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"Guru" de recursos humanos critica escolas
Marina Rosenfeld
O que faria um "guru" de recursos humanos,
que caça executivos talentosos, numa feira de educação?
Essa foi a pergunta que muitos se fizeram ao assistir
a palestra Empreendedorismo e Educação, ministrada pelo
famoso executivo Robert Wong, no Educar Educador.
Wong, que foi considerado o executivo do ano pela revista
The Economist e é presidente da Korn/Ferry no Brasil -
maior consultoria em recrutamento e seleção de executivos
do mundo - apresentou em meio à pedagogos e profissionais
de ciências humanas um novo paradigma no mundo da educação.
"Os alunos só terão sucesso na escola, no trabalho e na
vida social se tiverem auto-confiança e auto-estima. A
escola de hoje não trabalha isso", disse Wong ao sugerir
que as instituições de ensino criem cursos de psicologia
comportamental em que os alunos possam aprender mais sobre
si mesmos. Segundo ele, a auto-confiança só se adquire
por meio de auto-conhecimento.
Também faz parte da visão proposta por Wong desenvolver
os potenciais dos alunos com foco na imaginação e na criatividade.
"Quando vou contratar um executivo não estou preocupado
com o seu conhecimento, mas sim com a sua imaginação.
É isso que diferencia as pessoas e, mais uma vez, a escola
deixa a desejar".
Wong alerta que de nada adianta ter criatividade sem espírito
empreendedor. "O brasileiro tem muita iniciativa, mas
falta "acabativa", brincou ao comentar que são poucas
as pessoas que conseguem realmente colocar em prática
suas idéias.
"Precisamos ter claro que a escola não deve preparar o
aluno para passar de ano, mas sim para ser um cidadão
empreendedor. Ele deve crescer pensando em fazer algo
diferente, que o entusiasme. E o papel da escola é ver
até onde ele chega", afirmou. O aluno brasileiro, segundo
o executivo, sai da escola à procura de um bom emprego,
enquanto o norte-americano busca um bom negócio. "É isso
que precisamos mudar", complementa.
Outra crítica do executivo diz respeito ao fato de os
alunos serem condicionados a ter atitudes reativas em
relação à qualquer situação. "É preciso que o estudante
seja proativo e agente de mudanças e não que fique esperando
que apareçam oportunidades". De acordo com Wong, essa
atitude reativa reflete no profissional que ele se tornará
no futuro.
Wong também comentou que a escola pode ser um ótimo ambiente
para simular habilidades exigidas pelo mercado de trabalho.
As aulas de educação física, por exemplo, se levadas à
sério, podem mostrar como o aluno lida com frustrações,
trabalha em equipe e reage à feedback.