Cidade Escola Aprendiz 05 de dezembro de 2003

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Como fazer televisão fora da lógica das grandes redes?

Cássia Gisele Ribeiro

"Como fazer televisão fora da lógica das grandes redes?". Essa foi a principal questão que predominou o debate: Televisão Local e Canais Alternativos, que aconteceu no II Encontro Internacional de Televisão, que está sendo realizado em São Paulo.

Participaram do debate os especialistas Luiz Fernando Santoro, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP (Universidade de São Paulo); Zico Góes, diretor de programação da MTV Brasil; Rafael Segovia, escritor mexicano e ensaísta de televisão e Rogério Gallo, diretor de televisão.

Para Santoro, uma das primeiras estratégias para quebrar essa lógica é não medir a qualidade do programa em números de audiência. "Os canais e programas alternativos devem se tornar referência dentro da comunidade para os quais são desenvolvidos", diz.

Santoro cita como exemplo um programa que realiza para advogados. Ele afirma que não dá para esse tipo de programa ter muita audiência, pois o público é restrito. "No entanto, deve-se trabalhar com o objetivo de que esse programa seja referência para esse público", diz Santoro.

Zico Góes ilustra esse quadro na direção da emissora que é referência no país quando o assunto é jovem. "Foi difícil mudar essa visão, principalmente quando se concorre com grandes redes, como é o caso da MTV. No entanto, hoje os anunciantes perceberam que a forma mais simples de atingir o jovem é anunciando em uma emissora totalmente voltada para eles", diz.

Ainda, segundo Zico, deve-se lembrar que uma emissora segmentada e que não trabalha com ênfase em números tem a possibilidade de criar, de experimentar, de inovar. E que depois disso, é comum que seus métodos caso dêem certo sejam adotados por outras emissoras que visam somente o lucro.

Para Rafael Segovia, a grande importância das pequenas redes e canais alternativos, é que eles são uma alternativa para o telespectador que não quer apenas uma rede no monopólio da televisão. Segovia afirma que seu país, que viveu 40 anos com apenas uma grande rede de TV pública, acabou se tornando um instrumento de propagandas do governo.

Rogério Gallo concorda e acredita que no Brasil aconteceu algo parecido. Por não ter sido bem trabalhada, a quebra desse monopólio acabou resultando na queda da qualidade da televisão brasileira.

O debate também abordou temas como o das emissoras locais, que atendem aos interesses de comunidades específicas. Para Rogério Gallo, somente o fato de ser TV local, segmentada ou comunitária não basta para que ela atenda efetivamente seu público. "Não adianta a TV local achar que colocar a mulher do prefeito fazendo um programa de entrevistas é atender aos interesses da comunidade", diz.

Mesmo com poucos recursos, é preciso que as emissoras comunitárias façam o que podem de melhor. Para Zico Góes, é mais fácil fazer coisas boas com poucos recursos quando se conhece bem o público alvo. "Quando se faz uma coisa generalista, mesmo que se tenha bons recursos técnicos o produto sai ruim, porque é superficial", diz.