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Professor deve ter um objetivo claro ao usar a mídia
Rodrigo Zavala
"Quando você apontar para a lua bela e
brilhante, o tolo irá contemplar a ponta de seu dedo".
O provérbio chinês teve um efeito questionador para os
mais de oito mil participantes da conferência realizada
na manhã de sábado (03/04), A Mídia na Cidade Educadora,
durante as atividades do Fórum Mundial de Educação.
Ao utilizar o provérbio, o professor de pós-graduação
em Educação da PUC-SP, Mario Sérgio Cortella, passou a
quem o escutava que não importa a ferramenta que se utilize
(rádio, TV, internet, jornais), se o professor não tiver
um objetivo claro do que se pretende fazer por meio dos
mais variados instrumentos no ambiente escolar.
Segundo ele, vivemos em uma era de difusão acelerada da
informação, mas não de conhecimento. "A internet, por
exemplo, a maior parte do tempo você não navega, naufraga".
Isso é causado, na visão de Cortella, pela falta de objetivo
certo do que se quer ver na web.
Assim, não adianta discutir mídia se não se sabe a que
lugar se quer chegar com seu emprego. "Se nós queremos
construir uma cidade educadora, com a mídia como instituição
e a tecnologia como ferramenta, temos que vislumbrar que
cidade queremos", disse.
Para o jornalista Gilberto Dimenstein, não é apenas o
professor que deve entender sobre o tema. "Deixar a escola
como a única fonte de educação é uma covardia. Os pais
também devem ser responsabilizados, tanto quanto os meios
de comunicação, omissos à imbecilização que causam", completou.
Estamos passando por um processo, de acordo com Dimenstein,
ao qual chama de "terceirização dos filhos", em que os
pais deixam as escolas com toda a incumbência de formação
infantil e juvenil. Isto é, devem ensinar sexualidade,
higiene, responsabilidade, comportamento, disciplina,
limites, além dos disciplinas mais tradicionais. "As pessoas
se sentem capazes de dizer que um governador é incompetente,
mas não se sentem assim por não ir sequer às reuniões
de escola, cujo o tema são seus próprios filhos", concluiu.