Cidade Escola Aprendiz 23 de junho de 2004

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TV: Hiperestimulação é risco para crianças

Rodrigo Zavala

Qual o real impacto que a programação televisiva pode gerar em crianças e adolescentes é uma questão, que especialistas, pais e pesquisadores ainda polemizam sem chegar a qualquer acordo. Se por um lado, se prove que a violência, a erotização e a promoção do consumo sejam malefícios trazidos também pela TV, por outro, ela não pode ser responsabilizada sozinha pelo comportamento infantil.

Em um país como o Brasil, onde a média de audiência televisiva supera quatro horas diárias, tornando-se o principal meio de formação nacional, a polêmica torna-se ainda maior. Isso porque o baixo nível de escolaridade e a ignorância sobre a linguagem e códigos de produção inibem a formação de uma postura crítica sobre o que se vê.

"Do ponto de vista cognitivo, a criança se acostuma passivamente à hiperestimulação sensorial que esse meio proporciona, o que influi na maneira de captar e na construção da capacidade de perceber e pensar a realidade", explica Ana Cristina Olmos, psicanalista de crianças e adolescentes e presidente da ONG Tver.

Segundo ela, o abundante estímulo favorece processos mentais diferentes, cria outros tipos de respostas emocionais e prejudica o raciocínio dedutivo e reflexão. "Por isso, tantos adolescentes sentem-se incapazes de ler sem a estimulação sonora", lembra.

É desta forma que a intensa proximidade com a TV pode modificar os naturais hábitos perceptivos, as funções cognitivas e os processos mentais. E como a TV tornou-se a "boa mãe", oferecendo sua companhia a qualquer hora, os efeitos tornaram-se devastadores, segundo Ana Cristina. "Sua participação no cotidiano dos mais jovens dá sentido a suas vidas, produzindo o sentimento de pertença (de aceitação)", explica.

As considerações da médica levam em conta os mecanismos de identificação e projeção induzindo valores que têm adesão emocional. Conseqüentemente, há uma construção de um estilo impulsivo nas escolhas, ao invés de uma postura reflexiva, que propicia não só um consumo de produtos, mas a atitude que, em última instância, os torna necessário.

"Crianças viciadas em TV sofrem o risco maior de dificuldades de atenção, memória, concentração e, eventualmente, bloqueio de expressão verbal, necessário ao aprendizado da linguagem", argumenta.




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