II

“Em tão longo caminho e duvidoso
Por perdidos as gentes nos julgavam,
As mulheres co’um choro piedoso,
Os homens com suspiros que arrancavam.
Mães, esposas, irmãs, que o temeroso
Amor mais desconfia, acrescentavam
A desesperação e frio medo
De já nos não tornar a ver tão cedo."

Camões

A partir dos trechos e de seus conhecimentos de Os lusíadas, assinale a alternativa incorreta.

a. O texto II pertence ao episódio “O velho do Restelo”, de Os lusíadas, em que Camões indica uma crítica às pretensões expansionistas de Portugal, nos séculos XV e XVI.
b. Apesar das diferenças de estilo, tanto o texto de Camões quanto o de Fernando Pessoa indicam uma mesma idéia: a de que o caráter heróico das descobertas marítimas exige e justifica riscos e sofrimentos.
c. O fato de Camões, em Os lusíadas, lançar dúvidas sobre a adequação das conquistas ultramarinas – o assunto principal do poema – contrapõe-se ao modelo clássico da epopéia.
d. Ainda que abordem uma mesma circunstância histórica e ressaltem as mesmas reações humanas, o texto de Fernando Pessoa e o episódio “O velho do Restelo” chegam a conclusões diferentes sobre a validade das navegações portuguesas.
e. Os dois textos referem-se aos sofrimentos que a expansão marítima portuguesa provocou.


07.
Leia o trecho do poema da 2.a parte de Lira dos vinte anos.

“Meu pobre leito! eu amo-te contudo!
Aqui levei sonhando noites belas;
as longas horas olvidei(1) libando(2)
Ardentes gotas do licor doirado,
Esqueci-as no fumo, na leitura
Das páginas lascivas(3) do romance...
Meu leito juvenil, da minha vida
És a página d’oiro. Em teu asilo
Eu sonho – me poeta, e sou ditoso,
E a minha mente errante devaneia em mundos
Que esmalta a fantasia! (...)
Ó meus sonhos de amor e mocidade,
Por que ser tão formosos, se devíeis
Me abandonar tão cedo... e eu acordava
Arquejando a beijar meu travesseiro?"
1. olvidar: esquecer. 2. libar: beber.
3. lascivo: luxurioso, sensual, devasso.

“Idéias íntimas”

Sobre o texto de Álvares de Azevedo, é correto afirmar que:

a. a voluptuosidade em poemas da 2.a parte de Lira dos vinte anos é abordada de um ponto de vista mais realista, o que se observa no trecho transcrito, em que o eu lírico confessa seus mais ardentes desejos.
b. a dualidade entre sonho e realidade está dramatizada no ambiente da cama, já que lá se opera tanto o distanciamento da realidade (“em teu asilo”), quanto a consciência dos limites da fantasia romântica (“e eu acordava / Arquejando a beijar meu travesseiro”).
c. a juventude aparece no poema como um tempo em que sonhos fantasiosos não podiam compensar a decepção com a realidade e eram apenas causa de sofrimento e decepção.
d. faz parte dos devaneios do jovem romântico imaginar-se imerso na fruição e na produção literária, que o fariam esquecer as frustrações amorosas por que passava na realidade.
e. a referência aos objetos da casa – como o leito referido no trecho transcrito – prova que já no Romantismo a poesia buscou no cotidiano temas mais prosaicos.


08.
Os dois trechos que seguem são de O guarani, de José de Alencar. Leia-os e indique a alternativa correta.

“Na vida selvagem, tão próxima da natureza, onde a conveniência e os costumes não reprimem os movimentos do coração, o sentimento é uma flor que nasce como a flor do campo e cresce em algumas horas com uma gota de orvalho e um raio de sol.”

“(...) o fidalgo com a sua lealdade e cavalheirismo apreciava o caráter de Peri, e via nele, embora selvagem, um homem de sentimentos nobres e de alma grande.”

a. Os fragmentos permitem afirmar que o intuito de consagrar a paisagem nacional e de exaltar o povo brasileiro obrigou que em O guarani a civilização e a cultura européias fossem desvalorizadas.
b. Por ser uma obra cujo objetivo é o de resgatar a origem mítica da nação brasileira, O guarani não enfatiza no enredo as questões emocionais e amorosas.
c. O herói Peri constitui um símbolo nacional porque, com paciência, dedicação e astúcia, resiste à dominação branca e preserva, ao final da narrativa, sua superioridade “selvagem”, seja no plano físico, seja no plano cultural, conforme indicam os dois fragmentos.
d. A indicação da vida selvagem como sendo superior é completamente desmentida em outros momentos da obra, em que a vida selvagem é recriminada e o próprio Peri prefere se transformar em um civilizado.
e. Sob a inspiração das teses do “bom selvagem” de Russeau, O guarani pretende louvar as virtudes do primitivo, mas não poderia apresentar como proposta a substituição da cultura branca, nem indicar a vida “tão próxima à natureza” como modelo de futuro para a jovem nação brasileira.


