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Debate aborda a relação entre as culturas e a não-violência

Cassia Gisele Ribeiro

A confiança e o conceito de multiculturalidade são o único meio de combater os conflitos e, é justamente com esse foco que devem se estabelecer as políticas de todos os países. É no que acredita o chileno Guillermo Sunkel, que participou do debate "Cultura, gerenciamento de crises e construção da paz" no Fórum Cultural Mundial, que acontece em São Paulo.

"Nas cidades, as pessoas acabam se isolando de acordo com sua origem, visitam os mesmos lugares de lazer, moram nas mesmas regiões", afirmou Sunkel. "Não há integração entre os diferentes cidadãos", criticou.

Carlos Daniel Seides apresentou um programa brasileiro que tem como objetivo combater a violência por meio do conhecimento de culturas. O projeto "Por Uma Cultura de Paz no Brasil: Superando as Violências" aposta em campanhas em diferentes parcelas da população e a formação de "Agentes Construtores de Paz", que multiplicam os conhecimentos sobre os povos entre cidadãos comuns.

Para Seides, aqueles que tiverem o objetivo de trabalhar pelo disseminamento da cultura de paz devem ter em mente que esta é uma questão complexa, que envolve questões sociais, psicológicas, econômicas e culturais. "É preciso superar a emoção, especialmente quando a população se revolta com um tragédia, e não mistificar a paz, como se ela fosse um ser com vida própria", disse.

O coreano Kiyul Chung falou sobre o enfrentamento de crises entre as nações e sobre uma política de tolerância entre culturas. Chung trabalha com o objetivo de estabelecer a paz entre nações, especialmente entre as duas Coréias (do Sul e do Norte). "Nós vivemos em um momento cultural em que lideranças acreditam que podem trazer a paz com a guerra, combater massacres com outros massacres", afirmou. "É preciso que todos, inclusive as lideranças, trabalhem a visão de multiculturalidade".

Para o brasileiro Hiram Castello Branco, a melhor forma de trabalhar com a população em relação a outras culturas, é com o apoio da mídias e dos meios de comunicação. Ele trabalha com o projeto Midias de Paz, que tem como objetivo orientar os meios de comunicação para que abordem os temas de modo que ajudem a construir uma população mais pacífica e tolerante.

Para isso, a ong promove programas de educação de profissionais de comunicação. "É importante, por exemplo, que ao abordar qualquer notícia se mostre os dois lados da situação da mesma forma, provocando reflexão e não revolta", disse.