Terça-feira, Agosto 25, 2009
"Me escondi dos ciganos, não da polícia"
Em depoimento ao delegado Moisés Damasceno, na sede da 6ª Coorpin, na presença do promotor Patrick Pires Costa e dois policiais civis, Edvaldo Pereira e Samuel Cabral, como testemunhas, Cardoso Pescador deu detalhes sobre o crime.
Segundo Cardoso, ele e Johnny saíram de Ilhéus uns três dias antes do crime e chegaram em Eunápolis quase à meia-noite, indo para uma casa muito grande no bairro Juca Rosa. "Foi lá que todos se encontraram".
"O Dr. Jorge (o cigano Jorge Valdo Dantas Meira) pediu que a esposa e os filhos saíssem para começar a passar as ordens. Quando fui contratado, me disseram que a vítima era dona de uma cerâmica em Itamarajú, nada mais. Nem o motivo eu sabia".
"Recebi R$ 4 mil e dizem que Muniz recebeu o mesmo valor. Eu acho que ele recebeu mais. Eu só dirigi o carro, portanto, não devo ter recebido o mesmo valor de quem matou".
"Depois que eu vi a turma toda presa, pensei em me entregar em Itamarajú, mas estava estudando como eu ia fazer para chegar lá, porque tinha gente estranha me procurando lá no Salobrinho, na certa para me matar".
"Eu me escondi num barraco de pescador, mas não foi da polícia e sim do bandido". Esta é a segunda vez que Cardoso é preso. Na primeira, estava sendo incomodado por um colega quando era taxista. "Não fiz nada demais, só dei uns tiros pra cima".
Na ocasião, ele foi autuado apenas por porte ilegal de arma de fogo. Ele disse ainda que, após o crime contra o ex-deputado, foi com o Muniz procurar um "discarado" em Itajuípe que "gosta de mexer com a mulher dos outros".
"A gente foi lá só dar um susto nele, demos quatro tiros nele, mas não era pra matar. Fomos por Uruçuca para Ilhéus, quando nos deparamos com a PM que tinha feito um cerco por causa dos tiros em Itajuípe. Eu pulei no matagal e Muniz foi preso".
O delegado Dasmasceno ervela que "há pessoas que vieram a Itamarajú praticar o crime em outras oportunidades e, quando descobriram que se tratava de uma autoridade, resolveram recuar diante do valor pequeno que iam receber".
Ele diz que a participação de Cardoso no crime "foi dirigir o veículo que deu fuga aos indivíduos logo após o crime, de Itamarajú até o município de Ilhéus. O carro que foi utilizado para o crime foi incendiado, tinha um esquema montado, organizado".
"Atearam fogo no carro na entrada de Mascote, há registro de ocorrência da PRF e essas informações que foram trazidas por José Cardoso são enriquecedoras, comprovam tudo o que nós juntamos de investigação durante esses cinco meses".
Alguns crimes posteriores ao do ex-deputado podem ter ligação e o delegado não tem dúvida de que José Cardoso dos Santos seria a próxima vítima. "Ele foi procurado algumas vezes em sua residência, porque era um arquivo vivo".
"Inclusive a mulher do Johny Cigano teria ido à sua procura acompanhada de dois homens e disseram que ele teria que sumir vivo ou morto". Damasceno encerrou sua participação no caso e já solicitou seu retorno para Itabuna.
"Espero que seja nomeada uma nova forçatarefa para que dê continuidade às investigações, em relação ao caso Regina Cotrim e do empresário Estácio, morto junto com o filho, João Paulo. As investigações já estão encaminhadas".