09.
Sobre A Ilustre casa de Ramires, de Eça de Queirós, é incorreto afirmar que:

a. Na novela “A torre de D. Ramires”, escrita por Gonçalo Ramires, ocorre paráfrase do estilo romântico medievalista, o que se observa especialmente pelo vocabulário referente à guerra e à arquitetura.
b. O ato de plagiar a novela do tio Duarte, a hipérbole na caracterização dos personagens e da ação acabam relativizando o valor da obra escrita por Gonçalo e suscitam a crítica de que os antepassado heróicos do fidalgo – assim como o próprio passado glorioso de Portugal – talvez não passassem de fantasia, exagero.
c. Representando o imobilismo e a fragilidade de Portugal no final do século XIX, Gonçalo parece indicar, por meio de sua história pessoal, o caminho para o país retomar seu desenvolvimento: precisa livrar-se dos fantasmas do passado, crendo na possibilidade de sucesso. Por representar a nação portuguesa, o personagem pode ser considerado alegórico.
d. Como apresenta um protagonista condenável por sua covardia e insegurança, por suas mentiras e vaidade, o narrador de A ilustre casa de Ramires freqüentemente emite juízos de valor, comentando de modo crítico o comportamento de Gonçalo e condenando explicitamente seu caráter e suas atitudes.
e. Além da degradação financeira, e pior que essa, o romance registra a degeneração moral de Gonçalo, o que se comprova com o fato de o fidalgo ter arriscado o bem-estar de sua irmã em nome de suas pretensões políticas.


10.
Leia o trecho do capítulo “O almocreve”, de Memórias póstumas de Brás Cubas, em que o personagem narrador, depois de ter passado por uma situação de perigo, gratifica o socorro prestado pelo almocreve.

“Fui aos alforjes, tirei um colete velho, em cujo bolso trazia as cinco moedas de ouro, e durante esse tempo cogitei se não era excessiva a gratificação, se não bastavam duas moedas. Talvez uma. Com efeito, uma moeda era bastante para lhe dar estremeções de alegria. Examinei-lhe a roupa; era um pobre-diabo, que nunca jamais vira uma moeda de ouro. Portanto, uma moeda. Tirei-a, via-a reluzir à luz do sol; não a viu o almocreve, porque eu tinha-lhe voltado as costas; mas suspeitou-o talvez, entrou a falar ao jumento de um modo significativo; dava-lhe conselhos, dizia-lhe que tomasse juízo, que o “senhor doutor” podia castigá-lo; um monólogo paternal. Valha-me Deus! até ouvi estalar um beijo: era o almocreve que lhe beijava a testa.

— Olé! exclamei.

— Queira vosmecê perdoar, mas o diabo do bicho está a olhar para a gente com tanta graça...

Ri-me, hesitei, meti-lhe na mão um cruzado em prata, cavalguei o jumento, e segui a trote largo, um pouco vexado, melhor direi um pouco incerto do efeito da pratinha. Mas a algumas braças de distância, olhei para trás, o almocreve fazia-me grandes cortesias, com evidentes mostras de contentamento. Adverti que devia ser assim mesmo; eu pagara-lhe bem, pagara-lhe talvez demais. Meti os dedos no bolso do colete que trazia no corpo e senti umas moedas de cobre; eram os vinténs que eu devera ter dado ao almocreve, em lugar do cruzado de prata."

