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Para Paul Singer, economia solidária combate desemprego

Cassia Gisele Ribeiro

"As cooperativas surgem como uma grande aliada no combate ao desemprego. E isso deve ser reconhecido, ainda mais em tempos de desemprego e precarização das condições trabalhistas". A opinião é do secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer, que participou ontem da abertura do I Fórum de Economia Solidária, realizado pela Divisão de Terceiro Setor do Senac, em São Paulo (SP).

"A sociedade civil é a nossa grande arma. Se conseguirmos criar uma uma sinergia entre ONGs, OSCIPs, entidades semi-públicas e os governos, podemos pensar na eliminação da pobreza no país em médio prazo", afirmou para complementar que só apoiar programas da sociedade civil não é a única função do governo.

"Se por um lado existe a vantagem de descentralizar o atendimento e o trabalho ser feito por pessoas motivadas, por outro o trabalho realizado somente por entidades civis faz com que a população perca seus direitos, acreditando que devem sempre estar contentes por receber um favor", disse.

Paul Singer falou sobre as perspectivas da economia solidária no Brasil a partir de dois horizontes temporais: de longo e de curto prazos. Ele considera que, nos próximos 10 anos, deve haver no Brasil uma multiplicação dos empreendimentos auto-gestionados, ou seja, em que todos que participam e são, ao mesmo tempo, donos e trabalhadores das empresas.

O secretário também citou outros tipos de empreendimentos solidários, entre eles, a cooperativa de reforma agrária, que hoje tem entre 400 e 500 mil famílias em assentamentos no Brasil. Nessas comunidades, a forma de economia dominante é a solidária, principalmente as cooperativas. "Essa é uma transformação estrutural para melhorar a economia brasileira", avaliou.

Na sua opinião, é necessário que se crie uma nova legislação trabalhista, que garanta condições salubres de trabalho, e ao mesmo tempo, mude a legislação tributária em relação aos meios alternativos, como o cooperativismo. "Pessoas estão sendo excluídas pela fiscalização do Ministério do Trabalho, que alega que cooperativa de mão-de-obra não é cooperativa", disse o professor.

Segundo ele, as atuais leis não têm cabimento porque obrigam - por exemplo - uma cooperativa a ter mais de 20 membros. "Além disso, deve-se facilitar o acesso a empréstimos e financiamentos com juros adequados para as cooperativas, algo que hoje só é concedido às pequenas empresas", afirmou.