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Sem atualização dos professores não há tecnologias na escola
Rodrigo Zavala
Se os professores não se atualizarem sobre
os recursos disponíveis em novas tecnologias, os projetos
que utilizam informática nas salas de aula irão naufragar.
Esse foi o consenso entre os palestrantes do primeiro
debate promovido pelo I Fórum NetEducação - O Uso da Tecnologia
na Educação, realizado no dia 14 de abril, em São Paulo.
Convidada ao evento, a jornalista Âmbar de Barros, coordenadora
da Unesco em São Paulo, deixou claro que os professores
devem estar devidamente apoiados por escolas, governos,
empresas, ONGs, entre outros, para desenvolver experiências
com o uso da informática na escola. "O papel do educador,
em uma sociedade de informação, ganha mais importância.
Cabe a ele dar significado a esse mar de informação. Mas
ele precisa de apoio para vencer a resistência de usar
as novas tecnologias", argumentou.
Com 98% das crianças matriculadas em escolas o principal
desafio, na opinião de Âmbar, é a qualidade do que se
oferece. "Nós não conseguimos ensinar nem os antigos códigos
para os estudantes. Temos que nos perguntar quem são esses
seres que queremos formar. E precisamos de todos os instrumentos
possíveis para vencer esse desafio", disse a jornalista.
Fazendo coro à jornalista, a pedagoga Natalia de Lima
Bueno, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR),
acredita ainda que acusar o professor pela não implantação
de projetos educativos atrelados ao uso do computados
é um erro. Segundo ela, a grande ênfase que sempre se
deu aos professores foi de uma formação técnica, que excluía
das discussões a apropriação de novos recursos à sala
de aula.
Essa formação perdurou, de acordo com pesquisas da pedagoga,
até a década de 80, quando finalmente começou a se pensar
na introdução desses novos recursos como instrumentos
de educação. "Essa discussão ainda era bastante incipiente.
Estamos engatinhando nessas questões e os professores,
por sua própria formação, estão despreparados para isso",
afirmou Natalia.
Somado a isso, o secretário de educação a distância do
Ministério da Educação, Marcos Dantas, acrescentou a pouca
prioridade que sempre foi dada à educação no Brasil e
uma despreocupação social. Criticando as greves realizadas
pelos professores da rede pública, o secretário defendeu
que essa preocupação de que a escola funcione plenamente
tem que ser de toda a sociedade.
"Formação, educação continuada, Internet nas escolas,
sociedade do conhecimentos. Tudo isso torna-se discurso
vazio não se dermos importância aos investimentos educacionais.
Isso não é trabalho apenas dos professores", concluiu.