Assinale a alternativa correta sobre o trecho.

a. A reação bajuladora do almocreve ao perceber que seria recompensado fez com que Brás Cubas diminuísse o valor da gratificação.
b. O contentamento do almocreve com a pratinha que ganhara era evidentemente falso e revela o pessimismo machadiano que denuncia a hipocrisia humana.
c. O trecho critica a vaidade e presunção de Brás Cubas, que queria impressionar o almocreve com uma moeda de ouro.
d. Como autor realista, Machado de Assis insiste nas desigualdades sociais e por isso o trecho indica que um “pobre diabo” como o almocreve depende de esmolas, qualquer que seja o valor delas.
e. Brás Cubas mede a quantia da gratificação de modo a salvar as aparências e ao mesmo tempo gastar o menos possível.


11.
Leia os textos de Alguma poesia e em seguida assinale a alternativa incorreta.

Texto I

Sinal de apito

Um silvo breve: Atenção, siga.
Dois silvos breves: Pare.
Um silvo breve à noite: Acenda a lanterna.
Um silvo longo: Diminua a marcha.
Um silvo longo e breve: Motoristas a postos.
( A esse sinal todos os motoristas
tomam lugar nos seus veículos para
movimentá-los imediatamente.)

Texto II

“Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito
para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas
até lá, felizmente, estarei morto."

“O sobrevivente”

a. “Sinal de apito” constitui exemplo de poema-piada, em que a realidade é deturpada com finalidade humorística; sendo assim, o texto não pretende emitir crítica, mas apenas divertir.
b. Nos dois textos é possível observar a desilusão do poeta em relação à modernidade, por meio da sátira à mecanização da vida.
c. Em “O sobrevivente”, além da ironia, transparece um amargor mais profundo, já que a modernização equivale ao fim da poesia, impossível em tempo de brutalidade como a da guerra, indicada por meio da data “1914".
d. No texto II, há uma diferenciação entre dois conceitos: modernidade e cultura. Sendo assim, o poema pode sugerir que as máquinas, a vida urbana e a guerra são manifestações de brutalidade, de barbárie, de irracionalidade, ou seja, não representam a cultura.
e. O automatismo que se verifica no texto I não se distingue radicalmente da monotonia previsível na “vida besta” da cidade do interior, descrita pelo próprio Drummond em “Cidadezinha qualquer”.



12.
Leia a estrofe de Morte e vida severina que apresenta uma das vizinhas que visita o recém-nascido, filho do mestre carpina. Em seguida, assinale a alternativa correta sobre esse episódio.

“Minha pobreza tal é
que coisa não posso ofertar:
somente o leite que tenho
para meu filho amamentar;
aqui são todos irmãos,
de leite, de lama, de ar."

a. O nascimento do filho do mestre carpina altera abruptamente a realidade social apresentada na obra e por isso lembra o messianismo de Jesus Cristo.
b. O nascimento do filho de mestre José provoca tanta alegria, que até mesmo Severino, desiludido com sua chegada a Recife, desiste do suicídio.
c. A idéia de que “aqui são todos irmãos, de leite, de lama, de ar” repete a mensagem da primeira cena da obra, em que Severino tem dificuldade de se diferenciar dos demais sertanejos, e indica que o nascimento da criança não representa automática e profunda mudança da situação de pobreza.
d. A bondade das vizinhas no episódio do nascimento da criança indica a principal mensagem da obra: os pobres, por manterem a fé e a religiosidade cristã, são mais humanos que os ricos.
e. Metaforicamente associado à cena do presépio natalino, o episódio do nascimento da criança desmente a promessa cristã de salvação por meio do nascimento de Cristo: indica-se que a situação social continuará a mesma e que uma criança franzina nada representa.


13.
Analise as afirmações sobre Vidas secas, de Graciliano Ramos.

I. A estrutura da obra é circular, porque cada capítulo traz uma mesma realidade: a pobreza de meios e o sentimento de inferioridade dos sertanejos pobres.
II. O narrador aproxima-se da perspectiva dos personagens por meio do discurso indireto livre, que lhe permite manifestar pensamentos de seres cuja capacidade de expressão oral é bastante reduzida.
III. À inferioridade de ordem econômica, acrescenta-se na obra a submissão e a auto-desvalorização de natureza psicológica, uma vez que o sertanejo, além de pobre, sente-se tolhido em seu direito de exigir respeito e condições dignas de existência.

Estão corretas:

a. todas as afirmações;
b. somente as afirmações I e II;
c. somente as afirmações II e III;
d. somente as afirmações I e III;
e. somente a afirmação III.


