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Brasileiro tem pouca informação sobre diversidade cultural
Rodrigo Zavala
"A discussão de diversidade cultural ainda
é muito incipiente no Brasil. Não há pesquisas e o país
não conta com profissionais capacitados para desenvolver
políticas internacionais do audiovisual". Com esta visão
extremamente crítica Débora Peters, da Comissão Internacional
do V CBC, pautou suas afirmações no Seminário Diversidade
Cultural e Inserção Internacional do Cinema Brasileiro,
realizado no segundo dia de atividades do V Congresso
Brasileiros de Cinema.
"A única organização que discute isso é o CBC, que começou
no ano passado". Um atraso, na visão de Débora, lamentável.
O fato toma proporções ainda maiores se colocados frente
à realidade brasileira nos acordos econômicos mundiais.
Explica-se: como o item audiovisual compõe uma das áreas
que serviços abrange, a preocupação baseia-se no fato
das produções serem, neste contexto, mais um compromisso
internacional de comércio, ao lado de agricultura, finanças,
transporte e comunicação.
O embaixador Edgard Telles Ribeiro, representante do Ministério
das Relações Exteriores no evento, foi mais além. Ao fazer
também duras críticas à despreocupação brasileira com
o tema, ele acrescentou ainda que os poucos que discutem,
erram.
"Existe uma distorção conceitual do assunto. Quando se
defende a diversidade cultural nacional, não se fala em
parcerias em co-produção com outros países ou mesmo uma
abertura do mercado brasileiro a filmes de países até
hoje negligenciados. Fala-se única e exclusivamente na
inserção exterior do produto nacional", explicou Ribeiro.
O assunto já rendeu protestos por todo o mundo, exceto
no Brasil. Em 1998, artistas franceses, com cineastas
e atores à frente, se mobilizaram com intelectuais e ambientalistas
europeus e de outros países contra o que consideravam
"um dos expedientes mais sinistros da globalização": o
Acordo Multilateral sobre Investimento (MAI). O movimento
em prol do que se chamou "Exceção Cultural" visava impedir
que os países ficassem impossibilitados políticas culturais
próprias por meio de subsídios.
A teoria tinha uma como base a hegemonia dos Estados Unidos
na área, impondo cada vez mais o poder massacrante de
sua indústria de entretenimento. "O perigo para uma cultura,
caso ele seja produto comerciável é gigantesco", afirmou
o embaixador.