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Apenas 13% dos estudantes da rede pública cursam universidade
Grasiela Cardoso
A cada ano, cerca de 500 mil alunos do ensino médio deixam de cursar a universidade por falta de vagas. Isto quer dizer que apenas 13% dos alunos com idade entre 17 e 24 anos ingressam em uma instituição de ensino superior no Brasil. Para se ter uma idéia, no ano passado, as três universidade públicas de São Paulo - USP (Universidade de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) - abriram apenas 18 mil vagas.
Essa foi uma das questões debatidas durante o "2º Seminário: O Acesso à USP (Universidade de São Paulo) - Universidade e Diferença: Ações Afirmativas", na Cidade Universitário da universidade, em São Paulo (SP).
Segundo a Pró-Reitora de Graduação da USP, Sônia Penin, a educação superior brasileira ainda está muito limitada. "O ensino superior deve acolher a todos, brancos, negros, pobres e também os portadores de deficiência, pois é uma experiência nova tanto para o aluno como também para a própria universidade", afirmou a professora.
Baixa qualidade da educação na rede pública de ensino e as desigualdades raciais são os fatores que mais contribuem para a limitação do acesso à universidade. "As dificuldades, tanto financeira como raciais, começam quando a criança ainda está no jardim de infância, pois muitas vezes a escola não está preparada para oferecer a esses alunos aquilo que eles precisam", contou ela.
O sistema de cotas foi outro assunto debatido no encontro. Atualmente na USP, apenas 9,7% dos estudantes são negros ou pardos. Segundo dados apresentados durante o seminário, o número de pardos e negros que cursam o supletivo subiu 184% nos últimos anos. Esse dado é alarmante porque mostra que esses estudantes fazem cursos mais rápidos e não conseguem aprimorar os seus conhecimentos.
Para o professor do Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA (Escola de Comunicação e Arte), José Coelho Sobrinho, a criação de cotas não é o melhor sistema para o ingresso dos negros nas universidades. "Não adianta colocar o aluno na universidade se ele não tem condições financeiras de prosseguir os estudos", argumentou. No Brasil, as famílias de negros recebem metade da renda das famílias de brancos.
Flexibilização de formas de acesso na universidade; formação e capacitação qualificada dos professores da rede pública de ensino e exame de transferência para os alunos das universidades privadas, foram algumas das medidas de melhorias propostas durante o seminário.