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Crescimento do Terceiro Setor é irreversível

Rodrigo Zavala

"Estado é necessário, imprescindível, insubstituível mesmo, mas não é suficiente. Ou, mais resumidamente: o Estado é tão necessário quanto insuficiente". A conclusão de Augusto de Franco, coordenador da Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED), é o pontapé inicial para entender o quanto o Terceiro Setor é importante, na visão do especialista.

Ao contrário do que às vezes se afirma sobre a modificação do papel do Estado, Franco afirma que ele não está necessariamente se enfraquecendo. "Existem coisas que devem ser feitas por outros sujeitos, já que o Estado não dá conta de absorver, na sua racionalidade predominantemente normativa (executiva, legislativa e judiciária), outras racionalidades, como aquelas presididas por "lógicas" cooperativas, predominantes na sociedade civil organizada", explica.

Na visão do especialista, portanto, o Terceiro Setor deve ser encarado como uma nova sociedade civil e, assim, um fenômeno irreversível. Isto é, existe uma sociedade civil, "como esfera da realidade social relativamente autônoma, como fenômeno objetivo, fora da ordem do Estado e da "lógica" do mercado".

Essa realidade "relativamente autônoma" é onde ocorre todas as manifestações sociais abarcadas pelo que se convencionou chamar de Terceiro Setor. Afinal, como crê, em uma visão simplificada, o setor nada mais é do que a denominação do conjunto dos entes e processos da realidade social que não pertencem ao primeiro setor (o Estado) nem ao segundo setor (o mercado).

E é justamente nesse caldeirão de ações sociais (sejam elas voltadas para um bem público, sejam para fins privados) que nasce todo o empreendedorismo e criatividade que inunda o Terceiro Setor de projetos e programas inovadores, como completa Neusa Maria Goys, consultora para assuntos de responsabilidade social do Mackenzie. "Este contexto leva os agentes do Terceiro Setor a uma maior racionalização de suas ações. Em uma questão de profissionalização do seu trabalho", prevê.

O que se espera para os próximos anos, na visão dos especialistas é uma sistematização das ações, criando redes de cooperação móveis e múltiplas. "Não existirá nunca uma centralização. A característica principal do Terceiro Setor são sua miríades de iniciativas. Diversas e dispersas", lembra Augusto de Franco.

As entrevistas que basearam a matéria foram realizadas durante a 60ª edição do Fórum Permanente do Terceiro Setor, promovido pelo Senac-SP.