Cidade Escola Aprendiz 19 de dezembro de 2003

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São Paulo se transforma em sala de aula nas mãos de estudantes

Rodrigo Zavala

A cidade que nasceu há 450 anos de uma escola, tornou-se este ano em uma imensa sala de aula nas mãos de alunos de 10 escolas tradicionais da capital. Participantes do projeto 450 anos Luz, uma parceria entre empresas, organizações civis e governo, professores e estudantes aprenderam por meio de sua cidade a se conectar com sua própria história.

O trabalho foi inspirado no livro São Paulo 450 Anos Luz , projeto de Gilberto Dimenstein e texto de Okky de Souza , lançado no início de 2003. Mais do que um documento histórico, a publicação traz com singular lirismo as transformações de uma vila, que mais tarde se tornaria a mais rica metrópole do país. "Crianças e adolescentes em geral abandonaram o centro de São Paulo. A desconexão geográfica é sintoma de uma doença grave para o futuro de uma cidade: a desconexão histórica", crê Dimenstein.

Assim, a publicação serviu como ponto de partida para um emaranhado de novas metodologias interdisciplinares que foram durante seis meses implantadas nas chamadas "Escolas Luz". Cada uma delas terá acompanhamento técnico e profissional antes, durante e depois do projeto, para um efetivo desenvolvimento do trabalho.

"Ficamos impressionados com o resultado, principalmente nas escolas públicas que enfrentam dificuldades", contou Yael Sandberg, coordenadora pedagógica do projeto, durante o evento que encerrou as atividades de 2003. Na festa, foram apresentados algumas atividades desenvolvidas pelos alunos, entre poesias, teatro, músicas, documentários, fotos, instalações e artes plásticas, que usaram São Paulo como referência.

Segundo Minom Pinho, coordenadora geral do projeto, durante a primeira fase do projeto, capacitaram-se 50 professores das 10 escolas, que passariam a desenvolver com seus alunos os trabalhos que preferissem. "O trabalho inicial foi mais para instigar os professores do que propriamente mostrar a receita do bolo. Eles tiveram que decidir como falar da cidade escolhendo apenas um dos muitos temas que a cidade disponibiliza", explica.

Mais tarde foi a vez do corpo pedagógico do programa entrar em ação dentro das escolas. Todas foram acompanhadas de perto para que os projetos dos alunos fossem decididos de forma horizontal, sem que a opinião de diretores ou professores ditassem o que deveria ser feito.

Esse trabalho mais incisivo também possibilitou que as escolas tivessem mais contato, para facilitar a formações de uma rede, em que se trocam experiências educativas. Essa articulação facilitará, como prevê Yael Sandberg, o intercâmbio de atividades e experiências educacionais envolvendo a cidade e sua história. "Essas escolas não vão deixar de ser Escolas Luz, com ou sem patrocínio. Esperamos que elas multipliquem o que aprenderam não apenas com seus alunos, mas também com outras escolas."

E essa expansão é esperada desde o começo do projeto. A rede poderá ser expandida para grande parte das escolas públicas da cidade, graças ao apoio das Secretarias Municipal e Estadual de Educação e da Secretaria da Cultura do Estado.

Oscar Prieto, presidente da Companhia de Gás de São Paulo, Comgás, empresa que ajudou a redesenhar a cidade - e patrocinou o livro base do projeto - chegou a dizer: "Os paulistanos guardam em seu interior, como um grande e entranhável tesouro, a essência de seus sonhos". Isto é, ao redescobrir a vida de sua própria cidade e se identificar como participantes dessa metrópole, crianças e adolescentes se conectarão aos sonhos de ambição e grandeza que moldou São Paulo durante séculos.