14.
Leia o trecho de Macunaíma e as afirmações que se fazem. Em seguida, assinale a alternativa verdadeira.

“Jiguê teve raiva porque peixe andava rareando e caça inda mais. Foi na praia do rio pra ver si pescava alguma coisa e topou com o feiticeiro Tzaló que tem uma perna só. O catimbozeiro possuía uma cabaça encantada feita com a metade duma casca de jerimum. Mergulhou a cabaça no rio, encheu de água até o meio e despejou na praia. Caiu um despropósito de peixe. Jiguê reparou bem como que o feiticeiro fazia. Tzaló largou da cabaça por aí e principiou matando peixe com um porrete. Então Jiguê roubou a cabaça do feiticeiro Tzaló que tem uma perna só.

Mais pra adiante fez que-nem tinha reparado e veio muito peixe, veio pirandira veio pacu veio cascudo veio bagre veio jundiá tucunaré, todos esses peixes e Jiguê voltou carregado pra tapera depois de esconder a cabaça na raiz do cipó. Todos ficaram sarapantados com aquele mundo de peixe e comeram bem. Macunaíma desconfiou.

No outro dia esperou com o olho esquerdo dormindo que Jiguê fosse pescar, saiu atrás. Descobriu tudo. Quando o mano foi-se embora Macunaíma largou da gaiola de legornes no chão pegou na cabaça escondida e fez que-nem o mano. Isso vieram muitos peixes, veio acará veio piracanjuba veio aviú guarijuba, piramutaba mandi surubim, todos esses peixes. Macunaíma atirou a cabaça por aí, na pressa de matar todos os peixes, cabaça caiu numa lapa e juque! mergulhou no rio."

I. A perspectiva primitiva, que aceita a intervenção de forças ocultas e a manifestação de poderes mágicos, é apresentada no trecho e na obra como algo inverossímil e o narrador põe em dúvida a veracidade dos acontecimentos, ao exagerá-los.
II. A traição e a astúcia não é uma característica exclusiva de Macunaíma, mas o trecho revela que o herói sem nenhum caráter é ao mesmo tempo engenhoso, esperto e inconseqüente, irresponsável.
III. As enumerações que o trecho apresenta são um recurso freqüentemente empregado na obra e tem sempre a finalidade de apresentar a fartura da cultura e da natureza brasileiras.
IV. As histórias formadas por episódios que se repetem de modo muito parecido, os nomes de peixes e divindades, a apresentação repetida do epíteto em forma de rima (“Tzaló que tem uma perna só”) são resultado das pesquisas folclóricas do autor, que compôs uma obra em que se cruzam referências à cultura popular, à linguagem regional, às formas de falar e de narrar de extratos mais incultos da população.

a. Todas as afirmações estão corretas. b. c. d. e.
b. Somente as afirmações I, II e III são corretas.
c. Somente as afirmações II e IV são corretas.
d. Somente as afirmações II, III e IV são corretas.
e. Somente as afirmações I e IV são corretas.


15.
Leia o trecho do conto de Guimarães Rosa e assinale a alternativa correta sobre o papel do narrador.

“Lá fora, a noite fechada; tinha chovido um pouco. Raro, um falava mais forte, e súbito se moderava, e compungia-se, acordando de seu descuido. (...)

Aquilo podia-se entender? Eles, os Dagobés sobrevivos, faziam as devidas honras, serenos, e, até, sem folia mas com alguma alegria.
(...)
Se assim, qual nada: a ninguém enganavam. Sabiam o até-que-ponto, o que ainda não estavam fazendo. Aquilo era quando as onças. (...) Depois do cemitério, sim, pegavam o Liojorge, com ele terminavam."

Os irmãos Dagobé

a. Para aumentar a tensão da narrativa, o narrador adota o ponto de vista de Liojorge, vítima da situação.
b. O narrador indica que sabe tanto quanto o leitor sobre o desfecho dos fatos e por isso a narrativa não resolve de imediato as dúvidas sobre a reação dos Dagobé.
c. Onisciente, o narrador capta tanto as dúvidas da população que acompanha o velório quanto as reações emocionais dos Dagobé, como se comprova em “mas com alguma alegria”.
d. O narrador do conto conduz a narrativa numa perspectiva que se aproxima das pessoas presentes ao velório, expressando pretensa ignorância a respeito do desenlace do episódio, para gerar expectativa no leitor.
e. O narrador reproduz o ponto de vista da população, que sabia prever, apesar das aparências, o desfecho do caso do assassinato praticado por Liojorge.


Gabarito